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COLUNAS
Adriana Mattos - é carioca e faz doutorado na área de ciências médicas e farmacêuticas na RUG, em Groningen, onde mora há 5 anos. Casada com holandês e mãe de 3 filhos, passou a se interessar por estudos de bilinguismo para poder entender e acompanhar o desenvolvimento da linguagem de seus dois filhos menores, nascidos na Holanda. Os meninos, atualmente com 4 e 2 anos, são criados com 3 idiomas simultaneamente (português, holandês e inglês) e estão se tornado trilíngues sem grande dificuldade, para o deleite da mamãe e do papai.
 
Criando Filhos Bilíngues – Parte 5
 
Data: 10/02/2010
 

Voltando à ativa com o livro da Dra. Pearson, vamos tentar fazer uma análise resumida dos "problemas" enfrentados no desenvolvimento do bilinguismo infantil associados a outras pessoas e não às crianças.

Já notaram que muitas pessoas adoram dar opiniões não solicitadas sobre tudo o que se refere aos NOSSOS filhos? Com o bilinguismo não poderia ser diferente, certo? Até nós mesmos temos dúvidas, estimuladas ou não por esses palpites inconvenientes, não é mesmo? Vale lembrar que pediatras, professores, vizinhos, parentes e amigos NÃO SÃO ESPECIALISTAS EM BILINGUISMO!

Uma das dúvidas e medos mais frequentes é no que se refere ao "atraso" na linguagem, especialmente no idioma majoritário, porque tem sempre algum espírito-de-porco querendo melar nossa educação...rs rs rs. Mais pra frente vou escrever um texto sobre como lidar com esses CHATOS, mas por enquanto é melhor ver o que se sabe sobre o assunto para que nós mesmos tenhamos segurança com relação a isso.

Existem estudos falando sobre as desvatagens do bilinguismo sobre o monolinguismo? Sim, mas todos ultrapassados e com abordagens e metodologias falhas.

Comparar o número de palavras que um monolíngue e um bilíngue sabem já é um problema, pois isso não reflete o real conhecimento de todo o processo linguístico. E é isso, pura e simplesmente, o que a maioria dos testes faz.

É sabido que entre os 10 e 30 meses de idade, não existe difenrença significativa entre o número de palavras que uma criança monolíngue e outra bilíngue conseguem entender/falar (importante lembrar que existe é uma diferença individual normal entre todas as crianças e que pode variar MUITO). Em um estudo da década de 90, observou-se que crianças bilíngues, onde um dos idiomas era o japonês, tinham o vocabulário menor que os outros bilíngues e isso se deve ao fato de as palavras em japonês serem maiores e não a nada ligado à criança (palavras maiores=mais coisa pra aprender).

Além do fato mencionado acima, outros problemas existem quando tentamos comparar o desenvolvimento de linguagem entre mono e bilíngues, pois o mesmo resultado pode ter diferentes significados. Uma palavra faz parte de um par que consiste de um som e de um significado. Mas o que contamos nos testes? Os sons? Os significados? Os pares? Quando uma criança associa o som "D-O-G" com um animal peludo e que late, ela está associando o som ao significado, ao objeto, e criando um par som-significado. Já para uma criança que associa os sons "D-O-G" e "C-Ã-O" ao mesmo animal, existem 2 sons mas apenas um significado. Será que os pares "dog"-animal que late e "cat"-animal que mia podem ser medidos da mesma maneira que "dog" e "cão"-animal que late e "cat"e "gato"-animal que mia? Logo, podemos concluir que, no mínimo, aprender que cada coisa pode ter 2 ou mais nomes, demanda mais tempo que aprender um nome por objeto.

Complicado, né? Pros pequenos não é não. O difícil é nós entendermos um processo pelo qual não passamos!

Para tentar entender melhor essa "confusão", foi criado um teste onde se mede o número de palavras que a criança sabe em cada idioma separadamente e um "vocabulário conceitual total", para que se saiba quantos objetos a criança consegue nomear, independente do idioma utilizado. Bem, quando se fez essas correções, o resultado foi que se soube que o vocabulário expressivo em cada idioma nos bilíngues é menor que nos monolíngues, ou seja, existe um ligeiro "atraso" no desenvolvimento da fala das crianças monolíngues (vários autores dizem ser normal um "atraso"de 6 meses a 2 anos com relação aos monolíngues, mas essa diferença tente a ser menor quanto maior a idade da criança). Já no vocabulário conceitual total, ou seja, o total de objetos que a criança pode reconhecer e nomear independente de em qual idioma, é MUITO maior nos bilíngues! De bobos eles não têm nada!

Outra coisa importante é saber que a maioria das crianças bilíngues vai apresentar um dos idiomas de forma dominate e, quando se fazem testes comparando monolíngues e bilíngues em seu idioma mais forte, ainda existem diferenças, mesmo que poucas, em relação à gramática e ao uso de palavras, mas os bilíngues se sobressaem em outros detalhes, como descrição mais clara de sentimentos de personagens de um livro, assim como uma noção mais acurada de tempo-espaço envolvendo eventos e fatos.

