Show em Amsterdã no dia 24/03/2011
Tenho que começar dizendo que o show foi maravilhoso, foi mesmo emocionante. Que os músicos, Pedro Figueiredo na flauta e Saxofone Tenor, Daniel Sá no violão e Vitor Peixoto no piano, impressionam pela habilidade nos seus instrumentos e pela musicalidade. Todos virtuosos. O Renato parece um Yogi, comentou uma amiga ao vê-lo entrar no palco da Kleine Zaal do Tropentheater com sua postura ereta e aparência totalmente tranqüila e confortável; suas bombachas e alpercatas e seu inseparável chapéu. Foram quase duas horas da melhor música instrumental, me senti privilegiada de ter a oportunidade de assistir a este concerto tão íntimo.
Renato Borghetti lançou seu primeiro CD em 1984, um sucesso, mais de 100.000 cópias vendidas, o primeiro disco de ouro da música instrumental brasileira. Um êxito popular surpreendente para um músico instrumental que faz música essencialmente folclórica do Rio Grande do Sul. Desde então se tornou referência na Gaita Ponto, um instrumento da família do acordeon, mas menos popular que este, talvez por ser limitado, este é diatônico, não tem todos os tons e requer muita técnica, habilidade e fantasia ao tocar. Fantasia e habilidade que não faltam ao Renato, que toca como um mestre. Seu repertório essencialmente composto por música Gaúcha (Milonga, Chacarera e Chamame) é misturado com influências da música pop, do Jazz, da música de Câmara, do Samba e do Tango. A mistura criou obras primas como Milonga para as Missões, Cumplicidade e Entardecer no Pontal. A carreira internacional de Rento Borguetti também é sólida, ele se apresenta regularmente em festivais e casas de Jazz da Europa e Estados Unidos e tem um público fiel que o acompanha. Só em março o quarteto se apresentou em além de Amsterdã, na Bélgica, Alemanha, Suíça e França.
Voltando ao concerto, Renato e seus músicos além de darem um show incrível com seus instrumentos e sua música também pareciam se divertir bastante e brincaram entre si e com o público fazendo duelos com seus instrumentos, ora Renato e Daniel, ora Renato e Pedro, ora Vitor e Pedro.
Tive a impressão que o público que ali estava, conhecia o seu trabalho e se sentia como eu, privilegiado em poder ouvi-lo de tão perto. Foi um concerto inspirador, que me deixou com vontade de voltar ao Rio Grande do Sul para entender de onde veio esta música e este músico tão talentoso.
