Faça do Brasileiros na Holanda a sua página inicial Compartilhe Compartilhe
Anuncie Aqui Anuncie Aqui
logo banner banner banner
 Clima   Traffic  moeda positivo Como anunciar
setinha Aprenda Holandês
setinha Classificados
setinha Como chegar
setinha Entrevistas
setinha Férias escolares
setinha Forum de discussão
setinha Indique o site
setinha Integração Civil
setinha Livro de visitas
setinha Missas em português
setinha Promoções telefônicas
setinha Revista
setinha Turismo
setinha Viagem de menores
setinha Vídeos
Press award

COLUNAS
Daniel dos Santos - tem 36 anos, nascido em Santos, SP, foi professor de inglês e guia de turismo em Salvador, BA por dez anos. Faz estudo de Bacharelado em Comunicação em Inglês. Mora atualmente em Almere, Flevoland.
 
E se...?
 
Data: 02/12/2010
 

Quando eu vim à Holanda pela primeira vez no início de 2004, vim a passeio. Prolongado, devo dizer. A intenção inicial era dividir todos os 90 dias do visto de turista entre aqui, Alemanha e Portugal. Eu queria que este período fosse um de descobertas, de reflexão e de constatações. Eu estava hospedado na casa de um amigo pen-pal, termo talvez um pouco antiquado hoje, mas antes de a internet tornar-se popular, corresponder-se regularmente através de cartas com pessoas de outros países era uma experiência desejável para poder aprimorar o inglês escrito. Apesar de constantes convites esporádicos para visitar a Holanda da parte deste penpal, eu nunca os levei realmente a sério. Até que um dia eu mudei de idéia.
 
Este dia foi o dia 24 de janeiro de 2003. Houve um acidente automobilístico no caminho para o trabalho, envolvendo a mim e ao motorista. Ele cochilou no volante. O carro derrapou, voou sobre um barranco e capotou. Tanto ele quanto eu escapamos com apenas alguns arranhões mas o carro da empresa teve perda total. Eu devo ter desmaiado por um ou dois segundos e gritei pelo nome do motorista para confirmar se ele está consciente. Ele confirmou. Arrastei-me para fora do veículo com certa facilidade e não consegui deixar de me impressionar com o estrago acometido. Lê-se com frequência em jornais que pessoas morrem em acidentes muito semelhantes.
 
Após recebido o tratamento necessário e ter o braço na tipóia, voltei para o conforto do meu lar, com o meu parceiro na época e não consegui parar de pensar na morte. Amigos tentaram me confortar com o clichê “não era a sua hora”, mas o pensamento que mais me acometia era “e se tivesse sido?” Então eu não passaria de mais uma cifra nas estatísticas anuais de vítimas de acidentes de trânsito. Não consegui mais ver o mundo do mesmo jeito. Tudo o que me agradava, passou a me agradar mil vezes mais, como se os meus sentidos tivessem sido aguçados por alguma substância tóxica. Em contrapartida o que me desagradava, passou a irritar-me também mil vezes mais.
 
Achando que o problema estava no Brasil, perguntei ao amigo pen-pal se o convite dele de me acolher por alguns dias em seu lar ainda estava de pé e ele confirmou. Cheguei aqui no dia 6 de março de 2004. Fui muito bem acolhido por ele mas estava fazendo muito frio. Foi uma alegre ocasião conhecê-lo pessoalmente depois de tantos anos. Tínhamos muito o que conversar. Entre outras coisas ele comentou que na mesma rua (a qual não era muito comprida) morava uma brasileira, casada com um holandês. Eu pedi mais detalhes mas ele disse que era tudo o que sabia. No dia seguinte, saí à procura desta mulher. Hoje eu me pergunto porque fiz isto. Eu havia acabado de chegar do Brasil, de onde eu nunca havia saído antes disto, por que esta necessidade de religação com as mesmas pessoas que eu havia acabado de deixar para trás? Eu não saberia a resposta à esta pergunta mas...
 
...a rua esta deserta. O frio intenso era uma grande novidade para mim. Havia uma pessoa, uma mulher juntando a grama com um gadanho. Eu perguntei em inglês se ela conhecia uma certa vizinha do Brasil, mas eu descobri logo para a minha agradável surpresa que estava falando com a própria. Os próximos dias foram certos de nos encontrarmos todas as noites para um bate-papo sobre a Holanda. Ela me contou coisas interessantes sobre este país onde ela morava aqui já há 30 anos na época, mas acima de tudo, me deu um conselho: Nunca compare o Brasil com a Holanda. Este conselho dela talvez tivesse sido o motivo de ela ter morado três décadas felizes aqui. Bem, eu só queria ficar três meses, então esqueci o conselho.
 
O destino quis diferente e eu voltei por motivos de ‘reunião familiar’. Eu havia conhecido alguém e queria muito saber: “e se...?”. A reunião familiar durou alguns anos mas foi um fracasso no final das contas mas no ínterim conheci um outro alguém, com quem até o momento posso dizer que estou feliz. Naturalisei-me, aprendi a língua, tenho um emprego. Falam-se de ‘adaptação’, como se este nome fosse exclusivo para brasileiros que abandonaram o seu país. Acho o nome vago, pois enquanto vivemos, estamos nos adaptando. Não importa onde. Mesmo para os entes queridos que ficaram no Brasil ou para os holandeses que aqui vivem e sempre viveram. É preciso adaptar-se com as novas expressões, gírias, informática, telefonia, política e assim vai. Tudo passa e nada continua o mesmo.
 
