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COLUNAS
Adriana Mattos - é carioca e faz doutorado na área de ciências médicas e farmacêuticas na RUG, em Groningen, onde mora há 5 anos. Casada com holandês e mãe de 3 filhos, passou a se interessar por estudos de bilinguismo para poder entender e acompanhar o desenvolvimento da linguagem de seus dois filhos menores, nascidos na Holanda. Os meninos, atualmente com 4 e 2 anos, são criados com 3 idiomas simultaneamente (português, holandês e inglês) e estão se tornado trilíngues sem grande dificuldade, para o deleite da mamãe e do papai.
 
Nossos filhos bilíngues e o preconceito
 
Data: 03/05/2010
 

Nossa, faz bastante tempo que eu não escrevo sobre bilinguismo! Mas é que a vida anda tão corrida! Enfim, vamos lá…

Como havia combinado no texto anterior, eu gostaria de falar sobre os chatos que insistem em dar uma de linguistas e querem nos mostrar o quanto é “nocivo” o bilinguismo para nossos filhos. Bem, o que dá vontade de fazer é simplesmente se afastar da pessoa, pois afinal não é bom uma criança rodeada de gente preconceituosa, não é verdade? Confesso que já fiz isso, mas como último recurso. E confesso também que não era ninguém da família, porque daí seria muito difícil distanciar o contato. Pensando bem, também não é interessante que crianças achem que somos “radicais” e como os bilíngues vão, muitas vezes,  ter mais diplomacia que a média, é melhor começar desde cedo dando o exemplo.

Primeiro é tentar entender os motivos que levam uma pessoa a opinar sobre um assunto sem ter conhecimento de causa, muitas vezes nenhum. Opinar todo mundo parece gostar; dar pitaco na vida dos outros deveria ser elevado ao status de esporte nacional ou até mesmo mundial!

Em países cuja norma é o bi, tri ou multilinguismo, é normal e esperado que uma criança cresça falando mais de um idioma e esse tipo de sociedade é maioria no planeta. Historicamente, em países ocidentais monolíngues, o bilinguismo é desaprovado e relacionado com menor inteligência, problemas de fala, problemas de identidade pessoal e baixo desempenho escolar.  Desde a década de 20 até os anos 60, pesquisas sobre bilinguismo mostravam que as crianças monolíngues tinham resultado maior nos testes de Q.I. e eram, portanto, consideradas mais inteligentes que as bilíngues. Essas pesquisas apresentam sérios problemas de metodologia e interpretação, são um verdadeiro horror de tão ruins! As crianças bilíngues eram, por exemplo, oriundas de famílias imigrantes pobres e que moravam em áreas rurais e o grupo de monolíngue era formado por crianças que viviam em cidades e que eram da classe média, o que nos leva a concluir que a diferença no teste de Q.I. parece refletir mais a classe social do que o(s) idioma(s) falado(s). Mais recentemente, a Ciência tem resgatado o bilinguismo e, em pesquisas de Q.I., quando se anulam as diferenças sócio-econômicas, os bilíngues apresentam os mesmo resultados ou se saem ligeiramente melhores;  os bilíngues balanceados e alfabetizados em mais de um idioma, se saem ligeiramente melhor nos testes de Q.I. que os outros grupos e isso tem elevado o bilinguismo à categoria de de habilidades vantajosas e desejadas.  Pra os mais desavisados, ficou a  mensagem ultrapassada de que o monolinguismo deve ser a norma e que o bilinguismo confunde a criança e leva a um intelecto menos capaz e pouco eficiente.  “Melhor aprender bem um idioma do que dois de modo insuficiente.” Quem nunca ouviu alguma coisa do tipo, levante o dedo, por favor. Ninguém?

Desaprovação pelo bilinguismo reflete basicamente dois problemas: preconceito e medo particular de ser excluído.  O preconceito  se resolve com informação sobre as evidências das vantagens do bilinguismo, com exemplos e com paciência e o medo de ser excluído pode ser ultrapassado com diplomacia e explicações de como a comunicação pode ser facilitada. Mas isso pode variar, de acordo com pessoa e/ou situação envolvidas.

