Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, reforma é quando se busca mudança, forma nova, melhorar, aprimorar. Interessante que apesar de tanto se falar em reforma, nada se reforma. Na verdade o que acontece são composições e acertos que nada ou quase, tem a ver com reforma. As “reformas” na área política, por exemplo, são acertos de interesses meramente da classe sem qualquer objetivo de melhorar, aprimorar. A reforma política está restrita a alteração de enunciados e nunca de conteúdo e mesmo até, de forma. Gira-se o quadrado e tão somente isso.
Para acontecer uma reforma política, esta teria que ser precedida pela pressão social via avanço cultural e de posicionamento da população perante as Instituições que tem, por princípio, zelar e defender a normatividade das regras de conduta e do bem estar. Acontece que no Brasil, dada a fragilidade da formação educacional e cultural do povo, tudo isso acontece em causa própria. O povo vive para o Estado, o que desfigura a essência da organização social em que o Estado existe para resguardar os interesses da Nação, contidos em suas leis, cultura, educação e por aí vai.
Como essa fragilidade é imperativa na formação da população brasileira, esta não tem alcance compreensivo dos atos e fatos que dominam e fazem girar a ciranda política. O Governo se reveste de defensor e ordenador da vida do cidadão impondo comportamentos e conceitos dentro do seu campo de interesse e com isso fragiliza a possibilidade de tomada de decisão pela população que, por outro lado, acata sem nem mesmo saber em que final vai dar a atitude dos governantes. Então, quando se fala em reforma, o sentido se torna acomodação e não mudança, forma nova de existir.
É neste contexto que surgem os programas sociais, uma proposta de acomodação e cooptação da população pobre que é induzida a acreditar que realmente tem um novo patamar social. Como é fragilizada, acata com lágrimas nos olhos os benefícios e agradece ao governo por ter olhado por eles, mal sabendo que essa é a obrigação do Estado, está explicita nas normas legais que o criou e o mantém. A população pobre desconhece que ao comprar um quilo de arroz está contribuindo com seu dinheiro, através de impostos, com a manutenção, além da máquina administrativa, dos políticos legislativos, congressuais, executivos e até com o judiciário.
Essa fragilidade educacional e cultural que impede obter informação e processar conhecimento é que permite a reforma do Código Florestal, entre outras, por exemplo, acontecer sem a verdadeira digital dos maiores interessados: a população brasileira. Audiências públicas, etc. e tal, são artifícios que se utiliza a classe política para na verdade defender interesses grupais, tipo Ong’s que defendem as aspirações internacionais de estagnar a produção brasileira na agropecuária. Outros maiores interesses também vigoram na formação do texto do código. Eles têm procedência na classe dos grandes agropecuaristas que antes do interesse coletivo estão os seus. O coletivo está na defesa do meio ambiente.
É também essa fragilidade que permite a permanência da situação calamitosa em que se encontra o sistema educacional brasileiro e impede reforma responsável na fonte do sistema educacional. Ao governo o que interessa é gastar dinheiro com a rubrica de investimento. Como os olhos da população não processam que só construir escolas não se vai a lugar nenhum, os governantes continuam investindo em obras físicas as quais não exigem maiores esforços de processamento e com isso facilitam a cooptação de votos e resultados políticos. É sabido que o cerne, a fonte da educação brasileira está na formação dos profissionais da educação que saem das universidades ao som das ferraduras em razão da falta de investimento na sua capacitação. São eles as peças fundamentais do futuro do Brasil.
Nem seu Lulla, FHC e menos ainda Dilma poderão forjar uma grande Nação sem o alicerce da Educação. Aprimorar com mudanças de maneira a trazer forma nova é que se pode considerar como reforma. Como educar não é visível e de resultados de curto prazo, as reformas na área da educação continuarão restritas as construções, compras de materiais e ginásios de esportes. Caso o povo tivesse um pouco de percepção e atividade intelectual, muitos não fariam parte da nossa política, incluso Lulla.