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COLUNAS
Adriana Mattos - é carioca e faz doutorado na área de ciências médicas e farmacêuticas na RUG, em Groningen, onde mora há 5 anos. Casada com holandês e mãe de 3 filhos, passou a se interessar por estudos de bilinguismo para poder entender e acompanhar o desenvolvimento da linguagem de seus dois filhos menores, nascidos na Holanda. Os meninos, atualmente com 4 e 2 anos, são criados com 3 idiomas simultaneamente (português, holandês e inglês) e estão se tornado trilíngues sem grande dificuldade, para o deleite da mamãe e do papai.
 
Criando filhos bilingues - Parte 4
 
Data: 05/01/2010
 

Já era tempo de eu vir aqui continuar os comentários sobre "Raising a bilingual child" de B.Z.Pearson, mas espero que eu seja perdoada pelo atraso. Após as férias no Brasil, voltamos direto à rotina holandesa de trabalho-escola-creche e logo depois vieram as festividades de fim de ano. Falando nisso: feliz 2010 para todos nós!

Relembrando o texto anterior, uma atitude positiva em relação ao bilinguismo e exposição e motivação suficientes ao idioma são fatores-chave no desenvolvimento de um pequeno bilíngue (ou trilíngue). Estudos revelam que cerca de 20-25% de crianças criadas em ambientes bilíngues não se tornam bilíngues ativos e isso está relacionado a esses fatores ambientais e não às características das crianças, ou seja, não importa que tipo de personalidade a criança tenha (se é extrovertida ou introvertida, por exemplo), se é de desenvolvimento brilhante ou lento na escola, se é boa em jogos de linguagem ou não etc. A autora não conhece NENHUM caso onde uma criança saudável seja incapaz de aprender um ou mais idiomas como primeira liguagem, caso esses idiomas sejam indispensáveis e bem estimulados. As características individuais se tornam fatores importantes no aprendizado de outro idioma à medida que a idade é maior, mas daí não consideramos bilinguismo infantil (adquirido primeira infância, digo).

Estudos também indicam que, mesmo que a criança não fale o idioma majoritário até a idade escolar (por volta dos 4-5 anos), isso não prejudica o aprendizado da língua local e nem o desempenho escolar.

E como podemos proporcionar motivação e oportunidade para que o bilinguismo se desenvolva em nossos filhos?

Existem várias estratégias para que a criança assimile a linguagem minoritária e não podemos afirmar que uma seja melhor ou pior que a outra; isso depende do que a família deseja alcançar; depende se a família espera que a criança seja perfeitamente fluente, suficientemente fluente ou que tenha entendimentos básicos do idioma em questão. Analisando os 4 métodos mais comuns de se lidar com o bilinguismo, podemos também apontar os pontos fracos e fortes de cada método, assim como dar dicas de como fortalecer esses pontos fracos. Consistência no uso de cada um dos métodos é requisito essencial, mas rigidez NÃO. Vamos lá:

1.Cada pai-Um idioma (OPOL, One parent-One language)- Normalmente um dos pais usa apenas o idioma minoritário com a criança, enquanto o outro pai usa apenas a língua comunitária. Pode ainda acontecer de cada um dos pais usar um idioma minoritário (diferente da língua da comunidade) e a criança vai passar a falar 2 idiomas em casa e mais um na sociedade. Uma consequência dessa estratégia é que vai existir um diálogo familiar "não-convergente", ou seja, uma conversa onde o indivíduo pode responder em um idioma diferente do idioma que foi feita a pergunta. Nessa família, os membros "funcionam em modo bilíngue" para escutar, mas falam em "modo monolíngue". Obviamente seria mais vantajoso se todos os envolvidos dominassem, ou pelo menos entendessem, todos os idiomas em questão.

O engraçado é que eu já ouvi, diversas vezes, que o fato de eu não dominar o holandês é um fator importante para que meus filhos falem português, mas na verdade é o contrário! Ainda bem que eu entendo a maior parte da língua da Terra dos tamancos e a conversa familiar transcorre normalmente. Meus filhos sabem que eu entendo relativamente bem o holandês, mas também sabem que deles eu "só entendo" se for falado em português. Foi uma regra estabelecida e mantida desde o nascimento, sou muito consistente nisso e acho que essa é verdadeira chave do sucesso. Aqui em casa funciona assim: eu falo apenas português com meus filhos e eles respondem apenas em português; o pai fala apenas holandês com eles e recebe como resposta apenas holandês; eu e meu marido falamos em inglês, mas nenhum dos filhos responde nesse idioma, embora entendam (Victor entende e fala inglês muito bem, mas só usa na escola). Isso até me lembra certa vez no carro, passando por uma região de fazendas aqui no norte da Holanda:

- Kijk! Een paard!

- É mesmo! E olha lá! Tem vacas também!!!

- Mamãe, quando eu falar "landeis" é porque tô falando com papai, tá bom? Se eu falar pra você, vou falar português.