Vamos lá! O que fazer quando o “chato” é:

  1. Um dos pais – Decidir pelo bilinguismo não é mera questão de decidir que idioma a criança vai falar; muito mais que isso, é uma decisão que vai afetar não só toda a vida da criança, mas também a dos pais e outros familiares. Bilinguismo significa biculturalismo, desenvolvimento de maior tolerância e apreciação da diversidade, benefícios cognitivos, maior auto-estima e segurança, possibilidades acadêmicas otimizadas e vantagem no mercado de trabalho. Mostre que isso é sabido de fontes seguras e respeitadas. Caso isso não funcione, muito provavelmente o que está envolvido é um medo irracional muito comum. O pai (mãe) pode estar com medo de ser deixado de lado durante as “conversas secretas” na língua incompreendida. Para solucionar esse problema, só mesmo com muita conversa e paciência. O principal argumento deve ser o bem-estar e garantia de um futuro promissor para o filho como sendo mais importante que os medos e vontades pessoais de seu pai/mãe. Uma boa saída é que o pai (mãe) monolíngue se torne um bilíngue ao menos passivo do idioma minoritário (entende, mas não fala, como eu no holandês). Apresentar outras criaças que falam 2 idiomas e onde ambos os pais são envolvidos na conversa e todos se entendem bem, também funciona. Meus filhos já salvaram uns 2 ou 3 assim…rs rs rs
  2. Avós e outros parentes – Para casos de preconceito a solução é a mesma do ítem acima e vai valer para todos os outros que virão abaixo: informação. Um outro motivo comum, nesse caso, é que os avós ou outros parentes com mais idade, se preocupem com a “pureza” do idioma monolíngue deles e com o medo de se sentirem também  excluídos. Como não podemos esperar que oma e opa aprendam português, os  melhores  remédios  seriam a diplomacia e o tempo. Uma criança de cerca de 2 ou 3 anos, já é capaz de entender que com algumas pessoas se deve falar no idioma X e com outras no idioma Y. Com o tempo os avós e outros parentes vão ver que seus medos são infundados. Aqui conosco aconteceu algo bem parecido. Opa tinha todos esses medos, mas hoje em dia tem orgulho dos netos e conta para todo mundo sobre as suas proezas J
  3. Profissionais locais -  Conselhos negativos de profissionais como médicos, professores, psicólogos, fonoaudiólogos e até juízes podem ser facilmente encontrados por aí. Parece que todo mundo se acha expert em bilinguismo e quer dar pitaco onde nem foi chamado! Em 1995, um juiz do Texas ameaçou retirar a filha de uma imigrante espanhola de casa e colocá-la num abrigo, caso a mãe não passasse a falar com a filha em inglês; ele classificou o comportamento da mãe como “abusivo” e “humilhante” porque a criança, ao ser ensinada a falar espanhol, estava sendo “rebaixada à posição de empregada da casa”. E o Sr. preconceito mandou lembranças a esse juíz sabe-tudo, não? E como tudo isso começou? Com uma professora sabe-tudo que não se conformava de ter uma aluna que estava sendo privada do direito de falar inglês de modo satisfatório. Bem, já mencionei isso em textos anteriores, mas vale lembrar: profissionais, mesmo os bons, competentes e honestos, NÃO devem dar pitaco sobre bilinguismo se essa não for a sua área de conhecimento. Não ouça seus conselhos e nem acredite que todo e qualquer problema que seu filho venha a ter seja relacionado aos “malefícios”do bilinguismo. Procure profissionais da área, vá a uma universidade onde realizem estudos sobre bilinguismo (ou entre em contato por telefone ou email) e peça informações ou indicações de profissionais acostumados a lidar com crianças bilíngues.
  4. Vizinhos – Pessoas fora da nossa família ou de nosso círculo de amizade que são contra educarmos NOSSOS filhos de modo bilíngue estão, sinceramente, querendo que nos ajudar na “integração” à nova vida e país (claro que também é um ótimo motivo para disfarçar preconceito). O problema é que eles realmente acreditam que a integração cultural se dá por assimilação total e irrestrita de outra cultura que é, obviamente, melhor e, coincidentemente, a deles. Caso as estratégias acima descrita não funcionem  ou caso você esteja sem paciência, mande catar coquinho! Cuidado ao expor a criança a pessoas que tendem a passar uma idéia de superioridade de idioma, cultura ou qualquer outra coisa (isso vale tanto para o idioma majoritário  quanto para o minoritário). O melhor mesmo é dar “bom dia”e ponto. Ou se mudar ;)
