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COLUNAS
Patrícia Dias - 30 anos, carioca, licenciada em Biologia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense com pós-graduação em Gestão e Política Ambiental pela FGV. No Brasil atuou como professora de biologia. Na Holanda, reside em Scheveningen e é professora da Escola Internacional na Haia. É membro da Associação Brasileira de Imprensa Internacional através do site Brasileiros na Holanda.
 
Sonho reduzido a tempestade de neve
 
Data: 20/10/2010
 

 

Dedico esses parágrafos aos meus conterrâneos,  àqueles que assim como eu, decidiram voluntariamente emigrar em busca de uma vida melhor, seja para enriquecer seus estudos, morar com o seu parceiro ou até mesmo pela fantasia de viver “nas zoropas” e desfrutar das grandes possibilidades de crescimento profissional que esse lugar distante tem a oferecer sem  ao menos cogitar a idéia de que o tão promissor mundo novo não seja a Wonderland tal como imaginada.

Como um aviso aos navegantes,  quero  deixar aqui registrado que a decisão de migrar para um país distante , com uma cultura tão diferente do país de origem, requer muita audácia e principalmente determinação.  Embora cada indivíduo tenha sua própria habilidade no que diz respeito  à adaptação e integração, quando se está inserido num país com aspectos cognitivos, culturais e sociais tão distantes daqueles já conhecidos, gera-se um desequilíbrio emocional  que muitas vezes vem  acompanhado de estresse, perda de identidade, sensação de impotência  e solidão. E no caso da Holanda, isso não é diferente.

Quem aterrissa nos Países Baixos, se impressiona  com limpeza  e organização das cidades, com as ciclovias, o hábito de ir e vir de bicicleta pra todos os lugares e o transporte público com trens partindo no horário certo. Porém se depara com um povo com comportamento completamente  estranho ao nosso. Os brasileiros são hospitaleiros e em geral,  os estrangeiros que no Brasil chegam, são recebidos como se fossem amigos distantes, tratados à “pandeló”. Na Holanda, a coisa não é por aí, mas talvez isso se justifique. Com uma população de 16 milhões de habitantes, a Holanda  abriga legalmente 700 mil turcos e marroquinos que vieram em busca de melhores condições de vida, sem contar as outras nacionalidades. Com esse histórico de imigração em massa,  penso  que seja natural que os holandeses não gostem de imigrantes e nesse caso, problemas de relacionamento e conflito cultural, preconceitos  e distanciamento são ostensivos.

E as diferenças não param.  Na Holanda não há favelas (nem morros), não há muita criminalidade, pode-se, sim, contar com a assistência do governo.  Ela está  acessível a quem precisar  e não somente em época de campanha ou como troca de favores. Um bom exemplo disto é o fato de o governo oferecer aulas de holandês gratuitamente  para os estrangeiros legais que residem aqui.  Porém é nessa mesma escola que tem como objetivo principal  integrar o estrangeiro ,  que aprende-se que a sociedade neerlandesa é individualista. As pessoas são educadas para pensarem primeiro e somente em si próprio.

Isso tudo sem contar com a dificuldade de encontrar um trabalho no seu nível de escolaridade, da necessidade de viver em sociedade numa cidade fria e hostilizada, a saudade da família (e dos queridos amigos) , do sol que não só brilha como também esquenta...

Há quem diga que atravessou o Atlântico em busca do sonho de ser feliz e o concretiza a cada dia. Outros, que se pudessem voltar atrás, não teriam largado sua pátria, família , seu bom e estável emprego para ter que acabar como o Esteban da obra Síndrome de Ulisses, lavando pratos no subsolo do restaurante coreano  para pagar os estudos. E você, está disposto a pagar o preço??

“ (...)Então, no meio daquele grupo, fui acometido por uma intensa e opressiva sensação de orfandade, como se em algum ponto tivesse me extraviado do caminho e agora me encontrasse numa órbita distante, algo como o Planeta dos Macacos (...)” 

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Comentários



marcicleia da silva barbosa - 05/01/2012
olha eu estou recebendo a chance de ir morar na Holanda mas to com um pouco d medo,pois sou negra e tenho medo d nao ser aceita pela sociedade pois me falaram q sao muito racistas,meu email é cpvmarci@gmail.com me mandem uma resposta?

