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COLUNAS
Raphael Curvo - jornalista, advogado e comunicador
 
Palavras em vão
 
Data: 22/08/2008
 

“Quantas estradas um homem deve percorrer
Pra poder ser chamado de homem?
Quantos oceanos uma pomba branca deve navegar
Pra poder dormir na areia?

Sim e quantas vezes as bolas de canhão devem voar
Antes de serem banidas pra sempre?
A resposta, meu amigo, está voando no vento
A resposta está voando no vento

Sim e por quantos anos uma montanha pode existir
Antes de ser levada pelos oceanos?
Sim e por quantos anos algumas pessoas devem existir
Antes de poderem ser livres?

Sim e quantas vezes um homem pode virar a cabeça
Fingir que ele não vê?
A resposta, meu amigo, está voando no vento
A resposta está voando no vento

Sim e quantas vezes um homem deve olhar pra cima
Antes de conseguir ver o céu?
Sim e quantos ouvidos um homem deve ter
Pra poder conseguir ouvir as pessoas chorarem?

Sim e quantas mortes serão necessárias até ele saber
Que pessoas demais morreram?
A resposta, meu amigo, está voando no vento
A resposta está voando no vento”
(Bob Dylan)

 

Sim, e quantas vezes serão necessárias escrever e falar que a educação é o maior bem que pode dispor uma Nação? Para fazer entender que o grito dos jovens é mudo, sofrido hoje e sempre, quantos deverão morrer com drogas e tráfico, assaltos e fome para ser entendido que é preciso mudar, romper com conceitos inúteis?

A resposta, meu amigo, está voando pelos espaços e nos corações e mentes vazias, pelos cálices cheios e plena mordomia.

Sim, quantos sonhos serão destruídos para que tronos supremos permaneçam ocupados por homens vazios rodeados por uma corte de incompetentes?

Quantas verdades serão esmagadas para criar os campos férteis da mentira e da banalidade, dos enganos e desencontros da vontade soberana da Nação?

A resposta, meu amigo, está voando pelos espaços e nos corações e mentes vazias, pelos cálices cheios e plena mordomia.

Sim, quantas mortes, mutilações e sofrimentos acontecerão pelas estradas para entender que não basta se satisfazer com o proibir das bebidas alcoólicas e deixar como estão nossas rodovias e a segurança nos aeroportos e hidrovias?

Quantas perdas na nossa economia poderiam ser evitadas se estabelecidas políticas sérias para a área industrial e agrícola e não apenas atitudes paliativas e de curto prazo, sem garantia de comprimento contratual?

A resposta, meu amigo, está voando pelos espaços e nos corações e mentes vazias, pelos cálices cheios e plena mordomia.

Quanta grandeza poderia existir em nosso peito se os nossos jovens olímpicos recebessem o apoio que merecem para bem representar a Nação, sempre frustrada por pífios resultados advindos do esquecimento oficial dos nossos atletas que a qualquer custo, sangue, suor e lágrimas buscam elevar o nome da pátria no alto do pódio?

Quanta segurança poderia existir no brasileiro em relação à rede hospitalar se a nossa saúde recebesse maior atenção, investimento e respeito pela vida humana?

A resposta, meu amigo, está voando pelos espaços e nos corações e mentes vazias, pelos cálices cheios e plena mordomia. 

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