  5. Escola – E quando  os problemas de preconceito e discriminação acontecem na escola? Bem, a primeira coisa a ser considerada, como uma das características mais importantes na escolha da escola, é o modo como a instituição trata os bilíngues. Muitas escolas monolíngues não dão o devido valor ao fato de uma criança ter sido educada, amada e guiada no biculturalismo; acham “bobagem” os hábitos alimentares diferentes, a religião e o estilo de vida da família. Até os nomes estrangeiros podem ser motivo de chacota. Eu optei por escola internacional, assim além de aprenderem um terceiro idioma, meus filhos estariam em um meio onde todas as outras crianças também são bi, tri ou multilígues. Pronto, problema resolvido e eu tenho a certeza, depois de 1 ano e meio na escola, que fiz a escolha certa. Meu filho está feliz na escola, se desenvolve bem (é um dos melhores da classe, para orgulho da mamãe e do papai!) e já está alfebetizado desde antes dos 5 anos (e em um idioma que ele aprendeu depois dos 4 anos de idade!). Outro dia ele me surpreendeu ao ler, sozinho, em português. Está o tempo todo tentando ler os gibis da Mônica, uma fofura! Mas voltando ao assunto sério: caso não exista escola internacional na sua região ou caso esteja acima de suas possibilidades materiais, escolha uma escola onde existam crianças igualmente bilíngues, não importa de que nacionalidade sejam. Isso também não sendo possível, tente contornar a situação (porque não dá pra mandar a professora, alunos e diretor “catarem coquinho”, né?) e informe, sutilmente, a comunidade escolar sobre o assunto; isso pode ser pela sugestão de leitura, presente de fim de ano pra professora (um livro sobre bilinguismo, que tal?) ou até mesmo sugerindo palestras sobre o assunto. E um reforço escolar na língua minoritária, com outras crianças que também falantes do nosso português, também seria uma boa idéia para se passar os sábados. Não existe isso perto de seua casa? Faça você mesma, crie, invente, estude!
  6. Amiguinhos -  “Bullying” nas escolas acontece por todo e qualquer motivo. Pode ser a cor da pele, o tipo de roupas, não ser habilidoso pra esportes e várias outras coisas, inclusive falar uma outra língua. A criança tem que saber que o problema não está nela, mas sim nos outros que o discriminam. Outros pais e professores devem tratar isso da maneira que é: como “bullying”. É errado, deve ser proibido, deve-se ensinar que isso não é um comportamento bom ou aceitável. Mas isso leva tempo, certo? Então que tal o seu filho usar da diplomacia, já que é uma vantagem que o bilinguismo/biculturalismo dá a eles desde de tenra idade? Que tal ficar amigo de uma das crianças que está no grupo oposto? Isso normalmente faz diminuir muito ou até sumir o “bullying”.
  7. Livros – E quando nos deparamos com livros sobre desenvolvimento ou psicologia infantis que dizem que o bilinguismo “confunde a criança” , que “é prejudicial na escola” e coisas do gênero? Pode ter certeza que o profissional que escreveu o material está colocando todo o seu preconceito naquelas linhas e não se atualizou sobre o assunto antes de escrever; ou o livro é velho. Para ler sobre bilinguismo, procure autores especializados ou com experiência com crianças bilíngues, como outros pais que resolveram escrever sobre suas dinâmicas familiares. Os outros livros, você pode tratar do mesmo modo que trataria um profissional não especializado no assunto: não leve a sério o comentário e JAMAIS indique esse livro para outra pessoa procurando informações sobre bilinguismo. Vá à fonte, literatura especializada, escrita por profissionais capacitados no assunto!

Os psicólogos ressaltam a importância de um processo chamado “comparação social”, onde nós nos comparamos a nossos semelhantes para ter certeza de que nossas atitudes e comportamento são razoáveis e racionais. Por isso, papai e mamães de pequenos bilíngues, procurem seus pares! É recompensante criar grupos de amizade e discussão com outros pais na mesma situação que a gente. Não importa a nacionalidade, pois os medos/receios/anseios serão os mesmos que os nossos. Eu já faço isso há muito tempo; conheço pais/mães de bilíngues na minha comunidade, trabalho, escola e, é claro, na internet. Conheço tanta gente legal e interessante hoje em dia por causa disso!

Que idioma você fala com seus filhos?


Apenas meu idioma materno.
Geralmente meu idioma materno, mas às vezes uso a língua do país onde vivemos.
Geralmente uso o idioma do país onde vivemos, mas às vezes falo meu idioma materno.
Apenas o idioma do país onde vivemos.
Uso outro idioma diferente do meu idioma materno e diferente do país de onde vivemos.
Nenhuma das opções acima, mas gosto de ler sobre o assunto
 



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Marcia - 00/00/0000
ótima!
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