Leila - 26/10/2010
OLá Patrícia! Moro já faz 5 anos na Holanda, e posso te garantir uma coisa: A visão que eles tem de você não mudará muito, mesmo depois de 5 anos, já falando a língua razoavelmente bem, etc. Vá se acostumando e aceitando, pois a aceitação é o melhor que você pode fazer para viver feliz nesse país lindo mas as vezes de muitos contrastes. Abraço!

tariq - 25/10/2010
Bom,axei muito bonito k voce screveu,meus parabem POREM devo dize k vc cometeu um ERRO grave.Vc acabou de chega e ja vai jugano ne. Segundo minhas viagem na europa, os holandeses sao frio DE NACENCIA e NADA a ver com turcos e marro,meus amigo.Saiba,k alemaes,ingleses e suecos sao GELADOS enquanto romenos, russos e poloneses sao acolhedores. a raca germanica E FRIa de natureza e NAO pode fala algo k NAO saiba,voce mesma vai ve no futuro.o resto gostei de ler.

Patricia Dias - 25/10/2010
Quero dizer que estou muito feliz que tenham gostado do texto, uma vez que o tema é delicado e acaba gerando muitas interpretações e opiniões diferentes. Estou adorando os comentários e aproveito para esclarecer um detalhe do o que o amigo Joseph Evaristo postou. O meu pensamento não é, de forma alguma, antagônico à frase do saudoso Bob. E é preciso muita audácia e determinação para “atirar-se à luta em busca de dias melhores”, não é mesmo? As palavras do texto foram escritas com o propósito de fazer o leitor "viajar" milhas distantes antes de empacotar de vez uma vida em 2 bagagens de 32 kg acreditando estar indo com destino ao paraíso . Para levar um "q" de questionamento aos que acham que será fácil reorganizar a vida social da noite para o dia.. para que entendam que é um processo. Particularmente, posso dizer que faço parte dos que vieram com o sonho de ser feliz e o realiza a cada dia e que faria tudo de novo para viver essa experiência novamente ( e poder compartilhar com vocês por aqui). Muito obrigada a todos. Grande beijo. Paty

Joseph Evaristo - 24/10/2010
Oi Paty, Muito legal seu comentário sobre as dificuldades de se viver longe de casa, mas se fosse fácil não teria graça... Tem uma frase do Bob Marley que gosto muito e que é antagonista ao pensamento da amiga. "É melhor atirar-se à luta em busca de dias melhores, mesmo correndo o risco de perder tudo, do que permanecer estático, como os pobres de espírito, que não lutam, mas também não vencem, que não conhecem a dor da derrota, nem a glória de ressurgir dos escombros. Esses pobres de espírito, ao final de sua jornada na Terra não agradecem a Deus por terem vivido, mas desculpam-se perante Ele, por terem apenas passado pela vida." Depende de sua vontade de permacer estático ou de seguir sempre em frente mesmo com as adversidades que encontramos pelo caminho. Te desejo toda a sorte do mundo aqui e no nosso Brasilzão! Um grande abraço!

Alessandra - 23/10/2010
Paty, adorei a coluna!! Sua interpretação diante das dificuldades e da diversidade cultural vivida, foi simplismente perfeita.Bjus Alê

Sheila Yurgel - 22/10/2010
Adorei seu texto, parabéns!! Pois é, cada pessoa vivencia o experiência de emigrar de uma maneira diferente. O que é bom para mim pode não ser bom para o outro. Vivo na Holanda há 17 anos. Não vim para cá por nenhum dos motivos acima mencionados por você.Mas com muita frequencia é exatamente assim que me sinto. Um abraço!!!

Daniela Roschel - 22/10/2010
Oi Patricia.. 5 meses na Holanda? eu também em processo de integração como se diz. Semana que vem eu comeco na escola e estou me sentindo uma criança novamente tendo que aprender a falar e a entender o que as pessoas dizem. O seu texto coloca muito bem os pontos fortes e fracos de estar longe da familia e da para refletir sobre muitas coisas e sobre as coisas que valem realmente a pena. Estou aqui por amor e o amor tem que ser muito forte para aguentar essas incertezas todas. O fato de viver longe da familia dos amigos e do calor humano e climatico interfere sim e muito. Hoje posso dizer que estou feliz ao lado da pessoa que eu escolhi para viver mas quando eu vejo o rostinho da minha mae do outro do computador chorando de saudades me da uma dor e uma vontade enorme de pegar o primeiro avião. Mas a vida é assim mesmo não é? feita de escolhas e não se pode ter tudo. Boa sorte na sua integração por aqui querida. bjs Dani

