E o Barack Obama veio até nós, aleluia. Está chegando a hora de cobrar pelo estrago que nos fez ao chamar o ex presidente de “o cara”. Foi o marco mais agudo das trapalhadas nos oito anos de governo. Acreditou até que poderia ser o secretário geral da ONU. Obama sofre os efeitos da sociedade moldada para a guerra. A sua visão de governo voltada para a política social é inaceitável para a indústria bélica dos Estados Unidos. É com base nessa estrutura, bélica, que os americanos tem dado, durante anos, impulso a sua evolução econômica. Ela é a ponta de lança de todo crescimento tecnológico americano, até mesmo na área da saúde, por incrível que possa parecer. Sendo assim, retirar tropas do Iraque, reduzir a intervenção americana nas questões e conflitos internacionais é algo indigesto para os falcões que dominam esse setor. Cerca de um terço da riqueza dos Estados Unidos provêm da máquina de guerra.
Mesmo na maior crise pós 1929, a economia americana ainda é maior três vezes que a segunda economia do mundo, a China com mais de 5 trilhões de dólares de seu PIB. Nos Estados Unidos, em seu mercado interno, circulam mais de 8 trilhões de dólares anualmente proveniente de consumo que em 2008 chegou nos 9,8 trilhões. Segundo informações, na economia chinesa este valor não ultrapassa a casa dos 700 bilhões de dólares. Acredito que pela poupança forçada do povo. Evidente que são números que facilmente serão superados num crescente pelos chineses, um povo em crescimento econômico inteligente e veloz. Inteligente a tal ponto que o fez deixar de lado seu posicionamento ideológico conflitante com economia de mercado e se agarrou com unhas e dentes ao mercado americano. Hoje é um dos seus maiores credores.
Nós, em razão das inteligências que durante oito anos detiveram o cetro do poder, invertemos o processo comercial com os Estados Unidos. Antes éramos importadores de matéria prima do mercado americano e exportadores de produtos acabados e com valor agregado o que gerava empregos e desenvolvimento do nosso parque industrial. Hoje exportamos para a China matéria prima e lá se dá o processo de geração de empregos e riqueza com a transformação destes produtos primários com valores agregados e os enviam para nosso consumo. Os carros chineses estão chegando no mercado. Estas ações do governo brasileiro liquidaram com nossa participação no maior mercado consumidor mundial e nos levou a um mercado de economia com visão interna e exportadora que é o chinês. Para não ficarem na dependência de mercados externos, os chineses estão em plena expansão de seus investimentos em países que possam servir de defesa nas commodities agrícolas, seu ponto fraco.
O Brasil, em sua arrogância de desenvolvido, tenta construir uma nova política mundial nas relações comerciais, esquecendo de consultar seus números no caderno de exportação do bolo mundial no qual sua participação não ultrapassa a 1%. Coloca o ranço ideológico dos governantes a frente dos interesses da Nação, do povo. Há sinais de que a presidente vai mudar o rumo dessa política. Acreditar que o MERCOSUL é a salvação da nossa economia industrial é o mesmo que ficar esperando pelo papai Noel entrar pela janela. Achar que está na África o mercado promissor para os próximos 100 anos, é acreditar na plantação de feijão espacial que nos custou mais de 150 milhões de reais pelo passeio de nosso astronauta.
O Barack está aí, a oportunidade de tomarmos rumos diferentes se apresenta mais uma vez e cabe, não só ao governo, mas a todo setor empresarial criar campos positivos para essa mudança. Não dá mais para ficar brincando de rançoso e fazendo birra e beicinhos. Temos que amadurecer a nossa política comercial internacional e entender de vez o mundo globalizado. É preciso retirar do governo mentes como a do ministro Lupi que só faltou vibrar com os acontecimentos no Japão e dizer que para cada japonês morto mais uma saca de arroz exportada. É isso que passou pela cabeça dele. O Brasil não pode mais suportar homens de baixa envergadura na equipe de seu governo. Homens que procuram fazer de um esforço nacional, uma vitória pessoal. A vitória foi do solo e do homem brasileiro que há muito tempo vem produzindo riquezas agrícolas e minerais. Governo não produz riqueza, só consome.