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COLUNAS
Raphael Curvo - jornalista, advogado e comunicador
 
Confusão mental
 
Data: 18/08/2011
 

Fico a imaginar a difícil situação de formação de personalidade que passa a juventude em nossosdias. A minha geração tinha metas definidas, não em razão de se encontrar com argumentos efundamentos tirados dos movimentos sociais e de sua formação intelectual inovadora promovida pelaeducação escolar, mas motivada pela formação familiar muito consistente à época. Era uma geração mais contida ante a falta de instrumentos de informação muito restrita aos tablóides, aos jornais.
O repórter Esso era o irradiador das notícias em “tempo” real. É verdade que já fiz parte do final desses tempos e tive meu início “revolucionário” com o movimento social provocado pelos Beatles, impulsionadores da era Elvis Presley.

A forma de contestação tinha por base a negação de regras sociais constituídas e exercidas pelo pátrio poder, onde cabia aos filhos a árdua tarefa de somente atender e promover a continuidade e o respeito às regras emanadas pela “lei” familiar recebida. Naqueles anos da revolução social, a atitude era de demonstrar insatisfação através do linguajar e da forma de vestir. Lembro-me de amigas que levavam nas bolsas ou sacolas, as mini saias que trocavam nos bares ou nos “toilett” onde eram realizadas as festas. Os meninos usavam cabelos “compridos” que mal cobriam as orelhas e muitos deles faziam verdadeiras artes para espichar alguns fios até a ponta delas.

Foi dessa forma que mobilizamos o mundo e o mudamos. Foi com a música e com a maneira de vestir que quebramos conceitos arcaicos e libertamos a juventude. No rastro disso vieram os enrustidos que não conseguiam abraçar a causa de liberdade social e traçaram viés pela política, estimulados pelo confronto proposto pelo comunismo e suas variantes ditatoriais via Stalin, Castro e Cia. De uma motivação de governo que provocava guerras na defesa de interesses de cúpula, começaram a surgir as movimentações de massa, mobilizadas por correntes ideológicas ou partidárias na defesa de seus pontos de vistas que aos poucos enveredaram para os tumultos de violência e intransigência das partes envolvidas. Até então tal confronto estava, em grande parte, restrito aos sindicatos na defesa de interesse de trabalhadores na sua relação com os empregadores.

Passados os anos e os jovens da revolução social se tornaram os pais de gerações atuais. Acontece que a grande maioria deles não acompanhou e não fez avançar a evolução oferecida. Grande parte se embrenhou na luta pelo poder político e arraigados aos ensinamentos teóricos ideológicos, sem visão de transformação, pararam no tempo. Isto acarretou conflitos internos e emocionais de como proceder na educação dos filhos. O que oferecer no papel de pai: as “leis” do pai/avô em que a não aceitação de discórdia era e é imperativa ou tomar atitude de acompanhar a ruptura social e de comportamento instalada pela força e velocidade da comunicação virtual e do mundo globalizado.

Este conflito do atual comandante familiar, que já divide o comando em iguais proporções com a ajudante de ordens, a mãe, criou uma instabilidade no quadrado familiar o que tem afetado de forma considerável o fator relacionamento interno e externo. A juventude, ante o quadro estabelecido em enorme número de famílias, sai a campo em busca de seu espaço e de formação de base a sua vida. Surge então, com força, o risco de confronto, com o quadro de dirigentes sociais e políticos, entre o que ela procura acionada pela intensa rede de informação virtual e o que está sendo oferecido pela organização social.

Os governos não conseguem acompanhar esta evolução da juventude e raros tem a sua visão equilibrada com a forma de pensar deles, juventude, raiz para revoltas como a que estamos vendo nos países mais avançados culturalmente. Há um fosso entre os jovens de hoje e os organizadores sociais representados pelos governos e suas instituições, movimentos organizados etc. Tudo isto é agravado pela corrupção, falta de educação com qualidade, capacidade de geração de empregos e não subempregos, saúde e por aí vai. É uma frustração que gera revolta e traz aos jovens uma grande e maléfica, o que só vai piorar o quadro, confusão mental. 

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