Por: Rydianne Romijn
Sobreviventes e familiares fazem culto em memória das vítimas da tragédia no Café De Hemel em Volendam.
O culto, sob o tema “Volendam 10 jaar later... in woord en muziek”, aconteceu às 14:30 do dia 01/01/2011, na igreja St. Vincentius do pequeno vilarejo de pescadores e teve a participação de mais de 400 pessoas. De acordo com o prefeito de Volendam, Wim van Beek, esse dia ainda é relembrado com muita dor, pela população local.
Nas primeiras horas do dia 1o de janeiro de 2001, 14 jovens perderam a vida queimados e outros 180 ficaram feridos no incêndio ocorrido durante a comemoração da chegada do Ano Novo no Café De Hemel. Muitas das vítimas ainda têm sequelas graves e continuam em tratamento, apesar das sequelas não se envergonham de saírem com poucas roupas durante o verão.
Para presidir a celebração do memorial foi convidado o Padre Jan Berkhout que na época da tragédia era o pároco do local.
No dia 26/12/2010 Pe. Berkhout deu a seguinte entrevista para a imprensa holandesa:
Você precisou pensar muito quando foi chamado para ajudar?
Pe. Berkhout: Não, eu fiz o que devia fazer. Eu fui embora de Volendam, mas se essa tragédia não tivesse acontecido, talvez eu tivesse ficado mais tempo por lá. Essa foi a melhor paróquia que eu já tive. A combinação de dar suporte aos atingidos pela tragédia e o trabalho da paróquia ficou muito pesado para mim. Agora eu fui solicitado pelo comitê que preparou o Dia da Lembrança dos 14 jovens mortos na tragédia. Eu tive muitos encontros em 2007 com os atingidos pela tragédia em um grupo antigo. Recentemente falei com eles. Eu tenho uma boa sensação de missão cumprida. As perdas não serão esquecidas mas, aos poucos, eles têm conseguido superar isso.
Será que a cidade também superou esse acontecimento?
Pe. Berkhout: Minha impressão é que sim. A comunidade cresceu. Vida e vitalidade são temas que agora seguem em harmonia em Volendam. Você ouve e vê que voltou nas música e nas séries de tv que nos últimos anos foram produzidos, pelo menos na minha experiência. A tragédia aconteceu, nós não negamos isso e também não enfatizamos isso excessivamente. Foram 180 jovens gravemente feridos. Alguns muito gravemente. No verão nenhuma das vítimas esconde seus ferimentos. Eles se mostram como eles são. Eu acho isso especial.
O que você vê quando volta no período após o acidente?
Pe. Berkhout: Volendam estava caótica. Com a tragédia, com a cultura, com si mesma. Foi um horror. As histórias eram alarmantes. Pais que iam de casa em casa procurando seus filhos e quando os achavam não os reconheciam devido à gravidade das queimaduras. Isso foi muito forte emocionalmente. No Ano Novo foram nove mortos, dez vítimas faleceram durante a primeira semana do ano. Eles foram velados no primeiro final de semana depois da tragédia. Na sexta, sábado, domingo e também na segunda a igreja estava lotada. O envolvimento das pessoas e simpatizantes foi enorme.
Permaneceu assim por muito tempo?
Pe. Berkhout: No primeiro ano percebeu-se que uma parte dos Volendammers deixaram um pouco os acontecimentos do ano novo para trás. Equipes de ajuda e tratamento pós-acidente, mas nem todo mundo achou isso necessário. Vítimas, envolvidos e sobreviventes puderam juntos com suas histórias superar suas tristezas. O resto da cidade estava saturada. As pessoas queriam encerrar essa história. Mas não dá para ser assim tão rápido. Não sobre acontecimentos deste tamanho. Abriram-se feridas muito profundas. Isso precisa ser trabalhado e demora um tempo.
O que você deseja para o dia primeiro de janeiro?
Pe. Berkhout: Eu quero que a lembrança das vítimas seja usada para aproximar as pessoas de seus próprios sentimentos. Pergunto: Como vocês se sentem agora? As pessoas que precisam de ajuda precisam superar sabendo que isso aconteceu, isso é mais do que simplesmente aceitar. É necessário que esse acontecimento não seja esquecido.

Memorial às vítimas do incêndio em frente ao local onde era o antigo Café De Hemel