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COLUNAS
Raphael Curvo - jornalista, advogado e comunicador
 
BNDES, preciso de 5 bilhões
 
Data: 01/07/2011
 

O BNDES está virando casa de “mãe Joana”, mas só para os ricos. Lembro-me quando atendi um empresário no período em que atuei no escritório de Luiz Eduardo da Gama e Silva, Gama & Gama Advogados, no Rio de Janeiro. Dizia ele que a melhor forma de atuar junto aos bancos, principalmente oficiais, é dever muito. Sempre vão te arrumar mais alguns porque o medo de que você quebre é grande e ninguém quer assumir esse passivo, gerente nenhum. Mantenha sempre sua dívida alta e terá o banco muito solícito, pronto para novos aportes. 

A facilidade que os administradores do dinheiro público tem para realização de benesses só encontra similar na Venezuela e Cuba. Como são “companheiros”, tal procedimento está sendo importado e adotado em larga escala e em todos os níveis da administração do Brasil, vide obras da Copa do Mundo, obras do setor elétrico, financiamentos oficiais, liberação de emendas e por aí vai. Percebe-se que a presidente tem lutado para conter os tais procedimentos instalados no governo anterior, o qual os transformou em corriqueiros, normais. São visíveis os paredões impostos à presidente pelo grupo que forma a “base” de apoio a sua administração. Tentam a todo custo manter o toma lá dá cá do governo Lulla. Já não existe na face, ou melhor, na cara de qualquer parlamentar da base governista o mínimo rubor em transformar sua atuação e do congresso em um grande campo de negociatas e de favores. 

Este comportamento dos congressistas, em sua maioria, obriga o empresariado a trabalhar por caminhos escusos, não justificaveis, como forma de viabilizar sua empresa e então criar atalhos que possam favorecê-los na execução de obras públicas. Dessa forma é que surgem as situações expostas pela revista Veja sobre o superfaturamento nas obras do governo. Chegaram a maestria de fazer do ilegal um procedimento legal e que não estava deixando pistas de como agiam para ganhar e ter dinheiro para pagar as comissões às ratazanas. O preço mínimo oferecido pelo governo nas licitações já estava superfaturado. Coisa de mestre. 

Refem de grupelhos/camarilhas comandadas pelos Sarney, Collor, Renan, Barbalho, Jucá e turma, a presidente Dilma tem demonstrado capacidade de, aos poucos, minar a resistência desse setor podre da nossa política. Tenho percebido que ela sempre está postergando certas atitudes como forma de dar sinais que algo vai ser mudado, apesar de levar algum tempo. Este tempo poderia ser menor não fosse a participação do ex presidente que demonstra apoio as atitudes dos congressistas que vivem e sobrevivem mamando nas tetas do governo. Eu creio e não acredito estar errado, que a presidente não irá demorar muito em começar a mudar o rumo da política no Brasil. Não é difícil notar que um terço do Congresso é o grupo que provoca todos os desvios de ética e de respeito com a coisa pública. Ao adiar certas medidas ou tomadas de decisão, Dilma mostra-se capaz para atuar nesse serpentário. 

Não é fácil trabalhar dentro desse emaranhado de incompetências que foi obrigada a absorver em respeito ao seu antecessor. A equipe de governo anterior, sempre foi, em sua grande maioria, de notória incapacidade para administrar. Nesse número sem fim de ministérios, poucos se salvam. Como disse Nelson Mota, se dependesse de currículo, nenhum deles estaria empregado em qualquer empresa privada. E assim o Brasil vai caminhando, jogando fora enorme possibilidade de se estabelecer como economia forte e de avançado campo tecnológico. 

O posicionamento e comportamento dos dirigentes políticos comprometem a evolução da Nação. Criam campos negativos e de maléfica influência social e educacional. Chega ao abismo e ao ridículo com o discurso do governador do Rio de Janeiro em querer estabelecer um “Código” de conduta, como se não estivesse a decência prevista na Constituição brasileira. Já que tudo vale, não custa fazer meu pedido: BNDES, preciso de cinco bilhões, incluso altas possibilidades de comissões.

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Comentários



Aldo Di Julho - 09/07/2011
Caro Rhafael,parabéns pela coluna! Colocações perfeitas em um texto excelente! Abraço
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