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COLUNAS
Raphael Curvo - jornalista, advogado e comunicador
 
A vida
 
Data: 31/12/2010
 

 

 

Há dois mil anos JESUS CRISTO sofria a condenação de Poncio Pilatus e foi enviado à crucificação. O mundo tinha ali um marco novo para sua história e organização social. A vida encontrava fundamentos para a sua razão de existir como forma humana, dotada da capacidade de pensar e determinar com a razão e racionalidade a sua forma de agir. Até então os agrupamentos humanos agiam de forma mais animalesca, instintiva e brutal. Desconhecia o valor da vida e pouco percebia a sua capacidade pensante, a sua inteligência. Eram poucos os que em todo o mundo antigo tinham o domínio de sua inteligência. Pequenos núcleos sociais, os pensadores gregos como exemplo, se diferenciavam dos demais membros da população. Roma, apesar de grande centro político cultural, vivia em constantes atos de brutalidade com muitas mortes diárias. Mudamos? Somos diferentes?

Claro que não temos grandes diferenças. Apenas os métodos são outros. Pensando bem somos até piores já que hoje temos uma mente mais pensante e somos dotados de conhecimento sobre a vida e seu valor. Não há como chegarmos à plena civilização sem a atitude de tomarmos consciência total da importância do ser humano na escala dos seres viventes neste planeta. Hoje se luta mais pela preservação da vida de um mico leão dourado que do nascer de uma criança nesses hospitais em que a morte é uma constante. O ser humano morrer se tornou algo de somenos importância, o que já não acontece com uma jubarte encalhada em uma praia qualquer. A criminalidade só vai cair pra valer quando pessoas associadas em alguma organização governamental ou não, lutarem pela preservação da vida humana e mostrar o papel dela e a sua importância no contexto global. Antes da jubarte e dos micos, precisamos nos salvar. O homem precisa tomar conhecimento e consciência do homem.

É difícil, eu sei, a trilha deste caminho para a preservação humana. As guerras das épocas tribais, desde milênios, criaram no homem o sentido de conquistas, de poder e ganhos. A espécie humana sempre se teve como adversária. Esse desenvolvimento psicológico permanece intacto na maneira de agir e tem levado a muita destruição da própria espécie, inclusive dentro do próprio seio familiar, ou seja, no agrupamento mais íntimo do congraçamento humano. Muitas vezes até a preservação material se sobrepõe ao interesse da vida do grupo familiar ou social. O Poder é o motivador dessa peça disforme do pensamento humano. Em seu nome e motivação, tudo se faz, mesmo que para isso princípios elementares como o respeito à organização social e à vida tenham que ser desrespeitados ou suprimidos, assim como fez Pilatus para agradar aos judeus e conquistá-los politicamente. Diz o ditado que a vida do “povo” não vale um tostão furado. Ninguém quer ser “povo”, esta é a razão que move, em sua maioria, os seres viventes neste planeta. Algum Poder há de conquistar durante a vida e esta é a sua motivação mesmo que para tal permaneça em guerra, mesmo que seja no grupo familiar, social ou político.

O presidente Lulla, que hoje agoniza nos seus últimos dias de mandato e deve estar se sentindo um crucificado hoje para ser o divino amanhã, representa de certo modo esse Poder à população pobre e miserável. Ele é a encarnação do espírito desse grupamento que se sente dono do cetro de mando na sua pessoa. Isto só é possível acontecer em razão da permanência dos valores de conquistas que existem há milênios. Métodos, objetivos, motivações etc. são pretextos para a latência do vírus egocentrista que não permite o conhecimento do homem pelo homem, ou seja, a razão do existir e do ser, da vida. O bem viver, a harmonia social, a amizade e o amor não conseguem prevalecer ante a valoração do Poder, da conquista, da acumulação de riquezas e da submissão do homem pelo homem. Hoje, isto é a vida.  

Em tempo: o resultado das pesquisas de opinião sobre a aprovação do governo Lulla (87%), ao que parece e me leva a crer, é um sinal de agradecimento dos Institutos de Pesquisas pelos bons anos desta década. Beira a irracionalidade. 

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