Seriam cômicos se não fossem sérios os escritos de José Simão ao expressar que “o Supremo liberou. Os véinhos tão doidão! Supremo e Fernando Henrique. Eu vou lançar a maconha geriátrica para melhor idade”. Não dá para entender o que está acontecendo com o Supremo Tribunal Federal-STF nestes últimos tempos. Depois de Battisti agora a maconha. O argumento em que se baseia para liberar a marcha pela maconha é a liberdade de expressão que seria válida não fosse tal marcha uma luta por uma causa e não por um modo de expor pensamentos, idéias ou manifestar-se pelos atos de cultura. A marcha por uma causa, motivo do movimento, tem por objetivo fazer com que se concretize um fato, que algo exista. Quer determinar um acontecimento. Implica em mobilização que é uma ação física de imposição contra norma expressa e legal. Dentro dos fundamentos da decisão do STF, realizar quebra-quebra em suas dependências não pode ser considerado ato ilícito se for pré-fundamentado como ação de expressão popular.
Ao permitir tal movimento, o STF está enviando sinais de que poderá sim vir a ser legalizado o uso da droga. Basta que tais usuários, que podem e irão ser financiados pelo tráfico e seus cartéis, comecem a marcha contra a regulamentação legal que proíbe o uso das drogas. A primeira etapa para tal já foi vencida. A Constituição Federal em seu Título II, capítulo I, art. 5º - II, reza que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. A lei existe e proíbe tal movimento. Em seu inciso IX diz que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação independente de censura ou licença”. Onde a marcha da maconha se encaixa aí? Considerar a marcha como comunicação é transformar Tiririca em Veríssimo. É concordar que ética também existe no crime, na bandidagem.
O que mais me chama a atenção é que o STF não tem sido eficiente no combate a corrupção como foi unânime na liberação da marcha. Acredito que a melhor atitude da presidente Dilma nos dias de hoje é convocar o Congresso e Judiciário e fazer uma proposta: Vamos obedecer de hoje em diante o que preceitua a Constituição Federal? Respeitar as leis e toda decisão emanada pelos tribunais? Vamos revigorar moral e eticamente o corpo político, jurídico e administrativo do Brasil? Não creio que melhor atitude poderá exercer a presidente. Chegamos ao ponto do “êxtase” do sofrimento. Estamos nos organizando economicamente, mas destruindo a célula que dá organização ao resultado.
É preciso mais seriedade nas atitudes das Instituições que organizam o País. Elas estão a caminho de esgarçamento e com ela o social. Daí atos de vandalismo com o dinheiro público. A perda de respeito e medo até daqueles que deveriam zelar pela coisa pública como é o caso dos acontecimentos com relação às obras públicas, o superfaturamento legal exposto pela revista Veja. A tramóia está dentro do corpo administrativo do governo e o dinheiro some sem qualquer conseqüência e penalização aos atores tanto externa como internamente ao poder publico. A presidente precisa convocar essa reunião. É uma tentativa de moralização e do vigor da lei.
Para processar avanços de contenção a essas imoralidades, a presidente obrigatoriamente tem que abrir os olhos para a Educação brasileira e tomar por base o que de bom está sendo feito nas políticas educacionais de outros países. Construir o Brasil de forte alicerce educacional evitará todos esses males que hoje proliferam em razão do fosso de aprendizado dos últimos anos que jogou no lixo varias gerações. O fato constatado em um programa de TV no domingo último me trouxe lágrimas nos olhos ao ver que todo o auditório não sabia quem proclamou, em que dia e ano, a República. Essa é a atual juventude brasileira que não sabe quais países são fronteiriços ao Brasil e muito menos escrever e ler corretamente, raízes para outras marchas das drogas. Socorro presidente Dilma.