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COLUNAS
Fernanda Carneiro Bueno - natural de Ribeirão Preto/SP, mas há dois anos e meio reside em B.H., advogada e professora universitária de graduação e pós-graduação. Pós-graduada em Bioética pela Universidade Federal de Lavras/MG. Brevemente Fernanda residirá na Holanda.
 
Admirável Mundo Novo
 
Data: 25/09/2010
 

 

O que é ser estrangeiro? O que é sentir-se um estrangeiro?

Etimologicamente, a palavra estrangeiro origina-se do grego xenos, ou seja, ‘aquele que está de fora’, ‘o que é exterior’, ‘aquele que não é de sua família’, enfim, um estranho no ninho. Portanto, estrangeiro não é somente aquele que está em um país que não seja o seu país de origem. Ser estrangeiro pode ultrapassar a dimensão geográfica e linguística, assim, pode-se sentir estrangeiro em nosso próprio meio, em nossa própria casa. Na verdade, somos estrangeiros na vida, pois, sempre viajamos em nossas experiências e emoções.

Mas vamos conversar sobre o estrangeiro que migra para um lugar diferente de seu habitat natural, aquele estrangeiro que, muitas vezes, além das bagagens, traz consigo a solidão da saudade de lugares, pessoas e experiências pessoais que lhe são especiais.

O que poderá acalentar este estrangeiro? O que poderá fazer com que este estrangeiro sinta-se menos ‘tão só’? Talvez perceber o que dispõe de especial. Ou seja, dentre as muitas características do ser humana, duas são importantes e se tornam vitais nesta circunstância: são elas, a curiosidade e a adaptabilidade.

A curiosidade é característica inerente do homem. Se é curioso por natureza. Assim, tudo aquilo que é desconhecido pode tornar-se um grande desafio. Tudo o que é novo pode ser descoberto. O novo, quando olhado como agregador de valores é um verdadeiro manancial de possibilidades, Ser estrangeiro, portanto, pode ser olhar para esta nova casa e descobrir um admirável mundo novo.

 Este estrangeiro também é um ser social, assim, “Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra…’, desta forma é possível se adaptar às mudanças que a roda da vida o impõe a todo momento, percebendo que nesta troca de experiências ganham todos, ou seja, ganha o estrangeiro e também os nativos que o apresenta ao novo mundo. 

Mas, se é verdade que o homem somente se realiza como “pessoa” em sua relação com o outro, como realizar-se neste admirável mundo novo, onde a cultura, a língua, os hábitos, a religião e os costumes são diferentes dos nossos?  Como nos fazer entender e também entendê-lo?

Desconstruindo e construindo novamente, reaprendendo a aprender, respeitando o novo que se apresenta diante de cada um. Quem se fecha não consegue ver que tudo na vida tem dois lados, tudo é bivalência: se há saudades, há também novas amizades; se há dificuldades, há também novos caminhos, se não há um trabalho semelhante ao que se tinha anteriormente, há outros que se pode realizar com dignidade. Não somos uma única coisa, somos muito mais do que imaginamos ser.

 Um bom início talvez seja querer entender esta realidade paralela.

É claro que o processo migratório é complexo e burocrático, mas é importante saber que não é tudo que mudamos com esta mudança. Há coisas e valores que levamos conosco.

É neste contexto que se identificam dois mundos: o pequeno grande mundo particular e o mundo externo.

Enquanto habitante de seu mundo particular, o homem aprende e desenvolve conceitos, pré-conceitos e valores que o orientam em suas condutas e escolhas cotidianas. Ao mesmo tempo o homem necessita “conviver”, ou seja, viver com, e é aqui que se pode descobrir idéias que facilitam esta sociabilidade, como por exemplo, a importância de se conhecer a ética, a moral e as leis, que, mesmo sem percebermos faz parte do nosso dia-a-dia.

Viver em sociedade não é tarefa fácil. Conviver com idéias que são diferentes daquelas que julgamos corretas é um difícil aprendizado, pois, nossas experiências pessoais interferem na forma de vermos e sentirmos tudo o que nos acontece. Como sobreviver ao diferente?

Este contexto é ideal para falarmos sobre ética, moral, leis e suas possíveis formas de interação.

De forma resumida podemos falar em ética individual e ética social. Assim, a ética pessoal é subjetiva e está ligada à propriedade do caráter. Embora sem percebermos exercitamos a ética pessoal todos os momentos em que, conscientemente, agimos ou optamos por algo. Quero? Devo? Posso? As respostas a estas perguntas são respondidas pelo conjunto de princípios e valores que temos conosco. Por isto o exercício da ética passa pelas escolhas conscientes que fazemos e na responsabilidade que assumimos ao fazermos estas escolhas. Consequentemente, ser ético ou anti ético independe do lugar onde estamos,independe do país onde começamos a viver, pois depende, unicamente de nossa forma de viver a vida. Assim, quero ser um estrangeiro? Quero conhecer um mundo novo? Se esta é a escolha feita, devemos nos responsabilizar por ela e por suas consequências. Nossos atos, aqui, lá ou acolá sempre irão mostrar o retrato de nossa ética pessoal.

Já a ética social possui uma abrangência maior. Ela estuda o comportamento ético dos indivíduos, nas sociedades por eles formadas, leva em consideração o convívio social, sem no entanto, alterar a ética pessoal de cada um.

