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Entrevistas - Neste espaço publicaremos entrevistas com brasileiros na Holanda e também com holandeses no Brasil.
 
Entrevista com Marcelo Evelin
 
Data: 23/02/2008
 

Texto : Nienke Tjallingii
Fotos:Caddah
Tradução: Marcia Curvo

 

Marcelo Evelin ganhou, em 2006, o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), na categoria de dança, com a primeira parte de sua trilogia, “Sertão”. Do dia 20, até dia 22 de março, Evelin estará apresentando, em Amsterdã, a segunda parte da trilogia intitulada Bull Dancing, "Urro de Omi boi" no Teatro Frascati em Amsterdã. “Minha fé nas pessoas me impulsiona a criar. Arte tem um resultado transformador, ela muda as pessoas. Quero mudar a percepção das pessoas para que elas passem a ser mais abertas uma com as outras.”

 Ponte virtual

Pelo skype conversei com Marcelo Evelin. Minhas perguntas foram feitas por volta das 18h, horário do jantar holandês. Alguns segundos mais tarde elas chegaram do outro lado do mundo, por volta, do horário de almoço. Essas perguntas resultaram em uma sequência de palavras. Evelin conversa sobre o significado do seu trabalho, seu idealismo, política, suas idéias de globalização e o confronto do primeiro com o terceiro mundo. O que Evelin pretende com seu trabalho é o que o skype fez conosco no momento: criar uma ponte entre duas culturas, duas localidades e dois fuso-horários.

Sou interessado no corpo, mas também na pessoa dentro dele

Desde que ele descobriu Pina Bausch em 1980, a busca de Evelin por novas formas de dança e teatro começou. Essa busca o levou a vários caminhos, dentre eles à escola Lecoq em Paris e de Arthur Rosenfield em Wuppertal até Amsterdã. No final dos anos 90 ele encontrou, no Teatro Hetveen, um lugar para seu trabalho. “No Teatro Hetveen eu não tive que dar uma única definição ao meu trabalho, mas encontrei um lugar para ele do jeito que ele já era.” Desde então o artista é uma das pessoas assíduas envolvida com o Teatro Hetveen.

No trabalho de Evelin o corpo é a parte principal, mas não só o puro movimento. A técnica da virtuosidade que a ele interessa. “Estou interessado no corpo, mas também na pessoa dentro desse corpo e a interação com a audiência.” Em suas performances Evelin usa disciplinas diferentes. Ele faz questão que seu trabalho se desenvolva continuadamente. Desde que ele trabalhou com um grupo de músicos em 2002, em um projeto no Scheepvaartmuseum em Amsterdã, a música tem sido uma parte essencial de seus espetáculos. Ele trata os músicos como dançarinos. “Eu acho fascinante ver como os músicos se movimentam no palco”. Desta maneira ele liga a música também ao corpo.

Arte no Brasil é colonizada

Na Holanda, em 1993, Evelin ganhou o prêmio de arte do Amsterdamse Fonds com a Trilogia do Desejo e em 1995 o Zilveren Danstheater Award com seu solo “ai, ai, ai” . Meu trabalho tem muita influência do teatro holandês e da cultura da dança.

“Na Holanda fiz meu primeiro solo, meu primeiro trabalho em grupo e recebi meu primeiro subsídio”. Mas a conexão com sua terra natal permaneceu forte. “A vida na Holanda torna, também, minha identidade brasileira mais forte”, diz Evelin. Com apoio do Teatro Hetveen ele fez em 2003 uma turnê brasileira com sua performance de “Sertão”. Desde então, Evelin é também um coreógrafo reconhecido no Brasil.

Atualmente ele é diretor artístico do Teatro João Paulo II em Terezina, onde implantou e dirige o Centro e o Núcleo de Criação do Dirceu, uma plataforma voltada para a pesquisa e desenvolvimento das artes cênicas contemporâneas. Trabalhar no Brasil é diferente, diz Evelin. “Trabalho em uma área pobre. Brasil é um país de terceiro mundo, Holanda é primeiro mundo, é isso que faz a diferença. Arte no Brasil é colonizada, a arte importada é considerada superior. Isso nos torna dependentes. Portanto no Brasil a autonomia do artista tem prioridade máxima. Artista brasileiro tem que voar para sua independência. Eles têm que abandonar essa idéia de que a arte importada é superior e começar a dar valor na sua própria. Têm que descobrir quem eles são e quais são suas possibilidades. Temos que aprender de nós mesmos”, diz Evelin.

