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COLUNAS
Andre L. - Andre L. é natural de Ribeirão Preto, graduado em Administração de Empresas/Finanças pela USP, analista financeiro e research scholar atualmente vivendo em Tilburg
 
Um ano de Holanda: Impressões e adaptação
 
Data: 23/06/2010
 

Na próxima semana eu completo um ano morando na Holanda. É o quarto país onde moro. Nesse período, até mesmo por conta das minhas atividades por aqui na universidade, tive oportunidade de conhecer várias pessoas na mesma situação que a minha, alguns morando aqui há mais tempo que eu.

É interessante observar, posto que acho essa questão interessante, como um grupo de pessoas experimentando a mesma situação (oriundos de outros países, vivendo na mesma cidade e trabalhando no mesmo local) acabam reagindo de forma tão diferente. Esse ano na Holanda me fez reforçar a tese de que muito do que diz respeito à nossa adaptação em outro país depende de nós – embora o ambiente em que estamos inseridos conte muito.

Na minha primeira experiência de morar fora, pensava que essa questão de adaptação era algo quase genético, pré-determinado. Aos poucos, fui percebendo como as atitudes das pessoas que emigram contam, e muito, para que esse processo seja bem sucedido. Nesta nova empreitada aqui na Holanda, conversei bastante com vários colegas meus que chegaram aqui na universidade na mesmíssima situação que a minha, e os resultados dessas conversas animadas foram interessantes. Deixo aqui, com os leitores, um resumo das minhas mais recentes conclusões:

1. Uma visão positiva da vida de imigrante não resolve problemas, mas uma visão negativa é a receita para o isolamento, depressão e fracasso – Mudar para um novo país, mesmo em casos como o meu (em que vim de um terceiro país para a Holanda, não do local de origem), sempre envolverá desafios, problemas inesperados, contratempos e o “novo”. Algumas pessoas, desde o dia em que chegaram, adotaram um viés negativo para a vida na Holanda. Ao irem na Gemeente, já começavam a reclamar que daria errado, que a funcionária é mal humorada e que faltaria documentos, e com isso nem verificavam a lista de documentos para fazer atualização de endereço, por exemplo, perdendo tempo e dinheiro por isso. Outra mulher que trabalha chegou por aqui se notabilizou por reclamar do clima sempre. Chovia? “Mas que raiva, como ando de bicicleta assim”. Sol? “Estraga minha maquiagem, odeio”. Dias curtos em dezembro? “Como dá pra não ficar em depressão assim”. Dias longos em maio? “Como dá para dormir com sol na cara as 5h?”. Ao longo do ano, alguns desses colegas foram se tornando mais e mais ranzinzas, e em um caso a pessoa até foi embora no meio do contrato, culpando, claro, a Holanda e seu caráter “hostil” pela falta de adaptação.

2. Estrangeiro não é “atração” na Holanda como é em muitos países. China, Japão, Brasil e Argentina são exemplos de países em que há poucos estrangeiros convivendo na população local. Especificamente no caso do Brasil, a combinação de poucos estrangeiros com fatores culturais fazem quase todo “gringo” receber atenção e ter boa vontade especial direcionada a ele no dia a dia. Não é o caso da Holanda, em que 7% da população não tem nacionalidade holandesa: aqui, cada estrangeiro é apenas “mais um”. Isso foi um choque para alguns colegas da América Latina que moram aqui e não viram, por parte dos nativos, nenhuma preocupação em serem particularmente atenciosos ou curiosos por terem estrangeiros entre eles.

3. Se transformar em “embaixador informal” do seu país leva ao isolamento social. Em um ambiente com pessoas de vários países, a socialização passa por algumas nuances particulares, envolvendo diferenças culturais em questões como espaço pessoal, quais assuntos são considerados particulares, ofensivos ou livres para serem comentados em uma roda de amigos, etiqueta social entre amigos etc. Tudo isso é contornável, ao contrário da atitude de se transformar em um embaixador informal do seu país de origem. Poucas coisas são mais inconvenientes do que alguém que a cada 5 ou 10 minutos precisa fazer uma comparação da Holanda com seu país de origem – em geral para dizer que lá é melhor/maior/mais organizado. Mais do que a inconveniência de agir assim, essa atitude revela que algo não está bem resolvido no interior da pessoa – o que acaba se refletindo nos relacionamentos da mesma por aqui. Não há nada de errado em considerar seu país de origem como “o melhor lugar do mundo”, mas também não é necessário tentar convencer todos os outros dessa “verdade” a todo momento.

4. Tolerância é uma via de mão dupla. Diferenças culturais existem e nem sempre são fáceis de serem administradas. Todavia, é extremamente importante que a tolerância que traz a boa convivência seja uma via da mão dupla, recíproca. Todos aqui já conhecem e até evitam algumas poucas pessoas que esperam ser entendidas em seus usos e costumes pelas outras, mas que não de dispõe a mover-se um milímetro para estabelecer relacionamentos saudáveis. Coincidentemente, acabam sendo os colegas que mais tem dificuldade na hora de alugar um apartamento novo, ou quando contam como (não) resolveram algum problema burocrático – a atitude, no fundo, é a mesma -.

5. Não existe “o holandês”, existem 16 milhões deles(as), e o mesmo se aplica a todos os países. Qualquer pessoa com bom senso tem a autopercepção de que as pessoas do seu país de origem não são iguais, não se comportam como robôs pré-programados e são, no fundo, indivíduos que compartilham algumas características culturais (e as vezes físicas), mas que continuam sendo indivíduos. É algo que me impressiona muito como pessoas têm facilidade em colocar todos os seus estereótipos em ação ao lidar com os holandeses nativos daqui, e mesmo com outros estrangeiros. Certo dia, vi uma colega nossa de um país “x” agindo de maneira mais ríspida com alguns holandeses da turma, aparentemente sem motivo algum. Ao conversar no MSN mais tarde, ela me disse que estava “cheia desses holandeses que reclamam de tudo”. Na verdade, seus vizinhos haviam chamado a polícia porque ela havia feito uma “noite típica do país ‘x’” no jardim no fundo da casa, 60 pessoas apareceram, o barulho foi alto, a polícia veio e ela estava “descontando a raiva” em outros holandeses. É muito desagradável para um holandês que convive no seu círculo social ser tratado como uma entidade autônoma, assim como seria para um brasileiro, por exemplo, ser considerado “traficante de crianças” ou “responsável por massacres nas favelas”. Respeito à individualidade alheia é fundamental se você quiser ser tratado como um indivíduo, não “mais um brasileiro”, “mais um mexicano” ou “mais um chinês”.

6. As pessoas mais felizes são aquelas que vivem sua experiência internacional da melhor forma possível. Um ano longe da segurança emocional do local de origem é tempo considerável, principalmente quando esse período envolve morar e ter uma vida a viver por aqui, não apenas passear e conhecer algo novo. Depois de outras experiências internacionais, a conclusão final a que cheguei é que as pessoas mais felizes são aqueles que procuram viver intensamente e da melhor forma possível o momento e o lugar onde estão. Claro que isso se aplica a outras situações como diferentes empregos, diferentes hobbies etc., mas no contexto específico da vida de imigrante, isso se torna particularmente importante.

Por hoje, é isso que tenho a dizer. Em outra oportunidade pretendo escrever sobre assuntos diversos como política e economia europeias, viagens e assuntos variados.
 

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Comentários



Fabiane - 01/03/2015
Gostaria de saber sobre a cidade de Tilburg, minha filha vai fazer um intercâmbio de 6 meses,
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