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COLUNAS
Clarissa Mattos - - Baiana de Salvador, administradora de empresas e pós-graduada em Marketing e E-Business, nos últimos anos tem atuado nas áreas de comunicação e marketing. Hoje mora em De Bilt e, além de música, cinema, literatura e fotografia, adora conhecer novas pessoas, lugares e culturas.
 
A Arte do Huisarts
 
Data: 25/04/2008
 

Considero-me uma pessoa bem integrada. Consigo me comunicar - e me trumbicar -no idioma, estabeleci uma vida com trabalho, vida social, amigos e quase tudo que tinha no Brasil. Além disso, hoje, entendo melhor as idiossincrasias dos kaaskoppen (cabeças-de-queijo). Mas tem uma coisa com a qual ainda bato cabeça: o sistema médico da Holanda. Esse para mim é um dos maiores desafios de integração para um estrangeiro.

Aqui, você não pode decidir ir por conta própria a um cardiologista, dermatologista ou qualquer outra especialidade. Todos devem ter um huisarts, algo como médico de família. Esse é um médico generalista que detém o seu histórico, teoricamente conhece bem a sua saúde e vai decidir se você precisa ou não visitar um especialista.

A minha primeira experiência com o huisarts não foi das melhores. Era uma situação de emergência, uma grande queimadura de 2o grau, e o ouvi a seguinte pérola :

sei que está doendo, mas a dor aqui não é o mais importante. Temos é que prevenir uma infecção.

Foi neste momento, que senti literalmente na pele a estranha relação triangular entre o holandês a dor e o Paracetamol. Sim, se você acha que aqui é o paraíso da liberalidade em relação às drogas, lamento informar que isso não é bem assim e muito menos para drogas legais, como um antinflamatório, por exemplo.

Fui para casa com uma receitinha de Paracetamol, com um limite máximo de oito unidades por dia, e só consegui algo adequado ao meu grau de dor depois de dar um show digno de uma égua de rodeio. Mas, depois dessa experiência traumática e de outros acontecimentos, aprendi algumas coisinhas que me ajudaram a compreender um pouco mais essa desavença de culturas. Deixa eu contar pra vocês:

Todo mundo fala inglês fluente na Holanda
Não caia no conto de que todo mundo fala inglês aqui. Se você mora fora das grandes cidades, você pode ter uma grande surpresa. Até médicos, às vezes, não são tão fluentes assim. Falo por experiência própria. O que fazer? Se você não fala inglês, nem holandês, tente conseguir recomendações de conhecidos, consulado, orkut e etc.

Visões diferentes
A grande diferença no tratamento é cultural. A filosofia adotada aqui é o de interferir o mínimo possível no processo de cura . Enquanto que em outros países o uso de medicamentos chega a ser um escândalo. O difícil é achar o meio-termo. Então, já sabe: quer seu remédio? Aja com sinceridade. Explique que você vem de uma cultura diferente e que não quer sair do seu consultório sem a receita.

Importante: segundo a minha experiência, o Paracetamol realmente é eficiente pra dor. Tomado de forma regular de 4 em 4 horas, há o alívio da dor. No entanto, somos tão acostumados com a idéia do "remédio forte" que achamos que não vai adiantar. Mas claro que existem situações agudas e para isso é que existem os chamados " remédios fortes".

A escolha e a troca de Huisarts
Esse é o médico que vai te acompanhar, ouvir suas queixas e saber de muita coisa da sua privacidade. Então já sabe que tem que escolher bem e se não está satisfeito, trocar. E aí, aviso logo, você pode encontrar resistência. Existe um acordo tácito entre os médicos de não tomarem pacientes um dos outros. Trocar de huisarts quando você muda de cidade é bem aceito, mas quando a troca se deve por insatisfação, é vista com outros olhos. Mas esse é um direito seu e previsto em lei. Um paciente pode ser rejeitado nas seguintes situações:

  • Se não há mais como atender novos pacientes
  • Se o paciente mora muito longe ( mais de 15 minutos de viagem - sim, aqui isso é longe!)
  • Se o paciente for tratado nos últimos seis meses em regime temporário.

A recomendação é de que o paciente tente conversar com o médico e tente explicar a sua insatisfação. Se isso um solução não for encontrada, que faça-se a troca. Se encontrar dificuldades, você pode fazer uma reclamação formal á Klachtencommissie Huisartsenzorg, uma comissão de reclamações sobre o serviço de huisarts. Obtenha mais informações sobre essa comissão no LHV Landelijke Huisartsenvereniging - União Nacional dos Huisarts ou no Nederlandse Patiënten Consumenten Federatie (algo como, Federação Holandesa de Pacientes Consumidores).

Perguntar não ofende
Uma outra coisa que você vai estranhar é que você não fica com o resultados de exames. Você vai ouvir se está tudo bem ou não e algumas explicações sobre os resultados. Geralmente eles são muito diretos e falam apenas o necessário. Meu conselho: tire todas as suas dúvidas. Pergunte tudo o que saber. Se for um velho problema que você já conhece, demonstre que você tem conhecimento e experiência com tratamentos anteriores.

A assistente - passando pelo funil
Você não está se sentindo bem, liga e quer falar com o médico. Situação normalíssima, certo? Certo se não houvesse um beque na defesa chamada a assistente. Ela - geralmente é mulher -atende o telefone e faz uma série de perguntas, tentando auxiliar no diagnóstico. A sua impressão é de que a mocinha da recepção resolveu brincar de médico ou tirar onda com a sua cara. Não é bem assim. Essa é uma pessoa que recebe adequado treinamento e sabe o que está fazendo. Ela auxilia e organiza o trabalho do médico. Mas que é irritante, é. Não posso negar.

A fila para o especialista
Depois de passar pela barreira da assistente e convencer o seu huisarts de que você precisa ir ao especialista, você pensa que todos os seus problemas estão resolvidos. Aviso que talvez demore mais um pouquinho. As filas para os especialistas podem ser longas e você pode ter que esperar semanas para a sua consulta. Uma dica: os seguros saúde têm um serviço que pode acelerar esse processo. Procure se informar com o seu. Também os huisarts, em caso de urgência, aceleram o processo.

Espero ter podido trazer uma pequena luz para um assunto que traz muitos problemas para o processo de adaptação aqui na Holanda. O que recomendo é ter sempre em mente que o melhor remédio é ter informação para tentar entender a outra cultura; e não apenas resistir. Até a próxima!

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