Pelo menos o que se foi usava calças e a que fica usa saia. Só aí já há uma grande diferença que será notada caso a inteligência da que fica no governo tenha alguma superioridade sobre o que sai. Dilma Rousseff terá muita luta no exercício do mandato. Uma delas será a realização da desvinculação do antigo presidente do cargo. Isto sem falar que a sanha dos filiados do seu partido pelos cargos é um fato. Outro ponto a ser considerado é que Lulla dificilmente deixará de criar pressão sobre todos os Ministérios e seus respectivos titulares. O processo de desvinculação do Poder pelo ex-presidente deverá ser traumático. Nunca na história deste País um presidente se sentiu o dono do Estado como Lulla. Torço para estar enganado nestes escritos.
Eu quero crer que a presidente Dilma está realmente imbuída de boas intenções e psicologicamente forte para o domínio das pressões dos fisiologistas. A atitude de adiar a ocupação dos cargos, sob minha visão, foi correta e serve com tempo hábil para bem conhecer do processo e de seus membros componentes. Temos que acreditar no seu discurso e estimular fé de que algo de novo e melhor está a caminho. A continuidade do que estava é crime de lesa pátria. Não é possível a permissão de direitos e de destruição do Estado como vinha sendo feita. O político Lulla só produziu política. Seria bom se esta produção política não descambasse para a politicagem e cooptação.
“Não haverá de minha parte discriminação, privilégios ou compadrio”. “Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o mal feito. A corrupção será combatida permanentemente...”. É o que esperamos senhora presidente. Temos fé de que o prometido não será descumprido. Pelo discurso realizado e pelas últimas atitudes da presidente, parece que há algo de novo no ar, não muito além do que podemos imaginar. Isto se dá pelo saco de gato que está sendo constituído pelos partidos da situação acreditando ser a Dilma absorvida rapidamente pelas práticas não muito republicanas. Com o cetro do Poder nas mãos, a situação de mando tem outros desmembramentos que, meses atrás, não eram permitidos para ela ante o egocentrismo exercido pelo antigo presidente.
A herança deixada pelo Lulla é deveras maligna. Os compromissos assumidos em nome de outrem além dos excessivos gastos do ex-presidente são de tal monta que se torna imprescindível a recuperação da economia mundial para que o Brasil consiga manter o mínimo necessário de desenvolvimento. Não temos um parque industrial sólido e a maioria das indústrias de transformação está aquém de suas possibilidades no fornecimento de ganhos produtivos. Estamos girando com base em aporte de dinheiro externo em aplicações e dos advindos das commodities, ou seja, de exportação de matérias primas que nos deixam fragilizados ante qualquer movimento de retração das importações, por exemplo, chinesas.
A nossa infraestrutura está sucateada, basta ver nos noticiários as condições de estradas, energia, portos, aeroportos e por aí vai. A carga tributária está degolando o investimento em produção. A carência de mão de obra qualificada impede avanços de nossa economia. A degradação de nossa educação não nos permite vislumbrar o desenvolvimento tecnológico que necessitamos para nos tornar um País de primeiro mundo. Crédito nunca significou avanço cultural e qualificativo de vida do cidadão. Para isso é preciso “banco de escola” com qualidade para a Nação. Não foi Lulla que realizou tudo que conseguimos de avanço. Foi uma assessoria qualificada e instruída, pequena por sinal, que esteve ao seu lado, os realizadores de alguma construção do seu governo e aos quais ele soube obedecer, tais como Meirelles, Jobim e outros poucos.
Presidente Dilma Rousseff, em suas mãos a tarefa de permitir menos estragos ao nosso Brasil. De quebrar com a mesmice obscura e maléfica que impede a inovação e a criatividade na estrutura administrativa do País e não permite avanços porque é sinal de riscos a esses agentes do atraso do nosso povo, incutidos na máquina do governo e, principalmente, nos Partidos que estão a sua volta no Poder e na estrutura política do Brasil. Acredito que algo vai mudar, não tenho mais tempo para esperanças. Entre a senhora e Elle, Lulla, quero crer, a diferença existe.