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Jota Alves fundou o jornal The Brasilians, o Centro de Promoções Brasileiras e criou o Dia do Brasil em Nova York: o maior festival brasileiro no mundo. Formou-se em Moscou. Foi Secretário de Governo em Mato Grosso.

 

Cartas do Brasil
De Jota Alves, São Paulo.

A Suíça não é aqui.

Aos pés do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o presidente da República Federativa do Brasil, disse: “quem viaja muito o mundo às vezes volta decepcionado com a imagem que se cria do Brasil lá fora. Aliás, eu acho que o Brasil é um país sui generis...o único país em que os brasileiros falam mal do Brasil lá fora...você não vê um suíço falar mal da Suíça, você não vê um italiano falar mal da Itália, mas os brasileiros adoram falar mal...”.

Em Brasília, ao lado da ministra do turismo, Marta Suplicy, o presidente disse que a nossa imprensa só publica coisa ruim.

Durante quarenta anos de minha vida eu não fiz outra coisa senão promover e divulgar o meu país. Defender e zelar por sua imagem, como povo e como nação. O título do livro que está demorando a sair será mais ou menos assim: Funcionário do Brasil sem nunca ter recebido um centavo do governo. De nenhum governo.

E nesses anos todos, em Moscou, em Paris, em Estocolmo, em Havana, em Roma e em Nova York eu nunca vi, ouvi ou li que Carmen Miranda tenha falado mal do Brasil. Que Heitor Villalobos, Bidú Sayão, Laurindo Almeida, Eumir Deodato, João Gilberto, Ary Barroso, Dorival Caymmy, Airto Moreira, Baden Powell, Freire e Martins e Arthur Moreira Lima e Bebel Gilberto e Sergio Mendes e Sonia Braga e Florinda Bulcão e Iza Chateubriand e Emerson Fitippaldi e Giselle Bundchen tenham, no exterior, difamado ou falado mal do nosso país.

Também nunca ouvi dizer que o meu conterrâneo o embaixador Roberto Campos, ou o chanceler Oswaldo Aranha, ou Henrique Rodrigues Valle ou Sergio Correa da Costa, tenham, lá fora, falado mal do Brasil.

Nunca ouvi Vavá, Garrincha, Belini, Pelé, Raí, Ronaldo, Ronaldinho, Toninho Cerezo, Falcão-o Rei de Roma-ou o Príncipe da Itália-Cacá, Dunga, Junior, Romário, falarem mal do Brasil.

Temos centenas de mestres, cientistas, técnicos, empresários, artistas, estilistas, profissionais liberais, pelo mundo todo, e nunca li uma declaração de algum deles falando mal do Brasil durante o governo que o presidente Luis Inácio nos prometeu: limpo, transparente, honesto e de mudanças estruturais.

Combati a ditadura, sem combater o meu país. Fui criticado por hastear uma bandeira brasileira e por fazer o hino nacional ser cantado, pela primeira vez, no centro de Nova York, na abertura do primeiro Dia do Brasil, em 1985, dedicado a Tancredo Neves.

Os governos passam. Hino, Bandeira, Brasão, a Seleção Canarinho, não pertencem a militares, partidos, presidentes. São do brasileiro que tem sabido sim, no exterior, separar o joio do trigo e o qual, anônimo, ou não, é quem tem segurado o rojão da multiplicação dos escândalos nacionais e promovido o Brasil, sem nenhum reconhecimento oficial ou oficioso.

Quando um turista italiano depois de 9/10 horas dentro de um avião ainda tem que esperar horas e horas para um vôo de conexão a seu destino turístico, ele, com certeza, não vai falar mal da Itália.

Quando um empresário suíço perde audiências, reuniões e negócios, por causa do contínuo caos nos nossos aeroportos, ele, com certeza, vai se lembrar muito bem e com saudade de sua Suíça pequena, sem saída para o mar, com apenas 7.4 milhões de habitantes, três línguas oficiais, e uma renda per capita de US$ 43.000.00.

Nunca escrevi ou publiquei noticias contra o Brasil, publiquei e divulguei noticias vindas do Brasil. Os jornais de brasileiros, suas revistas, programas de Rádios e Tvs, Páginas, nos Estados Unidos, na Europa, no Japão, pelo mundo afora, não falam mal do Brasil. Dão as noticias sobre o governo, o Congresso e os dirigentes do Brasil.

O presidente da República Federativa do Brasil ofendeu milhões de brasileiros que hasteiam a bandeira e cantam o nosso hino, em terras distantes. Era melhor ter repetido: ame-o ou deixe-o aos brasileiros que mandam para o nosso país mais de U$ 4,5 bilhão de dólares, por ano. Dinheiro que, felizmente, não fica na bolsa do governo. Vai direto para as cidades, investimentos e familiares dos remetentes.

Quando o brasileiro está no exterior ele sofre, se envergonha, se decepciona e chora com as noticias ruins e com os escândalos oficiais e diários. Vira chacota e alvo de gozação. Senta e relaxa, como ensina a ministra do Turismo, mas não fala mal do Brasil.

Tampouco é o brasileiro que viaja para fora quem anda produzindo ou inventando a “imagem que se cria do Brasil lá fora” e as “noticias ruins” que a imprensa mundial divulga.

Se, o presidente tivesse vivido (não visitado) um só dia, lá fora, enfrentado frio e discriminação, escorraçado de embaixadas e consulados, mal compreendido e até mal visto no seu próprio país por ter ido tentar melhorar a vida lá fora, ele sentiria na carne e na alma o quanto o brasileiro, mesmo com os governantes e os parlamentares que tem, defende, promove, divulga e ama o seu país.

E, descobriria também que a gente sai do Brasil, mas o Brasil não sai da gente.

 

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