O governo brasileiro como sempre escrevi em meus artigos, vem se sustentando no desempenho crescente das commodities, principalmente minerais. Não quer dizer que este crescente está no aumento do volume de exportação que tem refletido queda, mas em contrapartida os preços são inversamente proporcionais. Crescem a cada trimestre e de forma robusta. Há um mercado em expansão puxado pela economia chinesa e hoje o Brasil já tem mais de 70% de sua economia sustentada pela exportação de matéria prima, apenas com alguns minúsculos setores agregando certo valor como é o caso dos Jeans.
É enorme o risco de uma economia, como a brasileira, que aos poucos vai estagnando seu parque industrial e buscando seu sustento em segmento que gera pouco emprego e que a qualidade de mão de obra não seja uma exigência o que poderia elevar os ganhos salariais. Até porque, a tecnologia empregada não demanda grandes investimentos nacionais. A China importa o minério e o transforma em aço e outros produtos. Mesmo importando a matéria prima para a construção de plataformas petrolíferas, estas tem o seu preço de mercado cerca de 30% menor que os previstos para construção no Brasil. Há algo de errado nisso. Está desvirtuada a condução da política industrial brasileira. Em todos os setores industriais do Brasil existem falhas nos mecanismos de produção porque não é possível que até um produto americano tenha menores custos de produção que o nosso, apesar de todo o peso salarial existente na contratação de um empregado americano, muito superior ao brasileiro.
Qual a justificativa de um automóvel americano infinitamente superior ao nacional custar 15 mil dólares e um similar aqui produzido chegar aos 25 mil dólares? Qual a razão do litro de nossa gasolina ter o preço de 2,78 reais e na Argentina ser mais barata? Na Argentina 1 litro de gasolina de alta octanagem custa R$ 1,45, a super R$ 1,15 e a comum R$ 1,00. Só pode ser em razão de que a nossa gloriosa Petrobras exporta para lá a R$ 0,65. O Interessante é que a Petrobras está importando álcool e gasolina também. É um samba de crioulo doido.
Mesmo com a enxurrada de dólares, temos uma economia fraca que está se sustentando nesse dólar especulativo que compõe grande parte dos investimentos externos oriundos, em grande parte, dos próprios brasileiros. É notório que a maioria deles, empresários considerados grandes e gozadores de alta estima no governo, estão fazendo tais empréstimos a juros de 0,5% no exterior e aplicando no mercado financeiro interno, desconfio até do Sr. Mantega. Muito dos investimentos externos estão vindo por esse duto e direcionados a compra de carteiras de ações e societárias. Como o governo federal precisa manter a máquina azeitada com recursos, o aumento de impostos sobre essas operações só tem uma finalidade: o caixa do governo. Não importa se tal situação esteja destruindo a economia produtiva brasileira. O nosso mercado interno está contaminado por produtos estrangeiros que competem de forma injusta com o similar nacional.
Com juros nas alturas, o campo é fértil ao dinheiro internacional. Não é difícil entender que a valorização do Real e irreal. A nossa moeda está sem lastro para esse patamar. Este lastro não é somente financeiro e industrial. Ele também é composto pela ausência de competência, de tecnologia e pesquisa, de formação intelectual e acadêmica, de profissionais qualificados e por aí vai. Deu na mídia que o governo não conseguiu, em quase um terço do ano, gastar mais que 0,25% dos 40 bilhões de reais destinados ao PAC. É visível que a equipe não tem preparo para estar onde está: na estrutura do governo.
O que está me parecendo é que o governo não anda muito preocupado com os índices inflacionários já que fazer corte e queda de consumo resulta em redução de arrecadação. Com a importação em alta segura o preço interno dos produtos mesmo que, com isso, solape o nosso parque industrial. Preço baixo e crédito em abundância é a receita da cicuta que vamos tomar em breve. É preciso uma providencia seria, a inflação pousou.