Depois de um ano e meio sem pisar em solo brasileiro, voltei ao Brasil de férias por duas semanas. Precisava rever minha família, o que já tinha se tornado uma necessidade. Sou de São Paulo e logo que fui passar pelo controle de passaportes já pude perceber que estava mesmo no Brasil, uma funcionária gritava: Brasileiros “pra cá” , estrangeiros “pra lá”. Eu ri por dentro e, pensei…realmente estou no Brasil. O atendimento para quem acaba de desembarcar no Brasil não é legal. Muitas outras pessoas estavam reclamando da mesma coisa e ouvi coisas do tipo: “É o Brasil!” .
Saindo do aeroporto demorei quase duas horas para chegar em casa. Desembarcamos em Guarulhos, sou da zona sul de São Paulo o trajeto é longo até lá. Motoqueiros “violentavam ” os motoristas que também enfurecidos respondiam com buzinas barulhentas e palavrões. Meu marido, português, que em sua primeira visita ao Brasil, no ano passado, foi “batizado” com um assalto à mão armada, não se conteve e disse: “Minha rica Holanda.” Claro que depois que você reencontra sua família essas coisas se tornam bem pequenas. Peguei um começo de inverno em São Paulo que mais parecia verão, graças a Deus.
Na hora das compras outro susto: tudo muito caro! Um absurdo de caro, não comprei nada. Marquei salão com o meu cabelereiro preferido que há um ano e meio cobrava R$50,00 o corte. Eu já achava um absurdo de caro na época mais adorava o profissional então pagava. Quando cheguei ao salão o corte do cabelo estava R$90,00. Só não fui embora porque já tinha marcado e fica a mais de uma hora da minha casa.
As duas semanas se passaram muito rapidamente. A única coisa que fiz bem, foi comer. Me joguei na pizza , salgados e doces brasileiros que eu amo. Confesso que a minha balança ainda me cobra essa alforria da dieta.
Estranho, mas quando estava no Brasil minha vontade era de estar aqui na Holanda. Lembrei da organização, das estradas boas, da educação no trânsito, da liberdade em sair para qualquer lugar e não ter medo de levar um tiro ou de ter alguém te abordando e pedindo dinheiro. Quando ouvia isso de alguém eu ficava aborrecida. Como pode a pessoa sair do Brasil e falar mal do próprio país? Sempre fui muito nacionalista, participava ativamente na sociedade, seja com trabalhos voluntários em organizações não governamentais como trabalhando nas eleições. Senti-me uma traidora da pátria. Quando algum amigo meu me dizia que seu maior sonho era morar fora do Brasil eu pensava: Ah sim claro! é mais fácil fugir do que arregaçar as mangas e trabalhar no próprio país por melhorias. Hoje não julgo. Os meus motivos não foram trabalho ou melhores condições de vida, mas sim por causa de um amor, cada um tem um motivo.
Quando desembarquei na Holanda senti uma profunda dor. Minha vontade era voltar. Estranho né? Acho que estou ficando maluca. Eu quero estar em dois lugares ao mesmo tempo.
O Brasil nunca vai agradar a todos. A gente sabe que tem corrupção e isso, infelizmente, sempre vai existir, a gente sabe que os serviços públicos, muitas vezes, não funcionam, que a educação está longe de ser a ideal, que os salários são baixos e tudo é muito caro. Sabemos disso tudo. Mas eu não acredito em um lugar perfeito para viver. Sempre vai faltar alguma coisa. Sempre vai faltar o sorriso e o abraço apertado de alguém que você ama. A frase que você sempre vai ouvir de algum brasileiro é: “Mas no Brasil não é assim”. Saudades, Brasil! Espero voltar em breve.