Lendo os escritos de Arnaldo Jabor sobre mercado em que a alegria é o produto a ser produzido e consumido como qualquer outro encontrado nas vendas e supermercados, voltei meu pensamento para a China, a segunda maior economia do mundo com PIB de mais de seis trilhões de dólares e uma reserva em caixa de cerca de três trilhões de dólares. É um crescimento considerável em relação ao tempo em tudo isso se processou, pouco mais que duas décadas. Nesta última a China cresceu aproximadamente seis vezes mais que o Brasil. Mesmo que ainda muito longe dos valores da economia americana, a maior do mundo, que tem um PIB de quase quinze trilhões de dólares, a China continua em ritmo frenético de crescimento e expansão da qualidade de vida para a população. Já são por volta de 600 milhões de chineses que conseguiram um pequeno lugar ao sol.
Muitos vão dizer que para a economia chinesa chegar aos valores americanos é uma questão de tempo. Pode ser uma vez que a meta do governo chinês é voltada a investimentos de alto grau no desenvolvimento de tecnologia. Isto sem falar na absorção daquelas que para lá são levadas pelas indústrias dos Estados Unidos e boa parte do seu capital tecnológico inovador. Milhares de empresas americanas, que já passam de 80 mil são atraídas para o solo chinês em razão das reais possibilidades de altos lucros o que não acontece em solo americano. Estas empresas made in USA invadem o mercado mundial como maior facilidade pelas condições incomparáveis de preços com os praticados pelos produtores da terra do tio Sam. Esta engrenagem, ou parte dela, é que leva a economia americana a andar em passos lentos na sua recuperação. Por ironia, a China é obrigada
a financiar o governo americano de forma a manter a sua exportação em alta. Afinal o consumidor americano coloca no mercado em torno de oito trilhões de dólares em circulação todos os anos.
A China cresce, mas há um outro crescimento muito maior que a economia, apesar desta alimentar a outra que é a indústria do lazer, da cultura. Milhares de grupos culturais se formam diariamente pelo território chinês. Casas noturnas, parques etc. estão a pleno vapor e existe no consciente chinês a estrutura, o pilar de que é preciso viver e se expandir na qualidade de vida sem, entretanto, a obrigação de produzir felicidade que para eles está incutida na sua forma de viver os seus valores e se divertir com o que é possível. Não entra no seu modo de vida a necessidade consumista como fator fundamental de felicidade. Esta é uma conseqüência do seu modo interior de ser. Enxergam com olhos coloridos e em muitas cores tudo que para a visão do ocidental há uma necessidade de ser impulsionada por algo externo e de consumo da sociedade.
Não foi, como escreveu Jabor, customizada pelos valores da vida da sociedade americana, o padrão do mundo. Ocorre que, se por um lado há essa barreira cultural para frear o modus vivendi americano, razão da alta poupança dos chineses, por outro há um ponto de valor considerável e que, talvez, vá manter por muitos anos um equilíbrio nessas duas condições de viver. Com a invasão das empresas capitalistas no mercado comunista, o processo político, econômico, de mercado etc. exige uma integração de governos e interesses que formatarão, já escrevi isso em artigo anterior, a política no mundo, seja em que aspecto for. Vai demorar ainda um longo tempo para que a China se liberte da tecnologia americana e de suas empresas trans e multinacionais que apresentam uma inovação e produção de tecnologia em ritmo muito superior que as empresas chinesas.
E nós? Como estamos nesse papel de inovação e evolução tecnológica? Como anda nossa educação para levar nossas gerações e, como conseqüência, o crescimento empresarial a patamares aceitáveis? Até quando vamos ficar catando minhoca para o pescador em troca de um peixe? Enquanto a nossa educação for entendida como processo político e não de formação
de capacidades, ficaremos à margem da evolução mundial que dá um sopro aos brasileiros pelo dinheiro especulativo que aqui aporta e pelas commodities minerais e agrícolas. No mais, seremos apertadores dos parafusos dos equipamentos que de lá chegam e fazem a alegria do povão, muda até a classe social. Tem nada não, pela Sapucaí passarão em breve nossos valores.