A ética, portanto, supera espaço e tempo e tem como característica não ser codificada, ou seja, não há um livro ou um código de como ser ético aqui ou em qualquer lugar que a pessoa se encontre. 

Mas, como dar conta das dificuldades encontradas na convivência social? Como deixar esta convivência mais harmônica? Como estabelecer limites? Com a ajuda da moral já que ela está ligada aos costumes e regras de uma sociedade e possui raízes em aspectos culturais, ou seja, diferentemente da ética, que é atemporal e não possui barreiras geográficas, a moral está cercada por estas nuances. Assim, o que não é moral hoje poderá ser amanhã. Exercitamos a moral de forma diferente da ética, pois cumprimos as normas morais automaticamente, sem fazermos questionamentos sobre sua validade ou mesmo sua origem.

Assim, quando se opta por ser estrangeiro e desbravar novos horizontes, é importante a preparação para o novo. E este novo universo é cercado por usos, costumes, tradições e cultura que são desconhecidos e irão exigir a abertura para um novo olhar, ou seja, independente da aceitação ou não, esta bagagem cultural e moral deverá ser conhecida e respeitada, para facilitar a vida nesta nova casa.

Conhecer este novo habitat passa a ser algo vital, pois é este conhecimento que afastará as possíveis estranhezas e os possíveis conflitos internos e externos que se apresentarem. Aproximar-se da cultura, dos hábitos sociais, sem dúvida alguma, aproxima.

Um outro aspecto importante a ser observado é que quando uma sociedade estabele juízos morais e há, portanto, códigos morais a serem seguidos, assim, vê-se que todo o processo legal desta sociedade se estabelece em torno destes códigos, portanto, vale dizer que, ao elaborar as leis de uma sociedade, na maioria das vezes, prevalece o padrão moral médio  daqueles a quem a lei é dirigida.

Pense em uma coisa: independente de qualquer coisa sempre estamos submetidos às leis, mesmo que isto não fique explícito em nosso dia-a-dia. Em regra, são as leis que nos garantem direitos e deveres. Ressalta-se que não será discutido, nesta oportunidade, se as leis são justas ou não, somente demostra que estamos conectados a elas o tempo todo.

Importante saber que a lei, diferentemente da moral, tem caráter compulsório, ou seja, ela obriga a todos que vivem naquela sociedade e o não cumprimento de suas determinações resulta em sanções a serem impostas e cumpridas.

Mais uma vez exige-se conhecer, ao menos basicamente, quais são os  direitos e deveres do estrangeiro dentro de determinado país. E este aspecto é de vital importância para que situações irreversíveis sejam evitadas e também para que o estrangeiro exerça direitos que lhe são garantidos e conheça deveres que lhe são impostos.

O que quis transmitir nesta conversa é que, independente de lugar ou tempo somos sempre estrangeiros neste mundo que se renova em todos os momentos e que, se há dificuldades na vida do estrangeiro, há também a riqueza das experiências e de todos os valores que serão agregados. Assim, para que esta viagem a uma nova realidade seja mais prazerosa, é importante respeitar e conhecer, para criarmos pontes e não cercas que nos dividam.

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Comentários



Antônio - 27/09/2010
Eu realmente gostei do texto. É interessante levantar o assunto ao lidar com o outro, o "estranho".

Mércia Machado Cabral - 25/09/2010
Essa moça fala com tanta grandeza de um tema que,pode não parecer,mas que nos é comum ao longo de toda nossa jornada como ser humano. Sempre somos de alguma forma estrangeiros. Ele esclarece e conforta pois expõe os dois lados de uma mesma moeda. Existem perdas no ato de partir mas também muitos ganhos. Fixemo-nos então nos ganhos para conseguirmos transpor nossa dificuldade em aceitar o novo. Porque para o novo nascer em nossas vidas o velho tem que morrer. Texto maravilhoso e mais que isso,TRANSFORMADOR! Parabéns a Dra. Fernanda Carneiro Bueno.

Miriam - 25/09/2010
Adorei seu texto, você parece ser uma pessoa muito sensata. Um texto longo mas tão interessante que prende a atenção do leitor levando-o até o final quando você encerra com chave de ouro dizendo: "O que quis transmitir nesta conversa é que, independente de lugar ou tempo somos sempre estrangeiros neste mundo que se renova em todos os momentos e que, se há dificuldades na vida do estrangeiro, há também a riqueza das experiências e de todos os valores que serão agregados. Assim, para que esta viagem a uma nova realidade seja mais prazerosa, é importante respeitar e conhecer, para criarmos pontes e não cercas que nos dividam." Que venham os próximos! Obrigada por compartilhar conosco sua maneira brilhante de pensar.

Martin van der Voet - 25/09/2010
Fernanda, hele mooie text! Ik denk dat velen immigranten hier iets aan hebben.

flavia de castro - 25/09/2010
texto de uma clareza peculiar e que nos acalenta nessas novas jornadas pela vida afora.Nos fazendo olhar por um outro lado...de que estamos sempre aprendendo...renovando...e que esse e o grande segredo para se viver bem...sempre encarando o novo como aprendizado...e os desafios nos faz viver...o ser humano sem sonhos e desafios é um morto em vida...viva os desafios...as diferenças...e o aprendizado.
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