Eu poderia ter dormido sem essa, né?

De fato, OPOL é a estratégia que mais propicia a criança a trocar de um idioma pra outro rapidamente e sem problema algum.

2. Idioma minoritário em casa (mL@H, Minority Language at Home)- Acontece quando ambos os pais falam a linguagem minoritária em casa (os dois não necessariamente sendo nativos desse idioma minoritário, mas tendo fluência avançada). Não existe nenhum estudo comparando mL@H com OPOL, mas teoricamente o tempo de exposição à língua minoritária é maior. Como desvatagem, a criança terá menor facilidade e flexibilidade para trocar de um idioma para outro, como no caso do OPOL.

3. Hora e Lugar (T&P, Time and Place)- Muitas escolas bilíngues se organizam dessa maneira; podem ter aulas em um idioma na parte da manhã e de outro idioma na parte da tarde; pode ainda ter aulas de algumas disciplinas em um idioma e de outras disciplinas em outro idioma (com salas separadas por idioma).

4. Política de Mistura de Linguagem (MLP, Mixed Language Policy)- Acontece em algumas áreas geográficas (por exemplo Miami e Singapura) e não existem regras para essa estratégia. A pessoa pode mudar de idioma se mudar o tópico da conversa, pode existir uma palavra que "desencadeie" o outro idioma, pode falar sobre escola no idioma da escola e sobre um casamento no idioma da família e por aí vai. Esse método não é recomendado para famílias que estão fazendo uma decisão racional sobre o bilinguismo. Isso se baseia no fato de não se poder controlar o tempo e o esforço feito em cada idioma e, logo, não poder consertar possíveis falhas ao longo do processo.

Apesar de todos os esforços, muitas famílias se confrontam com um fato indesejável mais cedo ou mais tarde: a criança se recusa a falar no idioma minoritário. A criança pode passar a responder apenas em idioma majoritário, pode ter ataques de choro ou simplesmente ignorar a conversa quando se fala em idioma minoritário. Nesse caso, os pais devem avaliar suas atitudes. Será que eu estou sendo consistente e usando apenas a língua minoritária com meu filho? Será que estou passando tempo suficiente com meu filho e conversando com ele por tempo suficiente? Será que o irmão maior está trazendo influência do idioma majoritário ou deixa a TV ligada tempo demais? O que posso fazr para mudar isso? Uma viagem ao país de idioma minoritário, uma visita de um parente monolíngue? Passar mais tempo com meu filho?

Bem, vou tentar resumir algumas dicas para fortalecer o idioma minoritário da criança. Isso serve para todos e não somente para os que estão pendendo pro lado do idioma majoritário:

1. Seja consistente- Escolha um método e fique nele. Mudanças devem ser cautelosamente implementadas;

2. Seja gentilmente insistente- Nunca perca a oportunidade de lembrar a seus filhos o quanto é bom aprender mais de um idioma e o quanto você se orgulha dele falar a sua língua;

3. Faça com que a língua minoritária seja especialmente recompensadora- Faça o aprendizado ser legal. Use jogos, musiquinhas, dê livros novos, comidinhas gostosas etc;

4. Muito cuidado com punições associadas ao idioma- Jamais use ameaças do tipo "você so irá ao passeio da escola se falar em português comigo";

5. Use várias mídias- Use e abuse de livros, CDs, vídeos etc na língua minoritária. Para você mesma, faça uso websites sobre bilinguismo, leia livros e textos como esse aqui;

6. Interação direta é a chave- Use mídias, mas apenas como backup. Priorize interações na vida real;

7. Não ache graça dos erros de seu filho- Nunca ridicularize os erros de linguegem de seu filho, por mais "bonitinho"que seja;

8. Não peça à criança para se exibir para outras pessoas- Para que isso? Pessoas bilígues acham que essa é a pior parte do processo e além do mais é ridículo falar um idioma que os outros não vão entender...rs rs rs;

9. Não corrija os erros de maneira muito evidente- Mas corrija! Ao invés de falar "não é tauba e sim TÁBUA", fale " ah, você quer subir naquela TÁBUA? Então suba na TÁBUA com cuidado! Não vá cair da TÁBUA, heim?";

10. Tire vantagens da educação bilíngue- Procure alfabetização e apoio escolar nos dois idiomas;

11. Use recursos secundários- Férias, acampamentos, grupos de arte ou esporte no idioma minoritário são excelentes idéias, mas não deve-se contar apenas com isso;

12. Dê ao idioma minoritário uma importância e uso além do ambiente do núcleo familiar- Estimilar contatos com parentes e amigos mono ou bilíngues do idioma minoritário; contrate babás falante do idioma minoritário; encoraje seu filho a falar no idioma minoritário com outros amigos bilíngues e irmãos (estabeleça jogos e musiquinhas na língua minoritária na brincadeira).

Ufa! Não parece fácil...então mãos à obra, minha gente!

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