Por Simone Westerduin
Madrugada de sábado tive mais uma experiência negativa com táxis por aqui. Por volta das 4h resolvemos pegar um táxi na estação Den Haag HS. Existe uma fila com táxis em frente à estação. Alguns táxis nem se davam ao trabalho de abrir a janela quando nos aproximávamos, outros quando informados sobre destino se recusavam a nos levar, diziam que era muito perto, não compensava (dessa estação até a nossa casa são 5 min. de carro ou uns 25 min. a pé, estava chovendo, estávamos cansados e não queríamos andar por aquela região da HS - aka Cracolândia). Quando algum da longa fila de táxis se interessava pelo destino, ele prontamente informava o preço: 15 euros! Veja bem, eu não me importo de pagar, mas quero ver o valor no taxímetro. Recusei dois com esse valor e no terceiro eles me venceram pelo cansaço, aceitei pagar antes de entrar no táxi (no mês passado fiz essa mesma rota de madrugada e paguei 8 euros, valor do taxímetro). O taxista nos deixou em frente ao ponto de referência, não em frente a nossa casa, quando eu reclamei com marido, ele disse: "ele já estava com dificuldade de achar esse ponto, imagina o nosso endereço'. Sim, caros leitores, ele não seu deu ao trabalho de ligar o GPS e ainda ficou nos perguntando sobre como chegar. A-b-s-u-r-d-o.
A primeira experiência ruim aconteceu em janeiro do ano passado. Voltando à noite com uma amiga pro meu antigo endereço (dessa vez com o taxímetro ligado), informei o endereço, o taxista perguntou sobre um ponto de referência, informei que era próximo a divisa com um outro município aqui. Veja bem PRÓXIMO. Quando percebi que estava passando por lugares que nunca vi antes, perguntei onde estávamos e ele disse que estavamos no município informado. Tomei um susto e disse que ele estava nos levando para o lugar errado, deveria usar o GPS. Ele então colocou o endereço que informei no aparelho e pegou a rota correta. Tivemos que pagar pelo caminho errado e pelo caminho correto sem choro, mas eu ainda acredito que ele fez isso propositalmente para cobrar mais e "fazer valer a pena" a corrida.
A pior experiência de todas aconteceu no Dia da Rainha do ano passado (abril). Também durante a madrugada (isso deve ser algo comum), começou a chover muito e todo mundo queria ir embora ao mesmo tempo. Demoramos quase 1h no meio da multidão que se acotovelava por um táxi em frente a Centraal Station. Quando finalmente conseguimos um táxi, combinamos o preço (que já estava muito alto) informamos o endereço e no meio do caminho, assim out of blue, o ordinário do taxista informou que daquele ponto em diante o valor era outro. Ãham? Isso mesmo! Nós descíamos ou combinávamos um novo preço para ir adiante. Fiquei tri-li-li da vida e chamei ele de desonesto, ele se alterou e mandou agente descer do carro, eu disse que ia descer, mas que iria anotar a placa e reclamar formalmente junto a prefeitura. Quando já estava com a porta do carro aberta, ele arrancou com o carro e disse que iria nos levar ao destino. Eu gritei pra ele parar porque eu queria descer de qualquer forma, Iwan também pediu pra ele parar o carro imediatamente e eles começaram a discutir. O taxista me tira uma barra de ferro debaixo do banco e fala para o Iwan ficar calado. MEDA total! Entrei em pânico, comecei a chorar, falei que ia ligar para polícia com o meu celular, ele se vira e diz que eu deveria voltar pro meu país, no que eu respondi: Você também não é holandês, volta pro seu! (desculpem agora sem querer generalizar, mas ele era ou marroquino, turco ou adjacências e o de sábado era indiano, até na musicalidade no último volume dentro do carro). Nos deixou na porta de casa debaixo de muitos xingamentos. Foi um terror. Nunca pensei em passar por algo assim. O pior é que eu não sabia nem o que fazer sobre isso, eu estava tão nervosa que não anotei placa e nem sabia como fazer algum tipo de reclamação sobre o ocorrido.
Depois disso tudo, eu tenho receio de pegar táxis por aqui. Conversando com o marido sobre isso, ele disse que é comum taxistas aqui combinarem preço antes da corrida e/ou informarem sobre o valor quando você diz o destino. Ele também desconhece a nossa famosa bandeira 2 ou algum tipo de treinamento para taxistas. Como eu não sei como isso funciona por aqui, continuo fula da vida com essa espécie de cartel, não acho justo ouvir um preço assim que digo o destino, não me sinto segura quando o taxista não tem ideia de como chegar ao endereço, como vou saber se ele sabe usar o GPS? Se alguém souber como funciona isso aqui na Holanda, sou toda ouvidos pra tentar entender. Já ouvi dizer que em Londres existe um teste para se tornar taxista e isso inclui conhecer bem as vias da cidade.