E quanto à alfabetização? Estudos indicam que quando uma criança é alfabetizada em mais de um idioma, o idioma majoritário também é favorecido, ou seja, não procede o fato de algumas pessoas acharem que a alfabetização em mais de um idioma seja prejudicial e confunda a criança. Outro motivo de preconceito é sobre quando a alfabetização no idioma minoritário deva começar; a maioria das pessoas ligadas ao assunto acham que isso deve acontecer cerca de um ano depois da alfabetização na língua majoritária, mas isso é só "achismo" mesmo, sem nenhum embasamento científico. O que é fato é qua quando as crianças são alfabetizadas simultaneamente nos idiomas que já dominam na fala, ganham a vantagem de poderem ler no idioma minoritário e assim aumentar seu vocabulário e isso não atrasa o aprendizado do idioma majoritário. Muito pelo contrário: o ajuda!

Outro argumento contra o bilinguismo que escuto frequentemente diz respeito à "dupla-personalidade"ou "confusão cultural"que pode ser experimentada por meus filhos. Não existem estudos sobre o assunto, mas a maioria das pessoas criadas em bilinguismo são gratas pela oportunidade e relatam não ter problema algum de identidade cultural. As pessoas que não apreciaram o meio bilíngue em que cresceram, ligam à infância a experiências ruins, com pessoas que discriminavam o falar em um "idioma inferior" e/ou com pais rudes, agressivos ou ausentes e falantes do idioma minoritário.

De acordo com alguns historiadores, o "mito da superioridade monoglota" é muito recente e resultado de um patriotismo romantizado dos séculos 18 e 19, quando políticos e filósofos começaram a exaltar a superioridade de suas próprias pátrias e línguas. Atualmente o discurso a respeito da superioridade monolíngue é uma forma de desmerecer culturas "menos importantes".

Vou tentar resumir os 12 mitos e equívocos mais comuns a respeito de crianças bilíngues:

  1. Crianças bilíngues começam a falar mais tarde - Sem evidência científica que comprove isso. Mono e bilíngues seguem o mesmo padrão de desenvolvimento normal (padrão esse que apresenta grande varianção);
  2. Bilíngues são mais atrasados na escola - Na verdade os bilíngues tendem a ser mais adiantados na escola e estão "prontos" para alfabetização mais cedo que os monolíngues;
  3. Crianças pequenas absorvem tudo como se fossem uma esponja - Crianças aprendem idiomas mais facilmente que adultos, mas não podemos ignorar o grande esforço que demanda dos pais para ajudarem uma criança a ser efetivamente bilíngue;
  4. Bilíngues são como dois monolíngues em uma só pessoa - Bilíngues desenvolvem capacidades especiais que os monolíngues não têm, mas quase sempre vai existir um idioma dominante e os bilíngues escolhem em quais das línguas vão "operar"em cada momento;
  5. A criança deve ter talento para idiomas para ser bilíngue - Aprender idiomas na infância não requer habilidades especiais, é algo que faz parte do desenvolvimento humano, como andar ou enxergar com dois olhos;
  6. Se um bilíngue tem nota menor em um teste-padrão para monolíngues, isso significa que ele realmente seja menos capaz - A maioria dos testes não é apropriada para bilíngues e os resultados não devem ser levados em consideração;
  7. Imigrantes resistem a aprender o idioma local - Normalmente o que ocorre é que o país não possui sistema de ensino adequado aos imigrantes;
  8. Algumas línguas são mais primitivas que outras e o motivo pelo qual muitas pessoas falam inglês, por exemplo, é que a gramática é mais simples - Não existem idiomas mais "primitivos"que outros. Todas as línguas possuem complexidade mas são possíveis de serem aprendidas;
  9. Falar um segundo idioma já é uma recompensa do trabalho que dá - Isso pode ser verdade, mas não podemos esperar que uma criança concorde conosco. Cabe a nós, enquanto pais, proporcionar a "recompensa";
  10. Pais que não falam bem um idioma vão passar seus erros e sotaques a seus filhos - É verdade somente se a criança tiver apenas essa pessoa como fonte do idioma. Isso não ocorre quando há outros meios de ouvir a referida língua corretamente e sem sotaques;
  11. Caso uma criança apresente um problema de linguagem, abandonando um dos idiomas vai ajudar a resolver o problema - NUNCA. Crianças que têm problemas com dois idiomas também o terão com apenas um;
  12. Existe apenas um modo correto de criar um filho em bilinguismo - Os pais é que são os experts nesse campo. A única maneira errada de criar um filho bilíngue é não fazê-lo. Caso você ainda não tenha começado, já não é sem tempo, né?
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