Indo de contra ao conselho da brasileira que eu conheci na época, tenho dificuldades, sim, em ‘não comparar as coisas’. Estou certo que é próprio da minha mente fazer isto e no meu caso, pelo menos, não tem contra-indicações. Se eu fizesse uma lista de coisas com as quais eu tinha dificuldade de lidar quando morava no Brasil e outra sobre as coisas com as quais tenho dificuldade no momento na Holanda, eu diria que ficaria meio a meio.  Ou seja, troca-se um par de problemas por outro, mas sempre haverá um par com o qual sempre ter de lidar. Eu nunca vim para a Holanda ‘não ter problemas’, eu vim para tê-los, com a diferença de que eu queria ter alguém com quem partilhá-los e que quisesse partilhar os seus comigo. Uma observação: apesar disto, quando vir morar aqui em definitivo, vim para ser feliz e feliz de verdade. Não somente razoavelmente feliz, mas extremamente, feliz ao ponto de causar inveja. Já que não morri naquele acidente, pretendo gozar de cada segundo da minha vida de forma exagerada,  extravagante , recalcada e transbordante. Eu já tenho resposta ao “e se...?” mas eu só a obtive por meio de comparações. O que funciona para uma pessoa, não funciona para outra. Cada um terá a sua resposta em seu próprio tempo e quando a tiver, estará contando a sua própria narrativa para os próximos brasileiros vindo morar aqui, daqui a 30 anos.  

Share
 
Comente a coluna
Comentários



Bibi - 22/01/2012
:) \"E se...\", sempre fez parte da minha vida!

rozélia da ilva santos - 27/08/2011
hola eu mim chamo rosy meu sonho é conheser a holanda,Daniel é tbm gostária q vc foce meu amigo é mim falasse mais um pouca da holanda... bjs fica com Deus

Daniel - 03/03/2011
Obrigado a todos os comentários. Laura, algumas pessoas não gostam de comparações. Outros gostam. Comparar não quer dizer que se quer que uma coisa torne-se outra. E muito menos que uma coisa seja melhor/pior que a outra. É apenas comparação e cada coisa continua o que se é. Neste post acima eu partilhei a minha experiência: eu vivi o acima, é a minha vida que eu narrei.

Laura - 26/12/2010
Hoi Daniel, het klopt dat wat voor de ene geldt,geldt het niet voor een ander. Vergelijken doet iedereen, alleen is het de kunst om niet van nederland een brazilie willem maken. voor jou wens ik heel veel guluk hier. met vriendelijk groet.

Aline - 19/12/2010
Oi Daniel, gostei muito do que vc escreveu. Acho que estou na mesma situação de querer encontrar um pouco de Brasil aqui tb. Tô morando em Lelystad (perto de vc) e fico aqui até outubro. Vamos manter contato! Abraço

Adriane - 04/12/2010
Sem comentários...vc sempre arrasa em tudo que faz!!! Sou sua fã de carteirinha...rsss. Sucesso a cada dia para vc. Bjokas e continue sempre essa pessoa linda que é.

João Figuer - 03/12/2010
Daniel, morei 1 ano na Holanda e para minha felicidade nunca procurei comparar a vida aí com a vida que levava no Brasil. Cheguei em 2004 e retornei em 2005, pude ver de um tudo, conheci holandeses simpatícissimos e conheci gente chata também, como em qualquer lugar do mundo. A diferença fundamental para mim é que aqui posso exercer minha arte com mais propriedade e verdade, por isso não há outro lugar para mim que o Brasil, mas sigo amando Amsterdam, pelo espírito livre e a beleza da cidade. Parabéns pela coluna, estou torcendo para que você seja sarcástico e humorado com os hábitos da fazendinha por aqui! (Fazendinha é como uns amigos brasileiros que vivem na Holanda chamam o país!).

Bira Malta - 03/12/2010
Dan, você como sempre fala com o coração e esbaja simpatia no modo lírico-informal com que escreve. Nossa amizade longe ou perto é constante por isso sou seu fã e fiel seguidor no seu blog e no facebook. Essa questão de assimilar e adaptar-se a uma nova cultura e país é sempre complicada e ""dá muito pano pra manga". Cada um teve e tem um modo de chegar à terra das tulipas e receber a língua seja com boa ou má vontade, mas é uma realidade que não podemos fugir. Colocando preconceitos e esteriótipos de lado de uma certa forma ao logo dos anos compreendemos e aceitamos o modo de ser, agir e pensar do povo holandês. Graças às exceções mais e mais brasileiros(as) encontram sua alma gêmea no Reino dos Países Baixos. Parabéns garoto e sucesso sempre!
Relacionadas:
    Não há colunas relacionadas

 

Siga-nos Facebook Twitter Orkut
publicidade publicidade
publicidade publicidade
publicidade publicidade
publicidade publicidade
publicidade publicidade
publicidade publicidade
publicidade publicidade
publicidade
publicidade
Revista:
revista

Video:


 
Importante: Todas as colunas são de única e exclusiva responsabilidade dos seus autores, não refletindo a opinião dos mantenedores deste portal.
setas
Site criado e mantido por Marcia Curvo.Todos os direitos reservados. Reprodução proibida ©2010.
Para anúncios ou sugestões entre em contato conosco por e-mail.
Telefone: (31) (0)6 18 200 641