O circo da educação pegando fogo e o Ministro sai de férias, pelo menos até agora mantida. Essa é a preocupação do governo com o mais importante e vital Ministério ao desenvolvimento do País e mais, com a única inovação acontecida na área educacional neste Brasil nas últimas décadas. É muito pouco caso ou é por pura incompetência que toda esta confusão continua acontecendo com o ENEM. Acredito mais nisto, na incompetência e na ausência intelectual de visão educacional.
Há muito tempo venho insistindo em meus artigos que a Educação no Brasil não pode estar atrelada à área administrativa de governo. A educação é de extrema importância ao desenvolvimento da Nação. Não há neste globo terrestre um único povo desenvolvido sem a existência da força educacional. Ela é intrínseca à qualidade de vida e bem estar de um povo. Deixar isto na responsabilidade da atividade política é ser irresponsável com o País. Necessário se faz retirar essa administração da Educação da área de influência política. É preciso blindá-la do acesso desse tráfico e transformá-la em atividade separada e autônoma, dirigida por pessoas que não fazem da educação um trampolim para candidaturas. Quaisquer de seus dirigentes ou conselheiros e diretores estariam proibidos de participação em atividade política e para postulação de pleito eleitoral, teriam que ter cumprido 24 meses de afastamento.
Estou com fé na nova presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais – Inep, que defende e pretende implementar a criação de órgão exclusivo para o ENEM. Acredito que está aí, sem incompetência na administração do órgão, a salvação deste procedimento de exame de avaliação. É um bom começo para impulsionar o sistema ENEM e quem sabe dar força a proposta de retirada da educação da área de mando político. Esta influência política é que faz com que um órgão como o Inep sofra, ao longo de 13 meses, a terceira mudança na sua direção administrativa. É um entra e sai que gera insegurança e desqualificação nos procedimentos para melhoria educacional.
A educação no Brasil não tem mais tempo para ser cabo eleitoral de candidatos ou trampolim para mancebos. É preciso mais responsabilidades e profissionalismo daqueles que tem o poder de transformar a educação. A verdade, dura por sinal, é que a educação no Brasil se tornou cabide de emprego, refúgio de incompetentes e de renda fácil para a maioria. O salário compensa ante a quase total ociosidade que vivem muitos na área. Atestados de saúde, congressos que são verdadeiros turismos, seminários improdutivos e sem qualquer eficácia ou mínimo de produtividade científica ou cultural grassam em nosso sistema educacional. Propostas meramente administrativas voltadas à criação de novos ganhos salariais é o que imperam nesses acontecimentos. Quando muito, discute-se o óbvio ululante como diria Nelson Rodrigues e ficam milhões a mercê de pequenos grupelhos que dominam as políticas educacionais no Brasil.
São poucos os que intencionam alguma proposta inovadora para a Educação brasileira. Geralmente elas morrem no nascedouro. A classe inoperante e incrustada no sistema educacional tem verdadeira aversão a qualquer proposta de mudança que pode deixar à mostra a incompetência do grupo encastelado no poder e com fortes raízes, como um câncer, nas entranhas do sistema educacional. Como disse um dos articulistas do blog Besta Fubana, estão em metástase no governo. Gerações estão se perdendo com a inércia da educação brasileira.
E quando há uma grande idéia ela fica ao longe do entendimento dos homens diretivos da área. Impulsionar e fazer funcionar o ENEM, é algo de extrema facilidade de administração, mas aprontam uma balbúrdia total que revolta a todos. Como os profissionais do MEC estão cada um em um cabide e sua qualificação nunca foi testada ou mesmo avaliada para a função, tudo parece ser um universo de dificuldades. Para buscar por uma educação qualificada é preciso mudar a direção e quanto ao Ministério da Educação, está demorando a mudança.