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COLUNAS
Entrevistas - Neste espaço publicaremos entrevistas com brasileiros na Holanda e também com holandeses no Brasil.
 
Tenor brasileiro - Mauro Barbosa
 
Data: 22/03/2008
 

 

 
 
“Sento ao piano e estudo a mesma ópera várias vezes, até ficar na minha cabeça e eu não pensar mais em nada. Ta ali! Só aquela música. A língua vem – é como se falasse português! É isto que faz você ser um cantor de ópera”.  (Mauro Barbosa)
 
Entrevista por *Margô Dalla
 
 
O encontro foi em um charmoso café de Amsterdam – uma entrevista com um brasileiro especial, com uma voz forte e inesquecível. Uma neve fina caia na Leidseplein e um elegante homem caminhava anônimo pelas ruas. Com um casaco azul e um cachecol branco, o Tenor Mauro Barbosa veio ao nosso encontro – eu estava com Márcia Curvo do site Brasileiros na Holanda e duas amigas – Suellen e Shirleide. Sentamos em uma mesinha de frente à praça. Lá tomamos um café e conversamos sobre vida, carreira e projetos para o futuro. Uma conversa agradável em uma fria tarde de Amsterdã.
 
Mauro Barbosa nasceu no Rio de Janeiro na Ilha do Governador. Estudou no Conservatório de Música Lourenço Fernandes. Depois de terminar os estudos, integrou o corpo Artístico do Teatro Municipal como corista e solista em diversas produções. 
 
Desde 2000 vive em Amsterdã. Aqui, desenvolve sua carreira internacional sob a supervisão do tenor Raul Gimenez e da soprano Linda Mirabal que o acompanham no desenvolvimento de sua técnica vocal e estilo. Mauro participou de festivais na Accademia Rossiniana (Pesaro-Italy) com o diretor Alberto Zedda's e do Festival Rossini de Opera em Bad-WildBad na Alemanha. Cantou em diversos lugares e entre outros em Concertgebouw e Beur van Berlage em Amsterdam.
 
Mauro é especializado em óperas do belcanto especialmente nos trabalhos do compositor italiano Gioacchino Rossini.
 
MD - Como você descobriu que era cantor de ópera? Sua família vem do mundo da música?
MB - Não! Esse dom nasce com a gente. Quando eu era pequeno eu sempre cantava – vivia cantarolando! E continuei até a minha fase adulta! Até que um dia alguém chamou minha atenção e perguntou: porque você canta o tempo todo? Acredita que eu nunca havia reparado nisso? Mas fiquei com isto na minha cabeça. Nesta época eu trabalhava em uma firma de administração, tinha 26 anos e precisava resolver o que eu ia fazer com minha vida. Nesta época eu já fazia teatro, dança e expressão corporal, mas eu gostava mesmo era de cantar e fui estudar no Conservatório de Música. Lá, conheci um tenor muito importante e eu fiz uma aula com ele para conhecer a minha voz e depois de uma semana de aula ele me perguntou se eu nunca havia pensado em cantar ópera. Eu pensava em música popular; mas ele falou que a minha voz era para ópera e que eu deveria seguir a carreira. 
 
A partir deste momento, eu comecei a ouvir este gênero musical e fui me encantando e começando a entender a música, e passei a me interessar por tudo relacionado ao mundo da ópera. Começou assim e nunca mais parei! Eu queria mais e mais!
 
MD – Então você deixou o trabalho, foi para o Conservatório estudar e de lá para o Teatro Municipal do Rio de Janeiro? Como era o trabalho?
MB – Sim, comecei a estudar no Conservatório de Música e de lá fui direto para o Teatro Municipal. Então, tudo começou a acontecer! O teatro Municipal do Rio de janeiro tem uma característica de que se você é corista, você pode também fazer algum trabalho solo diante de audições. Tem oportunidade de participar de uma produção que é condizente com seu tipo de voz. Você pode fazer uma audição, mas pode também fazer um trabalho de solista. Entra como corista porque o Teatro Municipal do Rio de Janeiro não tem um casting de solistas; então eles dão oportunidades para os coristas fazer os papéis solo.
 
MD - Quais as produções mais importantes que participou no Rio de Janeiro?
MB - Eu fiz Pescador de Pérolas, Barbeiro de Sevilha. Também cantei Carmina Burana.
 
