Nancy Niemeyer - Carioca do Leblon, cresceu com a praia como quintal. Costuma afirmar que seu hobby é conhecer gente. Adepta ao "Amor como solução para os problemas da humanidade", criou a Rio de Janeiro BV que, juntamente com várias outras organizações na Holanda, desenvolve palestras sobre temas atuais em Português.
Amsterdam Gay Pride Parade 2011 - A Parada do Orgulho Gay
Data:
12/08/2011
Sob o tema “All Together Now” (Todos Juntos Agora),a parada de barcos deste ano contou com quase 80 barcos, todos muito coloridos e apresentando sub-temas individuais. Sem perder de vista a oportunidade de marketing social, diversos grupos apresentaram seus sub-temas através de faixas, todos relacionados com asdificuldades palpáveis do dia-a-dia de um não-hetero. Por exemplo, o público foi instigado a pensar na polêmica de esclarecimento sobre homossexualidade como parte do currículo escolar, a discriminalizar o HIV e a AIDS e a tomar conscienciência do “business case”na esfera do trabalho.
Foi dessa forma que o braco da Corporate PridePlatform(CPP) navegou com 72 participantes das corporações ABN AMRO, Cisco, IBM, KPN, Philips, PwC, Shell e UWV. Sob o sub-tema “I can be myself @ work” (posso ser eu mesmo(a) no trabalho), a CPP desfilou pela 5ª vez, tendo como apoio a direção de cada uma das companhias e outras mais que não se fizeram representar a bordo, como o ING, que desfila todos os anos com seu próprio barco.
Pioneira dessa queda-de-braço da mentalidade conservadora das grandes corporações, foi a Shell. Em 2005, pela primeira vez, de forma tímida mas determinada, a network dos LGBT (lesbians,gays, bissexuals and trangenders) conseguiu navegar e recebeu uma estrondosa aceitação do público presente e da mídia, com extensa cobertura em momento atual. No ano seguinte, juntaram-se à Shell a IBM, o ANB AMRO e o ING, navegando sob o sub-tema “Corporate Pride = Personal Pride” e vice-versa. Nesse mesmo ano, foi criada a CPP e, de lá para cá, pode-se medir sua grande contribuição para o “corporateworld”. O tema deste ano aponta, principalmente, para o fato de que 30% dosLGBTs ainda não tem coragem de “sair do armário”.
Nem tudo é glamour no mundo LGBT – a homossexualidade feminina continua cercada de muito tabu e pouco respeito. Em um planeta tão masculino, como nosso planeta Terra, fica difícil, até para a mulher com outras opções sexuais, de exercer seu direito de cidadã. Fico cruzando os dedinhos para que, numa parada futura, a ênfase seja colocada na problemática da fêmea que é gay.
No entanto, nem toda a população LGBT concorda que a parada de barcos contribui para a causa do grupo. Há, inclusive, alegações de que a parada prejudica ao reforçar o estereótipo dos LGBTs. Na verdade, o maior apoio a parada vem mesmo da população hetero, que não esconde o quanto gosta de participar e assistir a Gay Pride Parade.
A parada de barcos é o ponto alto da agenda do evento Gay Pride. O evento tem a duração de quase 10 dias e conta com palestras,debates, workshops, exposições, festival de cinema, atividades para filhos de LGBTs, vacinação grátis contra a hepatite, festas e etc. A parada de barcos deste ano foi a16ª, sendo que a primeira,em 1996, foi tão bem aceita e teve tanto sucesso que o evento tornou-se anual. Aliás, o Gay Pride Parade cresceu tanto que já tornou-se o maior evento de Amsterdam. Participei,mais uma vez, este ano e, como sempre, amei! No barco da CPP, éramos trêsbrasileiras. Ano que vem, você vem também?