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COLUNAS
Andre L. - Andre L. é natural de Ribeirão Preto, graduado em Administração de Empresas/Finanças pela USP, analista financeiro e research scholar atualmente vivendo em Tilburg
 
Terminou um ciclo de imigração brasileira na Europa por colonização reversa
 
Data: 26/07/2010
 

O Brasil é um caso sui generis em muitas situações e análises econômicas e políticas. Frequentemente, é aquele país em que, ao se montar um “quadro-resumo” de assuntos latino-americanos, merece um * ou uma “Nota” par explicar suas peculiaridades – seja pelo fato de ter convivido com inflação alta, muito alta, sem cair em espiral hiperinflacionária, seja pelo fato de ter tido uma experiência de regime militar não personalista relativamente branda no contexto continental e mundial etc. 

Parecer análogo pode ser dito dos fenômenos migratórios brasileiros. O perfil, o fluxo e a natureza da emigração brasileira para países ditos desenvolvidos não obedece aos típicos padrões observados no restante da América Latina, muito menos na África ou Ásia. Durante muito tempo, uma combinação de instabilidade monetária, falta de perspectivas econômicas para a classe média e juros elevados (acompanhado de todo seu impacto nos preços de ativos como empresas, imóveis e outros investimentos) produziu um imigrante diferente do “mexicano médio” que imigrava para os EUA. 

Mais educado, mais adaptável e com habilidades sociais vantajosas, o imigrante brasileiro mais comum durante cerca de 30 anos consistia na pessoa que deixava uma posição social e cultural relativamente favorecidas no Brasil para atuar em subempregos na Europa e EUA, acumulando o máximo de recursos possíveis enquanto estava “fazendo” a “América” ou a Europa. É um processo de colonização reversa, por assim dizer: focado no médio prazo, em extrair o máximo de benefícios possíveis através do trabalho excessivo e do consumo reprimido. 

Felizmente para o Brasil, a proporção de imigrantes em relação à população e, principalmente, o impacto econômico das remessas de recursos do Exterior dos mesmos nunca atingiram níveis observados na Colômbia ou México por exemplo. Países de médio e grande porte que passam a ficar dependentes de forma excessiva de remessas do Exterior sofrem efeitos deletérios de longo prazo em suas economias, perdem a capacidade de se organizarem, veem sua competitividade reduzida, e se ficam dependentes de um fluxo contínuo de imigração que nem sempre é feito na legalidade. 

Ainda assim, um contingente grande de brasileiros “fez a vida” trabalhando por anos no Exterior, acumulando reservas monetárias em “moedas fortes” e retornando com um bom padrão de vida, ou no mínimo com bens comprados como imóveis rurais e urbanos, ou negócios abertos. Sempre tive sérias reservas a esse modelo, as primeira de ordem econômica (não muito relevantes, dado que a diáspora brasileira nunca atingiu mais de 1,7% da população), e outras de ordem cultural e social (imigrante que se muda já pensando em trabalhar, baixar o padrão de vida no Exterior e apenas acumular recursos para voltar não representa uma situação ideal nem para o imigrante, e menos ainda para o país de destino no longo prazo). 

Como minha visão sobre o tema jamais alterou a decisão de qualquer pessoa em imigrar ou não, considero mais proveitoso apontar que, de certa forma, a festa do brasileiro-que-enriqueceu-lavando-pratos acabou. Mais importante ainda, dificilmente a festa voltará no curto ou no médio prazo. Quem mora no Exterior e vive em função de uma fixação em acumular moeda estrangeira e voltar para o país adota comportamentos e opiniões interessantes. Por exemplo, em várias comunidades de imigrantes nas redes sociais percebo que muitos brasileiros morando no Exterior avaliam a economia brasileira sob uma ótica única: câmbio bom é câmbio alto (para a moeda estrangeira), e mercado bom é aquele que possibilita a quem trabalha no Exterior adquirir muito mais bens do que alguém que trabalhe em função semelhante no Brasil. 

O câmbio brasileiro encontra-se em rota de valorização intensa desde 2004, a despeito de um interregno de valorização em 2008-9 por conta da crise financeira internacional. Os motivos para a valorização cambial são diversos, mas incluem, de forma simplificada, saldos na balança comercial (devido a altos preços de soja, açúcar, minério de ferro e outros produtos da pauta de exportação brasileira) e um afluxo gigantesco de capitais para o Brasil. Quando um investidor internacional quer investir no Brasil, ele precisa trocar sua moeda de origem (seja Euro, Dólar, Yen, Yuan etc.) por reais, e quando muitos investidores estrangeiros querem investir no Brasil ao mesmo tempo, a oferta de moeda “forte” para venda no Brasil é alta, e o preço (cotação) dessas moedas cai. 

Isto nos traz ao segundo ponto: juros. No Brasil, alguém pode investir no mais seguro dos títulos financeiros, quais sejam aqueles da dívida pública brasileira, e ganhar, sem fazer nada, 11,25% ao ano. Descontada a inflação, isso representa um rendimento real superior a 6%, simplesmente a maior taxa real do mundo em países com mercados financeiros relevantes (para efeitos de comparação, investimento semelhante nos EUA ou Europa nem mesmo anda alcançando a inflação...). Taxas atrativas e uma economia mais sólida atraem muitos investidores estrangeiros (que, como comentei no parágrafo anterior, precisam converter dólares em reais, ajudando a derrubar a cotação dessas moedas internacionais). 

Por outro lado, embora exorbitantes os juros brasileiros estão hoje em patamar muito menor do que permaneceram, historicamente, nos últimos 20 anos. Entra em ação um fenômeno bem conhecido de quem está acostumado com comércio no Brasil: o preço de bens mais caros (quase sempre comprados a prazo) depende muito menos do preço total do que da capacidade da pessoa em pagar as prestações, seja de uma casa, de um carro, de uma TV LCD ou de uma batedeira. Juntamente com uma expansão do crédito, a queda nos juros imobiliários, principalmente, está fomentando uma onda de aumento de preços generalizados nos imóveis, nem sempre sustentável.  Seja como for, é um tanto inconcebível no médio prazo o cenário em que retomemos juros de 20, 30% ao ano e, assim, imóveis de classe média com 3 dormitórios e 80m² custando R$ 90 mil em cidades grandes são, definitivamente, coisa do passado. 

 Pode-se ver que esses fatores (juros, crédito, inflação, crise financeira, exportações) estão todos interligados. Na maioria deles, o Brasil está caminhando para uma condição de “país normal”, superando de vez aberrações como juros reais tão altos que drenavam qualquer incentivo ao investimento produtivo. De qualquer forma, a mesma maioria desses fatores conspira contra a atratividade econômica da imigração de colonização reversa para brasileiros. Claro, haverá muitos brasileiros vindo para Europa por uma série de motivos (familiar, estudos, ascensão na carreira), mas, em um sinal positivo dos tempos, a época em que engenheiros tinham melhor possibilidade econômica subempregado na Holanda, Reino Unido, Espanha ou mesmo nos EUA do que trabalhando na sua área no Brasil ficou para trás.

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Comentários



Eliz - 28/07/2010
Sua coouna está muito boa mas seus textos são longos Eliz

Maria Clara - 27/07/2010
que bom ! :-)

Vivian - 27/07/2010
Excelente visão
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