MD - Depois de trabalhar nesses espetáculos, o que fez?
MB - Fiquei 6 anos no Teatro Municipal. Fiz audição para o Teatro após o mesmo estar 16 anos sem audição. Eu tinha terminado o meu estudo no Conservatório, estava sem emprego e surgiu esta audição. Fiz o teste, passei e fiquei 6 anos. Após este tempo eu cheguei a conclusão que eu queria fazer mais, que eu queria desenvolver minha carreira, porque para o meu tipo de voz o Brasil não tem muitas produções. Eu sou um tenor e escolhi interpretar óperas de um compositor chamado Gioacchino Rossini, então eu resolvi arriscar. Vendi tudo que tinha e vim para a Holanda.
 
MD - Porque escolheu a Holanda?
MB - Eu queria ir para a Alemanha que tem um campo para ópera e música clássica muito maior do que na Holanda; mas como eu tinha um amigo aqui, acabei vindo para cá. Foi a primeira vez que vim à Europa, a Holanda me agradou muito e aqui estou há 8 anos. Cheguei aqui e encontrei o meu primeiro parceiro. A minha idéia era ficar aqui de uma forma ou de outra. Era uma decisão importante e fundamental para a minha carreira. Mas eu tinha um prazo para voltar e no dia de embarcar, o meu amigo me deu uma cópia de seu passaporte e os documentos de seu negócio - que era um restaurante na época – para eu tratar da minha documentação no Brasil e voltar para cá. E assim eu fiz. 
Eu queria voltar para cá estudar e cantar. Então, 4 meses depois eu recebi o visto no meu passaporte e voltei. 
 
MD - E quando você voltou, qual foi a primeira coisa que você fez?
MB - Eu pensei, eu estou voltando para a Europa e foi neste continente que o canto clássico, que a ópera nasceu, mas logo percebi que a minha técnica na época não era suficiente para eu poder fazer um audição aqui então eu comecei a estudar. 
 
Como eu já tinha feito Conservatório de Música no Brasil, não quis voltar, então comecei a estudar línguas porque é fundamental na minha carreira que eu tenha uma boa noção de italiano, alemão e francês – que são as línguas de ópera. O inglês porque é uma língua universal e eu preciso desta língua para me comunicar e o holandês, que por estar morando aqui, eu também preciso falar e entender. 
 
Também iniciei aulas com professores de belcanto – que é a minha especialidade e professor de piano porque eu preciso deste belo instrumento e suas escalas harmônicas para me acompanhar e estudar. Temos que ler uma partitura e entender de música. Tenho que saber a reflexão de cada língua. Não posso cantar, por exemplo, em francês com qualquer sotaque, mas sim com uma pronúncia correta. 
 
Eu tinha realmente muita coisa para fazer e enquanto estudava, fui a um festival de ópera na Itália em Pésaro – que é onde o compositor que eu canto nasceu e fui a um festival Rossini na Alemanha e ao mesmo tempo consegui um professor muito bom chamado Raul Gimenes que é um tenor muito famoso no mundo da ópera que agora se dedicou ao ensino da ópera. Tenho aulas com ele e tive também aulas com uma professora maravilhosa chamada Linda Mirabal uma Cubana que mora em Barcelona mesma cidade que mora Raul Gimenes.
 
MD – Quem é o maior cantor de ópera? Qual o seu ídolo?
MB - Difícil de dizer por que cada um tem uma característica. Mas o meu professor Raul Gimenes é realmente um dos maiores cantores do mundo. Na época eu procurei saber o que ele estava fazendo e descobri que, dando aulas durante o verão. Eu fui procurá-lo – ele é um homem simples, mas muito famoso que não precisa financeiramente de dar aulas, mas ensina porque gosta. Todas as pessoas de ópera o conhecem como também sua carreira maravilhosa.
Inspiro-me nele!
 
MD - Você tem um timbre de voz parecido com o dele?
MB - Sim. Bem parecido! Ele fala que o timbre da minha voz é como o dele 20 anos atrás. Mas agora, com o passar dos anos, a voz foi envelhecendo – tomando outra característica e ele passou a cantar óperas mais pesadas. Eu no caso, sou muito Rossiniano e por enquanto a minha voz ainda está jovem.
 
MD – Quanto tempo dura uma voz?
MB – Se você tomar cuidado, dura 25 anos mais ou menos. Mas tem que se poupar, evitar gelados, cigarros, bebidas alcoólicas e principalmente, cantar um repertório de acordo com o seu timbre, não se esforçando muito e fazendo o que você pode fazer sem exageros. Uma boa técnica ajuda a preservar sua voz.
 
