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COLUNAS
Raphael Curvo - jornalista, advogado e comunicador
 
A Educação pede socorro
 
Data: 30/01/2011
 

 

Pode parecer exagero dizer que a Educação pede socorro, mas não é não. O nível educacional no Brasil está sofrendo um acentuado declínio e não sou eu quem diz isto, é a voz do resultado de avaliação. É a evasão das escolas de base e superior e principalmente, a ociosidade de vagas destas que nos dá o grito de alerta de que estamos em processo de perigoso retrocesso em relação a nossa juventude. O País avança por força alheia a sua vontade e mais pela pressão de alienígenas que, como gafanhotos, aos poucos estão devorando a nossa economia e os espaços deixados pela falta de profissionais nativos.

Isto é de uma clareza inconteste. Estamos sendo sugados em nossas riquezas minerais e agrícolas. Agora está em curso a tomada do nosso setor de serviços. Nada contra essa invasão que seria ótima se tivéssemos um povo preparado educacionalmente e que assim pudesse crescer e se aproveitar do momentâneo crescimento e concretizá-lo como algo perene e não eventual e passageiro. Vivemos a falsa idéia de que o consumo promovido a base de “doações”, via crédito ou outro viés, é um sinal de prosperidade e um crescer material constante. É uma herança maligna que, como metástase, se espalhou pelo corpo social da Nação.

O mercado da tecnologia que hoje recebe cerca de 40% dos investimentos mundiais não pode expandir no Brasil em razão da baixa, e praticamente desqualificada, formação dos nossos estudantes e profissionais. Dos muitos segmentos da área, alguns poucos apresentam razoável desenvolvimento em nosso País. Há pouco investimento e estímulo nesse campo da tecnologia e isso reflete na escolha dos jovens que mal chegam aos 10% de formandos para esse setor. A China, salvo engano de informação, tem no exterior cerca de 700 mil engenheiros fazendo pós graduação, uma grande parte na área da tecnologia voltada às comunicações. No Brasil pouco mais de 16 mil estão no exterior na busca de melhor formação. Muitos ficam por lá.

Há um engano que é repassado quase todos os dias para o povo brasileiro. Consiste, pelos dados econômicos alardeados, que o Brasil já tem sua economia consolidada e são apresentados resultados de consumo financiado em prestações sangradas na fonte dos salários. A vinda de investimentos especulativos dos que vem até aqui buscar o dinheiro fácil ante os juros pagos. A entrada de dólares pelas vendas das commodities que são representativas não pelo aumento de produção e venda, mas de preços, o crescimento na indústria que na verdade é recuperação da crise de 2008, aumento do emprego formal que foi consistente ante o aumento da fiscalização e da necessidade do empresário registrar seus empregados para obtenção de financiamento e a falsa idéia de que construindo universidades se resolve o problema da educação, da formação profissional.

O ministro da educação é incompetente e disto não restam dúvidas. Não houve avanço na educação que se possa considerar homogêneo, planejado, definido e com metas plausíveis e de eficaz concretização. A única grande inovação, se assim podemos dizer em razão de que o ENEM vem de há muito, foi a avaliação aplicada por esse sistema como forma de acesso às universidades federais. Transformaram essa possibilidade de acesso em um emaranhado de confusões e erros que mostram realisticamente a quem está entregue a direção da Educação brasileira, ao circo da incompetência. E os estudantes no Brasil continuam entrando e saindo das universidades ao som das ferraduras. É visível que a ociosidade de vagas nas Instituições superiores públicas e privadas é um clássico sinal de que mesmo com Prouni, o caminho é muito curto na vida universitária. A carência do saber não permite acompanhar e entender os enunciados acadêmicos e a frustração impede a realização do sonho do conhecimento.

De quem é a responsabilidade desse rosário de falhas e falta de comprometimento com a educação? Todos sabemos, mas nada fazemos. Aceitamos passivamente a continuidade do incompetente a frente do Ministério que é a alma da formação de uma Nação. Onde estão os letrados do Brasil que nada manifestam? Os próprios reitores que se dizem representantes da população universitária, onde estão? E os alunos que aceitam tudo, até o peleguismo da UNE? As grandes redes de TV e de comunicação que nada assumem, onde estarão? Leitores, ajudem, a Educação pede socorro.

 

  

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