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Entrevistas - Neste espaço publicaremos entrevistas com brasileiros na Holanda e também com holandeses no Brasil.
 
Beto Brant - Um crime delicado
 
Data: 16/02/2006
 

por Nancy Niemeyer

 

Delicate Crime, (Crime Delicado), traz Beto Brant, diretor, e Renato Ciasca, produtor, pela terceira vez a Rotterdam. Às 22:00 de quarta-feira, 1º de fevereiro, Delicate Crime teve sua estréia européia no Luxor, com sala lotada, e brindou o público com um trabalho de linguagem universal, perturbador, intimista, que gruda na memória e empurra a gente para a auto-reflexão.

Reproduzimos, abaixo, parte do longo bate-pao que tivemos com o diretor Beto Brant. 

O que significa para você o IFFR?

O festival em Rotterdam é de cineastas, como nós podemos confirmar nas palavras da Sandra den Hamer no jornal de hoje. Não é um festival da indústria, dos produtores, do comércio de filmes como a maioria dos grandes festivais hoje são. É bom participar neste festival que é influenciado pela autoria do filme. 

Há mecanismos de incentivo ao cinema de arte?

A presença do Cinemart é justamente para financiar o cinema de arte. No Brasil existe uma lei de financiamento muito estruturada. Existem fundos de natureza federal, estadual, municipal que permite que o cineasta procure os recursos dentro do país. Mas há países que precisam buscar fundos internacionais porque não há o que buscar dentro de casa. O Hubert Bals, por exemplo, não oferece muita grana, mas já coloca o filme dentro do festival. Há festivais, atualmente, que se chamam Cinema en Construción, como o de San Martin e também o de Toulouse. Nesses, as pessoas chegam com o filme quase pronto mas sem recursos de finalização, como sonorizaçao, edição, fazer cópia, mas o projeto é bom e a grana aparece para finalizar o projeto. 

Justifica a fama do IFFR como um dos de maior peso no mundo?

Rotterdam é um festival que oferece a oportunidade de intercâmbio. Em alguns festivais fica difícil identificar os canais de intercâmbio. Em Rotterdam é tudo muito mais claro. A gente pega a lista das pessoas presentes às exibições do nosso filme à imprensa e percebe que há gente do mundo todo, de tudo quanto é lugar e festival. Ao término da sessão, um cara da Eslovênia já nos convidou para exibir no festival de lá. Não há uma perspectiva de mercado na Eslovênia, mas a riqueza do contato, de conhecer um lugar que a gente normalmente não se programaria para visitar. Para mim, o IFFR é o melhor do mundo para nossa linha de cinema independente. 

Você acha que você tem chance de comercializar o seu filme a partir deste festival?

Sim. Ele acabou de passar e ainda não se pode sentir os frutos dos contatos relizados e não realizados até agora. Mas há uma boa chance que ele seja exibido em outros países da Europa, como a França, por exemplo. 

Você já tem um mercado garantido no Brasil?

Hoje mede-se o sucesso de um filme pelo número de bilhetes que ele vende (sucesso de bilheteria). Nosso filme tem uma longevidade muito grande. A gente nunca fez marketing para os nossos filmes. O marketing é feito de graça pelos críticos e gente da mídia que gosta desse tipo de arte. Esse já é o nosso quarto filme e sempre utilizamos a mídia gratuita.

Houve diferença na reação do público no Brasil e do público neste festival?

O lançamento no Brasil foi há 10 dias. Houve o lançamento dele no Festival do Rio em outubro, mas lá a gente está em casa e já há alguma expectativa sobre o trabalho da gente. É um festival muito interessante porque tem muita gente de festivais internacionais que frequenta cada vez mais. A Irma, que faz a seleção dos curtas para o IFFR, viu o Delicate Crime e indicou pro pessoal daqui – é por isso que a gente está participando do IFFR este ano. 

O filme é baseado no livro de mesmo nome, não é verdade?

O nome do livro é Um Crime Delicado, de Sérgio Santana. Chegou as nossas mãos através do próprio protagonista, Marco Ricca (que escreveu praticamente todos os diálogos dele no filme). Nesse livro, o Sérgio descreve o interior e consciente do indivíduo. A gente buscou uma linguagem que pudesse descrever a intimidade dos personagens. A gente filmou muito em interiores, de madrugada, quanda as pessoas estão mais livres para serem o que são. Filmei muitas partes em preto e branco, que são todas as cenas que enquadram o ser humano – a corte, a bienal, o jornal ... Há muitas cenas de teatro e confunde-se o que é parte da vida com o que é parte do teatro. O que é mais teatro na vida? O que é mais real dentro do teatro? 

Com exceção do Marco Ricca , a Lilian e o Felipe são pessoas de verdade.

O Felipe Ehrenberg é um pintor. Ele já estava desenvolvendo este trabalho de pdq (por-se dentro do quadro). Conheceu a violência de perto, como ele mesmo descreve no filme, e desenvolveu um trabalho sobre a violência durante 10 anos. Aquilo provocou uma náusea tremenda nele e ele parou, sumiu, foi buscar a vida, o erotismo, Eros. E ele estava desenvolvendo esse trabalho e nós propusemos que ele tomasse a Lílian, a quele corpo que representava uma violência marcada no corpo dela e reinventasse a obra dele dentro do filme. Ele só a viu fisicamente naquele momento em que nós fizemos a tomada do filme. É um documentário da tela. O Felipe não é um ator do fime; ele é um artista incidental. 

E a Lilian? Onde vocês acharam a Lílian?

Comentei com uma jornalista que escreve sobre cinema e que conhecia a obra do Sérgio Santana. Ela me apresentou a Lilian, que faz poesias, canta, uma pessoa que tem uma sensibilidade artística. 

Quais são os próximos projetos?

O Cão sem Dono, adaptação do livro “Até o Dia em que o Cão Morreu”, de Daniel Galera, um gaúcho. Vamos filmar agora, em março e abril. Receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, de um escritor que trabalhou conosco nos três primeiros filmes. 

Você consegue viver de sua arte?

Estamos conseguindo. Depois de 20 anos juntos de batalha, tanto o Renato quanto eu estamos conseguindo viver só dos nossos projetos.

Curiosidades:

Os outros filmes apresentados anteriormente no IFFR: 

1998 – Os Matadores 

1999 – Ação entre Amigos 

Beto e Renato fizeram faculdades juntos. Desde 1994, a parceria deles consolidou-se. Viajam juntos, dividem quarto de hotel ... só não dividem mulher.

Os Invasores é um outro filme deles de sucesso estrondoso – ganhador da competição latina do Sundance Festival, foi convidado e exibido no festival de Berlim de 2002.

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