MD - Você segue alguma rotina de ensaios?
MB – Eu tenho uma rotina rígida em relação ao meu trabalho. Um cantor de ópera tem que cantar todos os dias. De manhã eu faço exercícios respiratórios e exercícios de entonação e à tarde eu canto. Isto é sagrado. Todos os dias eu faço isto. Não tem domingo, não tem feriado! Você tem que gostar da coisa. Sento no piano e estudo a mesma ópera várias vezes, até ficar na minha cabeça e eu não pensar mais em nada. Ta ali! Só aquela música. A língua vem – é como se falasse português! É isto que faz você ser um cantor de ópera. Tem que gostar! 
 
Ao mesmo tempo em que cantamos, temos que nos abrir para a platéia e interpretar. É isso que espera o público. Não podemos ter medo de nos mostrar. É preciso ter segurança e este sentimento, é um trabalho diário.
 
É importante também ouvir gravações de outros cantores, línguas - trabalhar com um dicionário ao lado traduzindo as palavras, estudar a vida do compositor que estou ouvindo, que época era aquela, o que é o belcanto, quem foi o primeiro tenor, enfim, é fundamental que eu saiba sobre tudo o que estou fazendo.
 
MD – Então não basta ter só talento? É preciso mais?
MB – Claro. Sempre mais! Tenho que ter uma disciplina rígida para poupar minha voz. Não posso falar muito, tenho que dormir cedo. 
Eu conheci pessoas com lindas vozes que chegaram ao ponto de não querer mais estudar e se aprimorar e aí, se perderam. São muitos detalhes que temos que estar atentos. Quando alguém entra no mundo da ópera e tem certa voz, é como uma estrela de primeira grandeza, então se acham lindos e maravilhosos; mas não é bem assim. Quando se depara com uma produção grande, onde o maestro é ranzinza, é preciso muito equilíbrio para seguir em frente.
 
MD – Via de regra, claro, os artistas líricos são caprichosos e estrelas. Porque acontece isso? Qual a sua opinião sobre esse comportamento de alguns artistas?
MB - Qualquer pessoa que tenha um dom especial sempre se espera mais. No momento em que você está no palco aí você é divino e as pessoas que vão te assistir, querem isto – querem que você se conecte ao divino delas para sair do mundo comum e esperam que você os leve para o infinito – para o céu. É como estivessem te pedindo para tirá-los da realidade. Então é preciso ter esta qualidade, mas quando saímos dali, você é ser humano igual a qualquer outro – mas muitas vezes, algumas vezes, até para se proteger, a gente vê algumas atitudes exageradas de artistas.
 
MD – Mauro, para finalizar, conte um pouco de como será o concerto. O que irá cantar?
MB – Será domingo, dia 30 de março na Maison Erard - Keizersgracht 91 em Amsterdam às 15:00 horas. É uma casa muito bonita que trata da restauração de pianos da marca Erard. Este nome foi dado em homenagem ao homem que o construiu de nome Sébastian Erard.
São pianos especiais, com cauda e começaram a ser construídos na França no início do século 19 e que facilitam de certa maneira o meu tipo de voz.
 
Eles começaram a ser construídos quando o compositor que eu canto Gioachino Rossini ainda estava vivo e quando começaram a usar o piano forte, que é um piano muito delicado, mais longo e sofisticado. E eu vou ter a oportunidade de fazer o concerto nas oficinas de restauro especializadas em pianos Erard. É um grande momento de emoção para mim e espero que as pessoas gostem e aproveitem o concerto.
 
MD – Qual o repertório do concerto?
MB - Eu vou cantar canções e árias do compositor italiano Gioachino Rossini que nasceu em 1792 e do qual sou especializado em seu repertório. Vou cantar Óperas, árias de óperas e canções clássicas. Quando cantei com este piano pela primeira vez foi maravilhoso, pois a adaptação para a minha voz foi perfeita. 
 
MD – Algum CD em seus planos?
MB – Pretendo gravar um CD com árias e canções de Rossini e outro de compositores brasileiros como Heitor Villa-Lobos, Francisco Mignone, Carlos Gomes, entre outros.
 
MD – Nós do Brasileiros na Holanda desejamos sucesso no concerto e nos planos para o futuro.
Muito Obrigada! 
 
 
*Margô Dalla - natural de Colatina, E.S. , formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo, com especialização em jornalismo e fotografia. Desde 1975 trabalha em veículos de comunicação - jornais impressos como repórter e fotógrafa e em emissoras de televisão apresentadora de jornal. Nos últimos 5 anos, tem prestado Assessoria de Comunicação no Congresso Nacional em Brasília.
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