Se você perder um amigo, você morre metaforicamente

Bull Dancing é inspirado em um ritual popular e tradicional brasileiro. Especialmente no norte, todos os anos em junho há muitos festejos.As cidades ficam cheias de grupos de dançarinos, músicos e bois, mas também turistas que apreciam esta festividade folclórica brasileira onde se briga por um boi.

Os espectadores se misturam com os artistas e todos dançam juntos. A lenda é sobre uma escrava grávida. Para garantir a saúde de seu bebê ela tem que se alimentar da carne do boi. O boi, então, deve ser sacrificado para manter o bebê vivo, o dono do animal é um homem rico. A luta se trava entre os escravos e os ricos, uma luta para matar o boi e manter o bebê vivo.

O desejo de celebrar a vida é uma parte importante na cultura brasileira. Para Evelin, morrer e renascer é um aspecto da vida diária. Literalmente: as células velhas do seu corpo morrem e novas são fabricadas. Mas também: se você perder um amigo, você morre metaforicamente, se você encontrar um novo amigo você renasce. Esta é a essência da vida.

Tenho interesse em como esses rituais sobrevivem

O que interessa a Evelin nesse ritual é o aspecto social. É tudo sobre uma situação social desigual, a resistência dos pobres contra as posses dos ricos. É sobre o desejo de possuir algo que não é seu. “Tenho interesse em como esses rituais sobrevivem”, diz Evelin. As questões sobre violência e discriminação sobreviveram com o passar dos anos, exatamente como o ritual a discriminação de pobres, mulheres, homossexuais, e pessoas de cor. Discriminação e solidão pode cobrar um preço alto das pessoas , esse sentimento leva-as um pouco à morte.

Em uma perspectiva maior, é um pouco do mundo dominante. “É também uma performance política”, ele diz. “Nós brasileiros somos, como um país de terceiro mundo, muito dependentes do poder de Bush. Na Holanda é diferente, é como o poder do mundo é distribuído. Bull Dancing é, portanto, sobre uma distribuição desigual no mundo, a relação de poder entre o primeiro e terceiro mundo.” Para enfatizar o tempo atual, os ritmos da música original foram traduzidos para batidas computadorizadas. A combinação dessa música moderna e a dança tradicional cria uma ponte entre o passado e a atualidade, é isso que a torna reconhecível pelo público. 

Bull Dancing é direto e confrontante

Como a audiência holandesa receberá a apresentação é uma questão interessante para Evelin. Talvez as pessoas não reconheçam os fundamentos do ritual em si, mas temos certeza que reconhecerão o tema.

Com esse espetáculo, Evelin, não só apresentará sua própria cultura, mas também mostrará acontecimentos corriqueiros dos problemas sociais em culturas diferentes. Porque o tema gira em torno de desigualdade e violência, é universal e atravessa fronteiras culturais.

Mesmo se expressando diferentemente em cada cultura, cada uma delas conhece a forma violenta. De acordo com o coreógrafo, compartilhar esses problemas é fundamental, o reconhecimento pode alertar as pessoas cada vez mais. Essa é a importância de trazer esse espetáculo até aqui. “Espero que as reações sobre o Bull Dancing sejam mais marcantes do que as obtidas com “Sertão”. Este foi abstrato e Bull Dancing é direto e confrontante.

Com entusiasmo Evelin fala sobre suas idéias para a última parte da trilogia

Para este espetáculo ele encontra inspiração no confronto de duas culturas. Como um brasileiro sobrevive na Holanda e qual é a visão de um holandês sobre o Brasil? Intercâmbio entre culturas, entre o primeiro e o terceiro mundo é essencial de acordo com o artista. Por meio do confronto com outra cultura, a arte sobrevive. Esta fonte de inspiração me fez suspeitar que esse espetáculo seria mostrado na Holanda.

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