26/03/2011 Amsterdam - Beurs van Berlage
Ivan Lins dispensa introduções, ele é um músico consagrado nacional e internacionalmente, com 33 anos de carreira, 29 elepês e CDs e com inúmeros hits gravados, por exemplo, por Elis Regina e Simone, duas grandes intérpretes da sua obra. Duas das maiores cantoras de jazz de todos os tempos, Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan também gravaram suas canções.
O concerto no Beurs van Berlage em Amsterdã comemorou o prêmio Grammy de melhor álbum de MPB de 2009 pelo CD gravado em 2008, Ivan Lins & Metropole Orchestra sob a regência do Maestro Vince Mendoza. Uma colaboração entre a música brasileira do Ivan e a orquestra holandesa. Ao Embaixador Brasileiro na Holanda, José Artur Denot Medeiros, foi concedida a missão de entregar os diplomas do Grammy para os músicos da Metropole Orchestra, o que fez com muita simpatia em cerimônia oficial no intervalo do show.
O CD de 11 faixas foi apresentado em sua integridade e soou maravilhosamente, provando a fantástica possibilidade da mistura pop/jazz/música erudita. Ele inclui canções consagradas como “Começar de novo”, “A gente merece ser feliz” e “Daquilo que eu sei”, além de “Let us be always” e “Art of survival”, duas canções do Ivan em inglês gravadas na voz de uma das melhores cantoras holandesas da atualidade, Trijntje Oosterhuis. Os arranjos cross over misturam a bossa, o jazz, o pop e a música erudita. Além do acompanhamento da orquestra o concerto/cd contou com a participação, na guitarra, do músico Uruguaio Leonardo Amuedo, no sax alto, de Marc Scholten e na bateria, de Martijn Vink criando possibilidades infinitas para os excelentes arranjos e improvisos.

Ivan parecia curtir muito estar tocando com a orquestra e com os músicos convidados. Emocionou ao cantar “Começar de novo” quase sussurrando, deu um show de interpretação em “Arlequim desconhecido”, cantou as duas canções em inglês com uma familiaridade de quem sabe e agitou a sala com o xote “É ouro em pó”, com um arranjo surpreendentemente balançante. Fechou atendendo ao pedido do público cantando “Madalena” só com voz e guitarra e dizendo para orquestra: me deixa fazer esta para os brasileiros? Simpatia e simplicidade cativantes para um artista de tão grande porte como Ivan. Se havia algum estrangeiro na sala que não conhecia a obra do Ivan ou a qualidade e sofisticação da música brasileira, nesta noite teve uma apresentação de primeira qualidade.
