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COLUNAS
Clívia Caracciolo - Clívia Caraccíolo é jornalista e advogada, nascida em Belém do Pará e cidadã do mundo. Antes de se estabelecer na Holanda, morou em Londres. Especialista em desenvolvimento sustentável, energias renováveis e mudanças climáticas, temas que atualmente está prestando consultoria, mas é apaixonada mesmo por jornalismo multimídia. Viciada em noticiários.
 
Comigo vai tudo bem!
 
Data: 09/05/2008
 

O cantor fez uma única apresentação no Melkweg, em Amsterdã, no último dia 8 de maio, mas não deu entrevistas, apenas mandou o recado: “comigo vai tudo bem!”

 

Não é de se estranhar que ele não tenha falado à imprensa (dizem que Elis Regina morreu sem saber a opinião dele sobre a gravação dela da Canção do Sal). Milton fala pouco e até prefere que seus interlocutores falem por ele. Dessa vez quem passou as informações para atualizar os fãs de Milton na Holanda foi Vitor Haim, tour manager, que o acompanha em todas as suas turnês fora do Brasil.

De acordo com Haim, Milton está na Europa fazendo uma turnê dupla: lançando os CDs Novas Bossas e outro gravado com os irmãos Belmondo, ano passado. Milton em parceria com o Jobim Trio (Paulo e Daniel, filho e neto de Tom Jobim) e mais o baterista Paulo Braga e o baixista Rodrigo Villa gravaram o CD em homenagem aos 50 anos da Bossa Nova e à obra imortal de Tom Jobim. Eles fizeram apresentações no final de abril, na Espanha, começando por La Corunha, depois Sevilha, Barcelona (Festival de Guitarras i Altres Acords) e Girona.

Já o lançamento do CD com os incríveis músicos franceses, Stephane(trompetista) e Lionel (saxofonista) Belmondo foi justamente o show apresentado no Melkweg e é uma carinhosa homenagem a Milton, em que os irmãos quiseram gravar somente as músicas do compositor. Segundo Vitor Haim, “este tipo de homenagem deixa o Milton muito, muito feliz”. Da Holanda, eles estão levando esse show para Milão depois vão para Paris, onde se apresentam no prestigioso Festival de Jazz de Saint-Germain-de-Prés, na segunda-feira, dia 12. Este festival vai até o dia 23 de maio.

Antes de retornar à Europa em julho, Milton estará percorrendo o Brasil com o Jobim Trio e desenvolvendo um trabalho inédito com jovens talentos de Três Pontas, em Minas Gerais. Vitor Haim conta que através de uma reportagem da revista Billboard, na verdade um mapeamento de músicos no mundo, Milton descobriu que “Três Pontas estava cheia de uma galera de músicos jovens, todos de 20 e poucos anos. Ele quase não acreditou que a revista havia feito esta descoberta e foi até lá. O resultado é que Milton montou um superestúdio em casa e eles varam a noite fazendo música. Agora ele vai lançar todos eles através do seu selo Nascimento”.

O Show no Melkweg começou morno, com os músicos franceses deliciando o público com uma Jam Jazz na medida e após alguns minutos Milton entrou no palco para o delírio dos seus fãs. Aos poucos ele foi se afinando e encontrou seu ponto com o público. O teatro foi tomado por uma energia diferente em que a voz única de Milton ia direto a cada coração. Elis Regina já dizia que “se Deus cantasse seria com a voz de Milton.” De acordo com Vitor Haim, Milton estava feliz em cantar para uma platéia pequena, em um teatro com espaço limitado, bem diferente dos festivais com milhares de pessoas assistindo. Ainda segundo ele, já houve ocasiões em que Milton cantou com sua banda para 15 pessoas, na Espanha e outra vez para 7 pessoas, em Portugal, “só tinha agente ali e ele foi tocando enquanto tinha público, e com o mesmo carinho e emoção que cantaria para um público de 60 mil pessoas, como o que vai acontecer em julho próximo, na Suíça.”

Vale registrar as homenagens espontâneas do público que foi até Amsterdã levar o seu carinho a Milton Nascimento, como a do artista e cozinheiro Julio Krya. Ele e a mulher, Rose, fritaram a melhor mandioquinha do Brasil e foram levar para os músicos de Milton. Ficaram esperando para entregar pessoalmente a eles, sem saber que os músicos não eram brasileiros e talvez nem conheçam mandioquinha. Milton saiu por uma porta lateral do teatro e se desviou dos que queriam ao menos tocar em sua mão, entregar cartões e outros presentinhos.

É possível que Milton não tenha tido conhecimento dessas manifestações simples de carinho, mas com certeza, como ele que “tem uma certa altivez, uma coisa de alma que sabe que é grande”(Gilberto Gil), vai um dia desses voltar à Holanda e encomendar ao Julio uma porção de mandioquinha frita para compensar esta pequena homenagem que Julio quis lhe prestar, mas que ficou só na intenção, a melhor do mundo... 

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