DR De Vries - 21/10/2010
Essa semana fui Descriminado em minha universidade. Pelo fato de ser "turco ou marroquino, sendo que não sou ambos. Quando falo que sou brasileiro sempre muda um pouco pra melhor. Eu sempre quis morar num país desenvolvido, conheci meu marido, e hoje somos felizes. Não vou mentir e ser hipócrita que a vida é fácil, apesar de termos uma boa condição financeira e social aonde vivemos sinto que sempre vou ser o "imigrante". Posso estar de ouro dos pés a cabeça mas minha face tupiniquim me denuncia rsrs. Eu queria viver nesse lugar e ser um deles, tentei e não consegui. Mas esse lugar me deu tudo que eu tenho na minha vida, meu amor ! E foi palco de alegrias, desvaneios, sonhos realizados e não realizados. Por respeito a esta pátria e aos seus cidadãos eu amo esse país. O preconceito vem sempre, você sendo gordo, negro, tímido, homossexual, sempre tem! Eu espero um dia ser um deles, se não for eu tentei. Eu me amo muito e sei que eu quis mudar, eles estavam aqui, eu que cheguei. E aqui sou feliz, afinal gente, não há lugar perfeito. E outrora que aqui a razão da minha vida está aqui estou. E se for preciso voltar e me mudar 30 vezes eu vou, não quero reclamar daquilo que não sou e o que fazem de mim, deixo pra reclamar quando estiver morto. Assim, Deus, que é quem nos ajuda, escutará minhas emoções. Eu to nessa vida pra viver, com dignidade, amor e felicidade, aqui na Holanda, no Brasil ou em outro lugar aonde eu me ame e me respeite e tente me adaptar a cultura.

Isabela - 21/10/2010
Adorei a coluna!! Estou muito orgulhosa, pois mesmo passando por tudo isso, você tem força de vontade e paixão em tudo o que faz, assim como essa coluna, pela qual agora posso ficar sabendo mais de suas aventuras, mesmo tão lonje nas "Zoropa".

Carlos Moraes - 21/10/2010
É paty,com certeza sua coluna esta inspiradora. Me fez refletir, sobre muitas coisas que eu deixei para traz. E admito que onde vc chegou foi pro seu próprio mérito.Espero, que esse tenho sido só o primeiro degrau, pois espero ve-la mais acima. um grande abraço do seu irmão...

Taly R. - 21/10/2010
Amei a materia Patricia! Realmente e preciso muita audacia e determinacao para essa grande mudanca! Abracos pra voce aqui dos States!

Susana - 21/10/2010
Patrícia, Primeiramente, boa sorte na adaptação ! Vejo que você tem um bom nível de consciência porque percebeu logo coisas que muita gente admite hoje, após muitos anos aqui. Ser realista ajuda no processo de adaptação (seria melhor chamar de aculturação...). Só gostaria de corrigir que o curso de integração só é gratuito para os não-europeus. Que vem, por exemplo, de Portugal ou quaqluer outro país da União Européia, tem de custear seus estudos e, pasme, NÀO É OBRIGADO A SEGUÍ-LO, como nós. Discriminação pura ! Todo o lugar tem vantagens e desvantagens. Nós temos de achar o equilíbrio em nós, para que as diferenças não nos atinjam tanto. Agora, fica difícil viver e tentar se acomodar numa nova cultura quando ela prórpia é intolerante e inflexível. Take care !!! Abs, Susana

Ju - 21/10/2010
Ousar, arriscar e viver e sempre melhor do que ficar travado pelo "medo". De tudo nesta vida tiramos experiencias boas e ruins...isso e a vida acontecendo. Com relacao as diferencas culturais, com o tempo percebemos que qualidade de vida e muito mais do que um dia de sol. Obs: teclado sem acentos Ju

Miriam - 20/10/2010
Texto que me fez refletir, vale ou não a pena essa mudança? Trocar o que é certo pelo duvidoso é muito arriscado. Gostei muito do seu texto e sei que muitos brasileiros se enxergam nas suas palavras.
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