por Itala Holanda*
Em terras holandesas, o cardápio de música brasileira ao vivo tem ficado cada vez mais eclético.Há música para todos os gostos. E artistas também. Quem não gosta de correr riscos, pode acabar degustando o sambinha de sempre, a mesma bossa & violão ou a gasta levada dos pagodes e axés. Quem ousa correr atrás do novo bem pode estar arriscando os ouvidos. Mas, e se o novo valer a pena? Dizem que, quem não arrisca não petisca.
O músico, cantor e compositor Leo Mattus é um desses artistas a passar por aqui com sabor de novidade. Neste fim de semana ele estará tocando para públicos de cidades diferentes. Primeiro vai ao Samba Kitchen, em Rotterdam, e em seguida mostra a sua música no Café De Lift, em Haarlem.
De formação em parte autodidata, o mineiro Leo cresceu sob a influência dos sons da cultura do norte de Minas com suas danças foclóricas e religiosas, tipo congadas, folias de rei e catopés. Ainda na pré-adolescência e incentivado pelo pai, ingressou na banda filarmônica da sua cidade natal, Brasília de Minas. Clarinete e saxofone foram os seus instrumentos primeiros. Aos 15 anos passou a tocar na noite. E tocando na noite foi em frente, fazendo de Belo Horizonte paragem para aperfeiçoar seus estudos.
De BH o artista seguiu para São Paulo, onde atualmente vive e trabalha como músico, faz teatro e cursa Musicoterapia. Há seis
anos, ainda encontra tempo para desenvolver trabalhos com crianças, em escolas e projetos sociais, tendo se dedicado recentemente a um trabalho do gênero na Associação Recanto São Francisco, em Extrema-MG.
O trabalho do jovem artista Leo Mattus, de 24 anos, envolve hoje voz e violão, saxofone, percussão e outros instrumentos alternativos. Sua veia de compositor aparece no primeiro CD, intitulado “Na Carreira”, que contou com participação do percussionista e amigo Eros Fresiq. O artista define a produção musical como algo elaborado a partir das suas influências.
Revendo passo a passo o trabalho, complementa: “Eu parti de um conceito diferente na composição e nos arranjos. Faço uso de poucos instrumentos e persigo arranjos, timbres e movimentos que valorizem a minha voz. Também busco passar a essência da minha música. Isto porque as canções que componho são a minha verdade. Elas são o reflexo de tudo o que já vivi e continuo vivendo”.
* Itala Holanda é graduada em Comunicação. Durante anos atuou no ramo do jornalismo impresso, mais por força do hábito do que por amor ou vocação. Hoje em dia, prefere a escrita com diletantismo. De origem cearense, acha que a felicidade mora num paraíso cheio de sol, mar e uma rede pra se balançar.