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COLUNAS
Elaine P. Morais - "Natural de Belo Horizonte, vive na Holanda desde 1998, atualmente em Amsterdã. Estudou Letras na UFMG, tem Bacharelado em Facility Management na International Business School, Hanzehogeschool de Groningen e curso de Intérprete para o Tribunal de Justiça pelo SIGV. Na Holanda trabalhou como Intérprete e Tradutora de Holandês e Português, como Coordenadora de Logística e atualmente trabalha na área Financeira. É cantora amadora, com experiência em Canto Coral e em bandas de MPB e Bossa Nova.
 
Alessandra Leão no Tropentheater
 
Data: 28/02/2011
 

Alessandra Leão no Tropentheater, dia 27 de Fevereiro de 2011

 

A cantora e compositora Pernambucana, Alessandra Leão é percussionista, compositora e cantora. Iniciou sua carreira em 1997 com o grupo Comadre Fulozinha. O seu ingresso no Comadre Fulozinha foi como percussionista, mas ali se iniciou o processo de composição e a descoberta do seu potencial como cantora.

O início do seu trabalho autoral se deu com o álbum “Brinquedo de Tambor”, em 2006, em parceria com o violeiro, compositor e arranjador Caçapa. O projeto para o segundo CD solo, “Dois Cordões”, produzido e arranjado por Caçapa, foi selecionado no Programa Petrobras Cultural e patrocinado pela Petrobras por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Ambos CDs foram recebidos com elogios pela crítica e público.

Alessandra e banda terminaram com este show, no Tropentheater em Amsterdã, a curta turnê pela Holanda e Bélgica. Além de Amsterdã, apresentaram-se também em Antuérpia, Roterdã e Utrecht. A banda composta por Alessandra Leão, voz e percussão; Caçapa, guitarra de doze cordas, arranjos; Homero Basílio, percussão (ilu melê, caxixis); Carlos Amarelo, percussão (ilu melê, tama, triângulo); Guga Santos percussão (ilu yan, tama), canto; Rodrigo Samico, guitarra de sete cordas, canto e Hugo Linns, guitarra de seis cordas, canto, regressa ao Brasil na próxima terça-feira. 

A sala principal do Tropentheater não estava lotada, o público em sua maioria era Holandês, uma exceção em shows de artistas brasileiros na Holanda. Eu não conhecia o trabalho da Alessandra, só havia escutado duas músicas e não sabia o que me aguardava. Conversei brevemente com a Alessandra no final do show e confessei a ela que me senti bastante perdida ao tentar definir o que tinha visto e ouvido. Geralmente quando assisto a algum show de um artista brasileiro, consigo definir o estilo, as influências, as misturas. Sei de onde veio a música e mais ou menos aonde ela quer chegar. O show da Alessandra foi surpreendente, as composições inovadoras e os arranjos riquíssimos. Do começo ao fim a música mexeu com o meu corpo pela mistura de ritmos e com a minha emoção pela autenticidade das canções e da cantora com sua voz de peito e jeito de cantar tipicamente nordestino. Reconheci o Côco, o Samba de Roda, o som da Umbanda e do Candomblé, as influências do Maracatu e do Frevo. Mas, além disso, também reconheci o Rock nas guitarras elétricas, mas não reconheci a mistura, eu ainda não havia escutado nada como aquilo. 

Alessandra me explicou que realmente a base do trabalho deles é o Côco, o Samba de Roda e o Candomblé Pernambucano e que o seu som é mesmo típico Nordestino, mas que tem influências mil, como a música Africana, a Latino-Americana e também o Rock Britânico. Ela me disse que seu trabalho de composição começa com a melodia, o canto; a harmonia e os arranjos são feitos por seu marido Caçapa. Eles gostam de trabalhar com um conceito, como a dualidade, que foi usada no CD Dois Cordões.

No show foram tocadas músicas dos dois discos, ambos fartos em contraponto, tipicamente europeu e música Africana, polifônica e não harmônica. Uma mistura de tradição musical da Zona da Mata com guitarras elétricas, contraponto e polifonia. 

Observei a reação do público durante o show, em princípio, pareceram frios, mas à medida que o show foi se desenrolando mais aplausos, gritos e risos foram brotando da platéia que aplaudiu de pé e pediu bis. Um bis impressionante, repetindo “Cabloco”, com percussão vibrante de Candomblé. Alessandra conquistou pela música, pela simpatia e pela simplicidade e autenticidade. Desarmou o público com suas tentativas de se comunicar em seu Inglês básico, seus sorrisos e seu remelexo. 

 

 

Novelo de lã

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