Com sinceridade leitor: acredita que estamos verdadeiramente navegando em águas calmas e promissoras? As notícias que são veiculadas na mídia em alguns momentos nos enchem de júbilo. Elas nos trazem ânimo e um ar de certeza que já somos desenvolvidos, pertencentes “aos dez mais”. Em outros momentos, lendo os jornais me deparo que as montadoras estão dando férias coletivas porque os pátios das indústrias estão abarrotados de automóveis para no dia seguinte dizer que nunca vendemos tanto.
De repente escuto nos noticiários da TV que a entrada de dólares supera todas as expectativas do governo e das avaliações dos economistas. Fico a pensar que realmente estamos em pleno desenvolvimento. Por outro lado escuto que o governo vai tomar medidas contra a propalada entrada da moeda americana que está solapando as nossas exportações com a valorização do Real, mas e os investimentos não traduzem crescimento? Acontece que sem os dólares o governo não fecha a conta e os investimentos serão reduzidos pela falta de dinheiro.
Segundo a área financeira do governo, o Brasil está sólido por ter em reservas mais de 340 bilhões de dólares, 10% das reservas chinesas, constituídos na arrecadação de IOF e na compra deles para evitar mais valorização do Real que é inversamente proporcional ao sofrimento do setor industrial exportador. Alardeiam que o mercado interno está aquecido e que o consumo interno por si só já nos mantém vivos ante os problemas na ciranda financeira internacional. Por que então o governo agride o consumidor brasileiro com impostos que atingem diretamente o bolso do trabalhador?
Pelos noticiários, os Investimentos Estrangeiros Diretos – IED é um sinal da pujança de nossa economia, bradam os situacionistas. Apesar de negarem, na verdade estes investimentos são geradores das mais deslavadas mentiras que vem sendo apregoada a nossa população. É montanha de dinheiro que entra de forma disfarçada como IED, mas que na verdade é direcionada para aplicação no mercado financeiro brasileiro, títulos de renda fixa. Via IED, evitam a cobrança de 6% de IOF – Imposto sobre Operações Financeiras que o governo cobra sob alegação de defesa da nossa moeda, do nosso Real, mas que na realidade é uma das grandes, senão a maior, fonte de recurso para o caixa do governo.
A conseqüência é que tudo isso é passado à população como verdade e realização. Os empresários em sua grande parcela, não estão muito preocupados com a situação de queda na produção industrial já que a fonte de dinheiro está em realizar empréstimos no exterior e enviar o dinheiro para investimento no Brasil, na forma IED, com altos ganhos e pouca dor de cabeça. Aliás, todos nós podemos fazer isso. O empréstimo consignado dá condições de realizar tal investimento, ou seja, caso não esteja enganado, pega a juros de 2,5% e ganha seus 4/5%, descontados os impostos, balançando na rede, é só arrumar um agenciador.
Navegar é preciso e o nosso barco, apesar de todos os problemas e corrupção, consegue avançar com as commodities agrícolas e minerais que estão em alta no mercado internacional. Até quando? Caso a China reduza a exportação para os Estados Unidos, consumidor de enorme parcela de sua produção, a coisa tem seu reflexo, e brutal, na economia brasileira. Temos que torcer para que o “Buraco” Obama saia literalmente do buraco. Os Estados Unidos é o termômetro da economia mundial e assim o será por muitos anos. O dinheiro do mundo está lá, inclusive o nosso.
O ministro do trabalho sequer fica rubro quando fala na evolução do emprego no Brasil. Omite que os salários são os mais baixos da América Latina e que nossos trabalhadores na verdade tem um subemprego, desqualificado, sem perspectiva de crescimento profissional e que a oferta de empregos não atende o volume anual de trabalhadores que chegam ao mercado. Assim vamos engolindo falsidades como a “credibilidade” de Ministros, de grande parte do Congresso Nacional que terá em pouco Renan Calheiros substituindo Sarney, a sina do Maranhão, a podridão das licitações no Brasil e por aí vai, navegando na mentira.