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COLUNAS
Entrevistas - Neste espaço publicaremos entrevistas com brasileiros na Holanda e também com holandeses no Brasil.
 
Multiplicidade sem fronteira
 
Data: 21/08/2004
 

 

 

por Itala Holanda*

Ao abrir Liefde zonder grens (Amor sem fronteira), livro da jornalista brasileira Heloisa Dallanhol, o leitor estará fadado a deparar-se com uma personalidade multifacetada. Cheia de energia para encarar, cotidianamente, as funções de jornalista, escritora, filantropa e professora de yoga, Heloisa vem redesenhando uma trajetória pessoal e profissional, que foi lapidada com cursos de mestrado e doutorado na América e na Europa. Inúmeras reportagens e muitas viagens formam o saldo de dez anos de vida no exterior. Na Holanda, onde fixou pouso em nome de um amor, seu universo intelectual e cultural não estagnou. Enquanto você, caro leitor, pensa em plantar uma árvore e planejar um filho, Heloisa já produziu um livro. E não sem antes destrinchar o idioma holandês. O seu estilo inquietante e curioso de viver a vida, já a induziu a incursionar como videomaker e até a frequentar curso de samba. O seu pensamento altruísta, que já a conduziu a trabalhos humanitários com idosos e deficientes, ainda a estimula a desenvolver projetos em prol do índio brasileiro, bem como à colaboração voluntária com organizações como a Anistia Internacional. Tudo entremeado com a busca espiritual através da prática da yoga. Aqui, Heloisa deixa fluir a sua verve. Desta vez, é ela quem está sob a mira do leitor, expondo seu pensamento, a sua fala, a sua cara. E eis aí todas as suas facetas.

Entrevista à Itala Holanda

IHolanda : O seu perfil revela uma figura múltipla, dividida entre funções que podem iniciar diante do computador, passar pela na academia de ginástica e fechar o dia com um ato de filantropia. Como você equaciona o seu tempo e qual o grau de importância que cada atividade ocupa na sua vida?

HDallanhol: Acima de tudo está a minha paixão pela escrita e, a ela, dedico três ou quatro horas diárias, sem nenhuma folga semanal. Todo dia, também faço yoga para me aprimorar e dar boas aulas, em holandês, lógico! Por isso, meu cotidiano inclui sempre o estudo desta língua, através de livros ou das notícias que ouço com meu headphone, até quando ando de bicicleta ou levanto pesos. Igualmente rotineira, para mim, é a prática da natação, meu esporte favorito. À noite, reservo um tempinho para o maridão e meus amigos, quando não tenho que tratar sobre questões de uma entidade de utilidade pública, que mantenho no Brasil. Ah, eu ia esquecendo da minha colaboração com a Anistia Internacional. Mas, como voluntária, prefiro trabalhar calada, ou seja, sem fazer propaganda!

IH: Há oito anos você está à frente da ONG Pro-Indio. Que tipo de ações tem você liderado no sentido de contribuir para a sobrevivência do povo indígena, no tocante à preservação da sua cultura e do seu habitat?

HD: Desde 1986, enviamos, todo mês, aproximadamente 400 quilos de comida a uma tribo guarani assentada num morro de Santa Catarina. Ainda melhor do que dar o peixe é ensinar a pescar, motivo pelo qual já contratamos um agrônomo para ensinar as técnicas agrícolas necessárias para o aproveitamento daquele terreno inclinado e pouco fértil. Fornecemos sementes, insumos, ferramentas, etc. Agora, os índios estão colhendo os primeiros frutos. No futuro, talvez, venham a tornar-se auto-sustentáveis, de forma que, provavelmente, nem seja mais necessário mandar alimentos.

IH: Quem mantém a ONG do ponto de vista financeiro?

HD: As cestas básicas que enviamos são bancadas por “padrinhos brasileiros” e compostas por grãos, bem como outros artigos sugeridos por uma nutricionista, para não interferir radicalmente na dieta original deles. Tentaremos conseguir novos recursos para preservar os costumes indígenas, publicando um livro sobre a mitologia guarani ou, ainda, promovendo apresentações culturais, que rendam prestígio e dinheiro para a comunidade. Nesse sentido, já foi constituído um grupo, que faz exibições e até gravou um CD.

IH: De que forma foi idealizado esse trabalho no âmbito da musicalidade?

