Na rua, na chuva, na fazenda...
Fernanda Veneu
“Jogue suas mãos para o céu e agradeça se acaso tiver alguém que você gostaria que estivesse sempre com você”, diz Hyldon na música Na Rua, na Chuva, na Fazenda – casinha de sapê.
É isso aí. Aqui estou eu, de mãos jogadas pro céu, agradecendo. Disfarçadamente, claro, já que estou em um ônibus. São 7:35 da manhã (tá pensando que é mole?), estamos em pleno e chuvoso outono (tudo a ver com a música), a uma temperatura de... Melhor nem perguntar. Afinal, sou carioca, congelo a qualquer temperatura inferior a 22oC.
Saio de Nieuw-Vennep (Haarlemmermeer), a caminho de Leiden. Lá, devo pegar um trem até Utrecht para chegar a minha primeira aula de holandês. Aliás, primeira só pra mim, já que faltei anteontem por estar meio adoentada. Idade é fogo!
Pelas janelas do caminho, vejo as pessoas tomando café, se preparando para sair. Entre uma casa e outra, campos. Muuuuuuitos campos. E, neles, vacas e ovelhas, cada uma mais linda do que a outra.
A essa hora, elas ainda estão deitadas (felizardas!). Ver aqueles montinhos de pêlo colorindo o verde dos campos é um espetáculo à parte. (Tem branco, preto, marrom, malhado... Elas merecem uma crônica só pra elas, aguardem!)
Impressionante a organização do espaço, aqui. Não existe, como no Brasil, uma divisão clara entre o urbano e o rural. Você pode encontrar, ao lado de uma fábrica de cerveja, por exemplo, um campo cheio de ovelhinhas. A “rua” e a “fazenda” de que fala a música, na Holanda, estão lado a lado. E isso é encantador.
Meu destino quase final já está chegando: Leiden Centraal Station. Hora de comprar a passagem para Utrecht e descobrir novos caminhos. E, claro, descobrir como se fala holandês!
Um abraço e boa semana.
P.S.: Temos um convidado em nossa “casinha de sapê”: um filhote de coelho. A questão, agora, é o que fazer com ele, porque tínhamos planejado ter verduras em casa. Acho que ele não vai se opor, e vocês?
Comente aqui: