A Presidente Dilma Rousseff parece que está se desligando de seu padrasto político ou querendo mostrar que os tempos são outros. O enquadramento imposto aos “aliados” foi bem perto dos princípios colocados por Maquiavel ao Príncipe. E não sem razão, afinal que alternativas consistentes os “aliados” tinham para apresentar no palco congressual. A resposta está clara: nenhuma. Todos os argumentos eram, e foram até o final, de cunho eleitoral. Em nenhum momento apresentou-se alguma inovação como proposta à melhoria salarial para servir de alguma forma como compensação a impossibilidade de aumento maior do que o proposto pelo governo diante das implicações deste. Pode parecer estranho, mas não podemos contestar a atitude da presidente com argumentos de mera oposição. É ser irresponsável ante o prenúncio das dificuldades que vamos passar dentro em pouco e que a lógica já nos dizia, de antemão, em razão da atitude ensandecida e insana de governo do ex presidente Lulla. O Brasil não passará ao largo da razão e da responsabilidade. Será cobrado.
A votação ocorrida na Câmara Federal mostrou o comportamento da classe política que é e sempre foi fisiologista na sua esmagadora maioria. Os situacionistas engoliram a seco as suas convicções em razão dos benefícios pessoais e atendimento dos seus interesses politiqueiros. Mesmo que tenham de algum modo acertado indiretamente no voto pelos motivos acima postos. A tentação impostas pela subserviência falou mais alto que a postura política. O povo continua dependurado no poder público e com isso naqueles que detém algum poder e que se transforma em provedor de suas mesquinharias.
É esta razão que leva a população eleitoral a sempre reeleger os candidatos. Daí a necessidade dos eleitos a fazer seus conchavos para, de alguma forma, manter-se vivo politicamente. O eleitor, em sua grande maioria, vive do favor destes políticos. Prova está que, apesar de muita fala e divulgação, milhares de candidatos “fichas sujas” por todo o Brasil foram eleitos. Isto quer dizer que valendo ou não para a eleição passada a lei da “ficha limpa”, nada influenciaria na intenção de voto do eleitor.
Provado ficou também a qualidade de conhecimento do eleitor brasileiro. O nível intelectual é muito baixo e por este motivo não acompanha seu voto a qualificação de sua avaliação sobre o candidato e o voto dado. Isto leva para baixo o nível qualitativo dos membros do Congresso Nacional. Muitos apoiados até por intelectuais que se justificam no emocional popularesco para dar base a sua atitude de resultado imediato, mas de conseqüências desastrosas a história e a vida do País. Gerações pagam, e caro, pelo ato irresponsável deste grupo social que deveria ser um mostruário de caminhos plausíveis ao povo.
Acreditar que a presença de Tiririca, e outros tantos iguais, no plenário da Câmara Federal vai introduzir a vontade popular nas ações do governo e de melhoria de vida é de uma inocência, para não dizer burrice, inadmissível. O brasileiro ainda desconhece o valor e importância do Congresso Nacional na vida do País. O desconhecimento das atividades congressuais o faz relegar a sua personalidade como Instituição para um segundo, e talvez terceiro, plano. Neste caso, Congresso Nacional, a primazia é da Instituição e não de seus membros que podem ser renovados.
Este desconhecimento permite aberrações de um indiciado em falcatruas e outras coisas mais, ser presidente da Comissão de Justiça da Câmara. A anomalia do sistema eleitoral permite que este presidente tenha chegado ao legislativo federal “tragado” pelo voto da coligação, no caso do Tiririca. Este homem vai ocupar uma das mais importantes comissões do Congresso Nacional. É o retrato real do Brasil. O assessor da presidência foi o foto copiador do extrato bancário do Francenildo, do caso Palocci e se justifica que foi a mando, ou seja, os pistoleiros não são culpados pelos crimes que cometem. Em meio como esse, não é difícil tomar certas atitudes com o cetro do poder na mão. Daí o enquadramento.