HD: Uma professora que integrava nossa diretoria fez uma dissertação de mestrado na área da antropologia, exatamente sobre os guaranis, suas canções e temas afins. Por sinal, o marido dela também colabora com os índios, seja bolando projetos para captar verbas, fazendo churrascos ou levando crianças doentes para o hospital. Tudo isso sem fazer alarde, pois ele prefere o anonimato.

IH: Como é possível dirigir uma entidade à distância? Você deixou parceiros no Brasil, capazes de assumir interinamente a sua função?

HD: Há uma pessoa que gostaria de citar nominalmente, que é Wanilde Dallanhol, minha madrinha. Esta farmacêutica, com vocação para ajudar aos outros, assumiu quase todo o projeto, quando deixei o Brasil para fazer doutorado na Espanha. Ainda assim, até hoje eu continuo sendo a presidente da Pró-Indio . A partir da Holanda, onde atualmente moro, dou algumas diretrizes, mas nada se compara ao esforço dela no que se refere à arrecadação de donativos para comprar cobertores, brinquedos, artigos de higiene, insumos agrícolas e comida, além de uma infinidade de outras tarefas.

IH: Vamos falar da escritora. Você assimilou o idioma holandês e escreveu o livro Liefde Zonder Grens num curto espaço de tempo. Usou a observação pessoal e um rol de entrevistas com quase duas dezenas de pessoas. Que espécie de sentimentos você transpôs para o seu livro, a partir das suas constatações?

HD: Desde o início, senti-me indignada ao notar que muitos holandeses achavam que os estrangeiros residentes na Europa vêm para cá com o objetivo de roubar os empregos deles ou, apenas, para trabalhar um pouco e depois viver do seguro-desemprego. Ou ainda pior: para virarem criminosos. Algumas mulheres são vistas como “interesseiras”, dispostas a tudo para arranjar marido. No meu caso, vim morar na Holanda por causa de um amor tão incondicional, que abandonei a Espanha, onde fiz doutorado e trabalhei para dois meios de comunicação. Empregos ainda melhores me esperavam no Brasil, porém vim para um país no qual sequer podia colocar em prática os conhecimentos acumulados, ao longo de oito anos de universidade, por causa da barreira linguística. Mas, assim que pude expressar meus pensamentos, botei a boca no trombone e escrevi Liefde zonder grens. Nele, dei vazão a sentimentos trancados na garganta de outros colegas da Escola de Línguas, a ponto de um deles me chamar de “porta-voz” dos que ainda não falavam holandês.

IH: A publicação de sua autoria, inteiramente escrita em holandês, ganhou espaço em jornais locais. Como você atraiu a simpatia da, quase sempre, dura e crítica visão holandesa?

HD: De fato, os jornalistas daqui, dificilmente se interessam por livros sobre sentimentos, muito menos quando o autor é totalmente desconhecido. Creio que, devem ter ficado curiosos sobre a estrangeira, que ousou lançar um livro numa língua que ela estudava há apenas 18 meses. Felizmente, não sou nova no ramo da Comunicação Social, considerando que 18 anos atrás comecei minha carreira como repórter. Daí que, após fazer centenas de entrevistas, aprendi as técnicas que os coleguinhas usaram para me entrevistar e os satisfiz com respostas contundentes. Confesso que foi estranho ser objeto de reportagem em vez de produtora de notícias.

IH: O seu livro tem a intenção de romper com opiniões estereotipadas a respeito do estrangeiro residente na Holanda. Que recurso traz a obra que possa beneficiar internamente a imagem da comunidade estrangeira?

HD: Liefde zonder grens encoraja pessoas a reverem as imagens pré-concebidas que todos nós temos, logo a partir da capa: nela se vê um negro beijando uma loirinha, de aparência tipicamente holandesa, que, porém, nasceu em outro país. Poucos percebem que o moço veste uma camiseta laranja e, a despeito disso, mal desconfiam que ele é holandês. A verdade vem à tona num dos relatos sobre um casal bicolor. Por outro lado, falo também do preconceito de idade, tomando como exemplo o caso de uma neo-zelandesa, oito anos mais velha que o namorado. Nos demais contos constam outros tipos de estereótipos, como a idéia de que os colombianos vêm para cá contrabandear cocaína. Vou confrontando cada visão distorcida com a realidade dos fatos, ou seja, mostrando que muitos estrangeiros levam consigo, ao invés de um saco com pó, uma bagagem cultural de fazer inveja aos holandeses.

IH: Sua estréia literária aconteceu há dois anos no Brasil. Você chegou a dizer que o jornalismo era um exercício de sobrevivência, pois sua vocação era ser escritora. Quando sai o próximo livro? Os projetos literários futuros abraçam títulos em holandês ou apenas em português?

