As ‘mil e uma faces’ de Penélope Jaloto

A jornalista Arnild Van de Velde entrevistou Penélope Jaloto com exclusividade para o site Brasileiros na Holanda.

A mudança de Penélope Jaloto, do Brasil para a Holanda, ocorreu em nome da escolha que esta carioca de 34 anos fez pelo amor. Como muitos, deixou para trás a família, os amigos e uma profissão que gostava – era caracterizadora da Rede Globo, ou seja, responsável pela composição visual dos personagens de várias produções da emissora(como também do cinema nacional) – para seguir a famosa “voz do coração”.

 

Em 2003, este “chamado” a levou para Utrecht, onde, ao lado do noivo, André, agora se prepara para dar continuidade ao trabalho que durante seis anos a fez percorrer várias cidades brasileiras, a serviço de veteranos como Paulo Goulart e Nair Bello e de celebridades como Luana Piovani e Débora Falabella.

Enquanto aguarda a retomada profissional em terras holandesas, a aniversariante de ontem (18/12), como toda boa sagitariana, não perde tempo: tem investido seu talento no atendimento a clientes, oferecendo serviços de maquiagem e cabelereiro. É a repetição da história pessoal de Penélope, que, dirigia um salão de beleza no Rio de Janeiro, antes de partir para a carreira na TV e no cinema. Para espantar a solidão na Holanda, criou ainda um grupo de residentes brasileiras, via internet, chamado “ O clube da luluzinha ”. As trinta amigas trocam idéias num blog fechado e se reúnem a cada 15 dias para um bate-papo, cafezinho e muitas risadas!

De um ‘bate-papo’ desses, a redação de Brasileiros na Holanda tirou a seguinte entrevista com Penélope, uma pessoa simpática, confiante e alegre.

AVdV – Deixar uma posição na Rede Globo não deve ter sido uma decisão fácil, não é mesmo?

PJ – De fato, foi uma questão de escolha entre a carreira e a constituição de uma família. Me dei o tempo para refletir e acabei optando pela segunda alternativa, pois o destino colocou alguém muito especial em meu caminho…tive três meses para pesar os prós e contras e, quando voltei para o Rio, descobri que seria muito mais feliz aqui. Sou uma pessoa ‘muito família’ mesmo e cheguei à conclusão que meu lugar, agora, é na Holanda.

AVdV – O que pesou mais em sua decisão?

PJ - A vontade de seguir meu coração, minha intuição, de que o momento era certo, a pessoa era a certa. Foi complicado deixar o trabalho, os amigos; trocar o sol carioca pelo frio de Utrecht, mas sou muito otimista e acho que tudo vai dar certo, que o caminho é esse mesmo.

AVdV – Você poderia explicar melhor o trabalho de uma caracterizadora?

PJ – Bem, o caracterizador é aquele profissional que realiza a idéia do diretor, em relação a um personagem. Não é o mesmo que o maquiador, por exemplo. Meu trabalho consiste em criar a face do personagem, torná-lo, mais velho, mais gordo, acrescentar cicatrizes, mudar o rosto, enfim. O trabalho exige muito tempo e concentração, mas o resultado é impressionante!

AVdV - Você poderia citar algumas produções em que trabalhou?

PJ – “O Anjo que caiu do céu” (novela), “O quinto dos infernos” (peça teatral), “Meteoro” e “Diabo a quatro” (filmes). Esses dois últimos, inclusive, serão lançados no próximo ano. A lista é imensa! Passei todos esses anos indo de lá para cá, no Brasil. Foi uma experiência muito gratificante, que me ensinou muito.

AVdV – Você não sente falta desse ambiente?

PJ – Sem dúvida, mas minha vida sempre foi cheia de mudanças. Deixei a Faculdade de Arquitetura para tocar um salão de beleza. Dali fui convidada para trabalhar na Rede Globo e agora já estou aqui! Sinto saudade, mas não me sinto infeliz ou com a sensação de que perdi algo…aqui trabalho em casa e já tenho uma boa clientela. Ofereço uma espécie de “Dia da Noiva”, com maquiagem e penteado. Nunca me senti deprimida ou coisa parecida.

AVdV – Muita gente reclama da vida social na Holanda. Você parece ter achado uma solução interessante…

PJ - Quando cheguei aqui, decidi refazer minha vida social. Daí entrei no MSN e escrevi: “Gostaria de fazer amizade com brasileiras que moram em Utrecht”. As pessoas foram aparecendo e hoje somos trinta mulheres que se encontram a cada 15 dias, para trocar idéias. Batizei o grupo de “O clube da luluzinha”, por motivos óbvios!

AVdV – E hoje você é a grande anfitriã.

PJ – Sim, por força das circunstâncias! Para comemorar meu aniversário organizei um ‘estudante clube’ no centro Utrecht. Estou esperando 120 convidados, gente do meu círculo de amizades, do curso de holandês, enfim, dá para sentir que eu gosto de festa, não?

AVdV – Quando você deverá dar o ‘pontapé inicial’ em sua carreira na Holanda?

PJ – Primeiro preciso aperfeiçoar o idioma, o que requer algum tempo. Estou fazendo alguns contatos, mas não tenho pressa, acredito que tudo na vida acontece mesmo na hora certa.


Penélope com André Matos antes de caracterizá-lo

André Matos já envelhecido depois da caracterização pronta

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