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COLUNAS
Vanessa van Doornik - A paulistana Vanessa van Doornik, 32 anos, é jornalista e professora de inglês. No Brasil, atuou na área de assessoria de imprensa, radialismo e ensino de idiomas. Reside na província de Zeeland desde de Dezembro de 2009 e atualmente trabalha na área financeira, embora sua paixão seja o jornalismo, “uma doença incurável”, segundo ela.
 
Folhetim da vida real
 
Data: 07/04/2010
 

Entre dois mundos: o desafio de compartilhar a vida com alguém de uma cultura diferente em uma terra distante. 


Imagine que você sempre sonhou encontrar o homem ou a mulher da sua vida. Quando finalmente isso acontece, um pequeno detalhe transforma essa descoberta em algo inusitado. A pessoa dos seus sonhos nasceu a milhares de quilômetros de distância de você, fala uma língua completamente diferente e tem costumes peculiares difíceis de compreender. No entanto, por mais improvável que pareça, você e esse estrangeiro têm muitas coisas em comum. Os dois têm as mesmas manias, ideais semelhantes, gostam do mesmo tipo de música, filmes ou esportes. Foi paixão instantânea. Vocês não conseguiram mais se separar desde o primeiro encontro. Dizem que para o amor não existem fronteiras territoriais nem culturais. Portanto, que mal tem encher as malas com um monte de roupas de frio e sair para explorar o mundo com o seu par ideal? É assim com a maioria dos casais de nacionalidade diferente. Uma aventura. Automaticamente, o lugar mais frequentado passa a ser o aeroporto internacional, palco dos alegres encontros e das tristes despedidas. E o que seria dos casais interculturais sem os últimos avanços do mundo digital? Vale tudo na hora de matar a saudade: correio eletrônico, MSN, Orkut, Skype e a webcam.

O “conto de fadas” atinge o clímax quando o casal se dá conta de que, mais cedo ou mais tarde, terá que escolher entre dois mundos. Um deles vai abrir mão de tudo o que conhece e embarcar numa complexa jornada. Nesta série especial, brasileiras casadas com holandeses, que aceitaram o desafio de viver “longe de casa”, falam sobre as suas experiências do dia-a-dia, as dificuldades, o choque cultural, a depressão e até situações engraçadas que elas protagonizaram ao entrar em contato com costumes tão diferentes numa terra distante. 

Os casais interculturais geralmente optam por viver no país que pode lhes oferecer melhores condições de vida. Se um dos parceiros já tem uma certa estabilidade financeira no seu país de origem, essa decisão é óbvia.. “O centro da vida do meu marido está aqui, onde ele tem o trabalho dele e tudo mais. Por isso, optamos por viver na Holanda, apesar da enorme saudade que sinto da minha família no Brasil”, afirma a brasileira C.T que nasceu em São Luis do Maranhão e há dois anos vive aqui na terra das tulipas. 

A maranhense de 27 anos conheceu o marido holandês através de um site de relacionamento social na Internet. Eles começaram a se comunicar e trocar emails. No começo a língua era um obstáculo porque o marido de C. não falava bem o português e nem ela o holandês. Para viabilizar uma comunicação, o dois contaram com a boa vontade dos amigos. “Ele tinha um amigo brasileiro que traduzia os nossos emails. Depois, resolvemos nos conhecer pessoalmente e ele foi ao Brasil. Marcamos o dia e ele veio na minha casa me buscar, com o amigo e a esposa do amigo. Daí, fomos passear na praia e o amigo dele foi junto para ajudar na tradução”, conta a brasileira.

A questão da língua não foi um grande problema para o casal intercultural, a não ser pela cômica estória do primeiro encontro no Brasil. Segundo C, o marido aprendeu a falar português muito rápido durante o namoro. Ela também assimilou a língua holandesa sem muitas dificuldades, porém reconhece que a tarefa não é fácil e requer esforço. “Agora eu falo holandês, mas foi difícil aprender sim. Estou estudando e termino ano que vem, aí vou me naturalizar holandesa”, explica a maranhense, referindo-se ao Inburgeringscursus, curso de integração civil obrigatório do governo holandês para o imigrante que, por exemplo, deseja constituir família com parceiro(a) natural dos Países Baixos. 

Mas nem tudo são “flores” no cotidiano de imigrantes na Holanda ou em qualquer outro país estrangeiro. Os brasileiros - famosos mundialmente pela alegria, calor humano e receptividade – levam um choque cultural ao entrar em contato com o jeito reservado dos holandeses. “O brasileiro é mais caloroso, os holandeses são muito reservados, cheios de formalidades. Eles são muito ocupados o que dificulta o contato direto”, relata C. A maranhense conta ainda que nas reuniões sociais precisa controlar o seu “jeito brasileiro” para não cometer gafes. “O meu marido sempre me orienta a não ficar abrançando e tocando nas pessoas. Quando cumprimento alguém, é só um aperto de mão e beijo no rosto”, diz.

A relacão de casais interculturais pode ser muito complexa e desafiadora, mas acima de tudo é um intercâmbio emocional onde as duas partes exercitam diariamente a tolerância, em nome do amor. Essa troca gera transformação e aprendizado. C.T e seu marido vivenciaram essa mudança: “Aprendi a ser ainda mais educada e paciente e o meu nível cultural melhorou porque viajamos muito. Ele “aprendeu a ser brasileiro”, ficou mais descontraído e alegre”, confessa.

A pernambucana M. N., 28 anos, é professora de história e assistente social. Chegou nos Países Baixos há pouco tempo e reside em Utrecht. Recentemente, ela protagonizou uma cena divertida: “Tentei subir no ônibus e o motorista falou que não podia. Desci desesperada com medo de que o ônibus fosse embora e joguei a comida fora (batatas fritas). Todo mundo ficou olhando para mim....”, conta. Quando M. voltou para casa, o marido –que é holandês- perguntou: “Por que você não desceu do ônibus e comeu sua batata com calma?”. Muitos recém-chegados não sabem que é proibido comer dentro dos ônibus na Holanda. Essas situações são comuns na vida de quem está se adaptando ao uma nova cultura.

Segundo a brasileira M., “quem diz que é fácil se acostumar está mentindo”. Ela afirma que é difícil ficar longe de casa, longe dos pais, dos amigos e da vida que costumava ter. No entanto, o destino é imprevisível. “Se pudesse escolher estaria no Brasil com ele. Mas acredito no amor. Sempre acreditei que encontraria alguém que combinasse comigo. Só não imaginei que essa pessoa estaria aqui. Se está aqui , então é aqui que vou ficar”, finaliza.
 

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