HD: Em 2005 vou publicar meu terceiro livro, em português. Ele foi selecionado pela Fundação Catarinense de Cultura para ser editado através da Lei Estadual de Incentivo a Cultura, porque trata dos imigrantes italianos que se estabeleceram no Brasil. O tema é abordado com um toque de humor, porque já existem obras documentais sobre a imigração, mas faltava algo mais leve sobre o assunto. Em seguida, talvez saia do prelo um livro sobre os índios guaranis. A obra está longe de ser um tratado de antropologia, porque tento repassar, em linguagem simples, os dados colhidos em teses e trabalhos de campo com uma tribo daquela etnia. Este talvez mereça ser traduzido para o holandês, já que os europeus adoram relatos sobre os índios.

IH: Ficção e realidade geralmente se confundem sob a pena do escritor. Seu primeiro personagem no diário fictício "Quinze ilhas em um ano" girou entre arquipélagos mediterrâneos e realizou trabalhos missionários. Você já viajou muito e costuma dedicar-se às causas humanitárias. Também não poupou Liefde zonder grens de uma boa cota de ingredientes realistas. Até que ponto as influências do ambiente real contaminam um autor?

HD: No meu caso, totalmente. Nem tenho receio em assumir. Liefde zonder grens tem um capítulo autobiográfico e, no restante, fala “da vida alheia” com a devida autorização dos entrevistados. Quinze ilhas em um ano tem cenários reais e se baseia, parcialmente, em fatos verídicos, apesar de certos leitores acharem que, tudo ali é verdade, porque o redigi na primeira pessoa. Quem me dera ter tido os belos namorados que a protagonista do livro teve! O que fiz, sim, foi conhecer mais de 30 países, mas esta cifra não é nada, se comparada aos mais de 80 países visitados pelo meu pai. Ele passou para mim o espírito aventureiro herdado da mãe. Aliás, as peripécias da minha avó hiperativa servem de inspiração para o meu próximo livro.

IH: A sua obra Liefde zonder grens ( Amor sem fronteira ) tem despertado o interesse das autoridades brasileiras na Holanda?

HD: Mais do que o esperado! Sinceramente, eu até imaginava que meu humilde livrinho poderia atrair certos diplomatas do Consulado, e que eles, eventualmente, dariam alguns exemplares aos seus colegas do Peru, Armênia, Rússia, Itália ou de outros países citados no Liefde zonder grens. Mas, uma boa surpresa foi ouvir do próprio chefe da Chancelaria, Ministro Carlos Asfora, que ele queria se reunir comigo e com o Embaixador Gilberto Vergne Sabóia, para saber mais sobre o livro. E não a única: também fui convidada pelo ministro para a comemoração do 7 de Setembro na Embaixada.

IH: Há muitos compromissos sendo por você assumidos em função da divulgação do seu livro?

HD: O último convite recebido nesse sentido foi para um programa de televisão. Antes disso, fui entrevistada oito vezes na imprensa local. Também organizei a noite de autógrafos, que congregou quase 60 pessoas, entre elas, a presidente do clube Latinas Sin Fronteras , além do diretor do ROC Rivor e da coordenadora do Stichting Multicultureel Zaltbommel. Na realidade, o lançamento reuniu gente de todas as cores e nacionalidades, incluindo tailandeses e russos.

IH: A yoga é sua aliada constante. Quais os benefícios desta prática na sua vida pessoal e profissional?

HD: Esta técnica milenar de desenvolvimento físico, mental e espiritual tem como fundamento a certeza de que sempre podemos melhorar, desde que sejamos dedicados. Eu aplico esta filosofia no meu trabalho e na minha rotina de exercícios. Todo dia, quando acordo, inclusive aos domingos e mesmo durante viagens, faço a saudação ao sol, segundo o método da Power Yoga, uma sequência de posturas executadas de forma dinâmica, que fortalece os músculos.

Pode soar exagerado, mas o meu fanatismo pela malhação compensa os longos períodos que passo diante do computador, escrevendo e checando e-mails, etc. A yoga me ajuda, ainda, a respirar a plenos pulmões e a manter a paz interior necessária para repassar boas energias para outras pessoas.

 

*Graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará, Itala Holanda atuou profissionalmente nos jornais Diário do Nordeste e O Povo, em Fortaleza. Paralelamente exerceu as atividades de assessoria de imprensa e produção cultural junto às instituições oficiais e empresas privadas. Escreve atualmente para driblar a monotonia.

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