Thomas Hensbroek é DJ, produtor musical e diretor comercial da Exclusive Productions, a produtora de eventos responsável por prover no próximo sábado (29), a edição World Tour 2011 da gigante Ministry of Sound.
Criada em 1991, Ministry of Sound (MoS), cresceu de uma boite famosa em Londres para se tornar uma das maiores marcas do mundo da dança. MoS é conhecido não só pelos seus eventos de renome internacional, mas também por seus clubes, rádio e emissora de TV e inúmeros CDs e coletâneas de músicas lançadas anualmente, tendo sido peça fundamental no desenvolvimento da house music, no princípio dos anos 1990.
No entanto, a fim de aquecer no estilo holandês, Thomas Hensbroek (23), se responsabilizará não somente pela produção como também pela abertura da noite Ministry of Sound World Tour 2011, no Club Millers, em Haia. Na sequência, vem Marnix (Loveland) e Shane Kehoe (UK) especialmente para a ocasião.
Hensbroek, em entrevista exclusiva à nossa colunista, Patrícia Dias, fala da sua carreira como DJ e empresário e sobre a experiência de organizar a Ministry of Sound World Tour 2011 na Holanda.
Patrícia Dias – Thomas, como começou sua ligação com a música eletrônica?
Thomas Hensbroek - Desde a infância eu tenho paixão pela criação musical. Além de tocar instrumentos eu comprei muitos discos e CDs para eu experimentar. Quando eu tinha 15 anos veio o primeiro trabalho como DJ, e foi um mundo novo se abrindo para mim.
Fui residindo e o desenvolvimento em torno da vida de um artista começou a tomar forma. Desde então, eu não consigo mais deixá-la. Estou muito ocupado com a produção e organização de eventos e várias vezes por semana eu fico atrás dos toca-discos.
Patrícia Dias - Quando você comecou a atuar como produtor?
Thomas Hensbroek - Aos 17 anos, além de apresentações, eu queria ter meu próprio perfil dentro da indústria da dança, o que forçou minhas produções. Durante a semana eu passo muito tempo produzindo música. Fazer um bom disco requer tempo e experiência. Quanto antes você estiver satisfeito, pior soa o disco. Muitas vezes demora meses para eu estar realmente feliz com uma faixa. Nos próximos meses haverá uma série de novos álbuns lançados por várias grandes gravadoras.
Patrícia Dias - Qual análise você faz da cena eletrônica da Holanda?
Thomas Hensbroek - A cena holandesa é muito apreciada e reconhecida mundialmente. No entanto, nós holandeses não concebemos muito bem isso. Olhando para as diversas listas (a MAG TOP 100, por exemplo) pode-se perceber que a cena holandesa é fortemente representada no exterior. Atualmente, há tantos estilos musicais diferentes se desenvolvendo que não dá para dizer onde isso vai parar. A house music de hoje em dia é considerada música popular.
Patrícia Dias - Na Holanda, diferentemente do que acontece no Brasil, os DJs tem respaldo no jurídico trabalhista. No Brasil, o projeto de lei que tramita a regulamentação da profissão, não foi aprovado pelo ex-presidente. Se você tivesse voz ativa perante o Congresso Nacional Brasileiro, qual seria seu posicionamento sobre esse tema?
Thomas Hensbroek – Eu diria: Não subestime o que a indústria da música pode fazer por um país, neste caso, o Brasil. A música une as pessoas, estimula a economia e é de influência sem precedentes. Considere, por exemplo, o Amsterdam Dance Event, aqui na Holanda. Durante quatro dias, os artistas são ouvidos e o desenvolvimento dentro da indústria é analisado. Além desses interesses, o que realmente já deveria ser suficiente, eu ainda recomendo que o brasileiro olhe para os direitos de um artista. Ser DJ deve ser verdadeiramente considerado profissão, se você olhar para o êxito que os disc jockeys podem atingir.
Patrícia Dias - Em quais artistas você se inspira?
Thomas Hensbroek - Erick Morillo, Roger Sanchez, Sebastian Ingrosso, David Guetta, Luciano & Mark Knight. Todos esses artistas tem seu próprio império dentro da indústria da música. Eles vendem tudo em quase todos os eventos e estão constantemente renovando, o que lhes permitem ficar no topo por muitos anos.
Patrícia Dias - Assim como o reconhecimento da Amsterdam Dance Event, o Rio Music Conference que acontece no Rio de Janeiro, já nas primeiras edições firmou-se como o maior encontro da música e do entretenimento no Hemisfério Sul. Como um empresário na área do entretenimento, o que você acha ser de fundamental importância para que se obtenha o sucesso esperado em um evento desse porte?
Thomas Hensbroek - Para mim o mais importante é que as pessoas estejam se divertindo durante o evento. Fazemos todos os esforços para otimizarmos a atmosfera e continuarmos a surpreender o público. Além disso, quando estou atuando como artista, penso que é meu dever que todo o equipamento esteja presente e produzindo o som perfeito, de melhor qualidade. O som geralmente é o maior e mais importante contato para se manter junto ao público. O som de um artista é tão importante quanto o gramado para um jogador de futebol, por exemplo.
Patrícia Dias- Qual equipamento e software você utiliza para masterizar e mixar?
Thomas Hensbroek - Crio música com o Logic Pro, um software que só funciona no Apple. Além de uma boa placa de som (M-Audio), os plug-ins são vitais. Todo mundo aqui tem suas próprias preferências e/ou disponibilidade. Bons equipamentos de estúdio são preciosos e fazer um bom disco não tem preço. Requer não somente o conhecimento como também muita experiência com os softwares.
Patrícia Dias - O que o público pode esperar da Ministry of Sound World Tour 2011?
Thomas Hensbroek - Uma noite única em que se usam facetas que se complementam e que fazem diferença em relação a outros eventos ou noites. Imagine um show de efeitos especiais, jatos de CO2, telas LED, laser show, etc. Além da experiência, pode se esperar house music internacional. House music desconhecida e inovada, surpreendendo positivamente o público.