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COLUNAS
Elaine P. Morais - "Natural de Belo Horizonte, vive na Holanda desde 1998, atualmente em Amsterdã. Estudou Letras na UFMG, tem Bacharelado em Facility Management na International Business School, Hanzehogeschool de Groningen e curso de Intérprete para o Tribunal de Justiça pelo SIGV. Na Holanda trabalhou como Intérprete e Tradutora de Holandês e Português, como Coordenadora de Logística e atualmente trabalha na área Financeira. É cantora amadora, com experiência em Canto Coral e em bandas de MPB e Bossa Nova.
 
Brazilian Summer Sessions - World Cinema Amsterdam
 
Data: 25/08/2011
 

Tive muito prazer em assistir aos três filmes apresentados neste ano pelo Brazilian Summer Sessions no World Cinema Festival de Amsterdã, são três filmes honestos. Falando em honestidade, o filme Riscado começa com um monólogo com a frase: “eu quero fazer um filme honesto, um filme que não tenha nenhuma mentira, porque eu tenho uma coisa muito simples pra dizer. Meu filme, eu gostaria que ele pudesse ser um pouco útil pra todo mundo, pra ajudar a gente a enterrar o que de morto a gente carrega.” 

A noite de abertura da mostra, 19 de Agosto passado no Rialto teve cerimônia oficial com a presença dos diretores de Troca o Trópico e de Riscado além das organizadoras do Brazilian Summer Sessions Neyde Lantyer, diretora artística e Claudia Trajano, diretora executiva além de Raymond Walravens – Diretor do  Rialto e curador do World Cinema Amsterdam. A embaixada brasileira foi representada pelo Terceiro Secretário Leandro Antunes Mariosi. 

Troca o Trópico tem a honestidade da Natália, a honestidade com a qual ela conta a sua história. A honestidade da história de uma imigrante brasileira na Holanda, dos seus sonhos, das suas dificuldades e obstáculos tão reconhecíveis para uma imigrante como eu. Tem também a honestidade das outras seis mulheres brasileiras entrevistadas no filme, suas experiências pessoais de adaptação e de vida na Holanda. Sua busca por uma “casa” neste país estrangeiro. Lindas histórias, lindos insights sobre a cultura, sobre o jeito de ser e de viver holandês e sobre o quão diferente ele é do jeito brasileiro de ser e de viver. O filme retrata a dolorosa descoberta do imigrante de que uma vez que se experienciou “outro mundo” não há mais volta, vive-se dividido entre duas realidades, dois mundos.

Troca e Trópico é o filme de estreia da cineasta brasileira Natália Machiaveli. Natália formou-se pela Gerrit Rietveld Academy de Amsterdã, academia de artes e design e procura neste meio (animação, fotografia e vídeo), uma maneira de tocar o expectador não somente intelectualmente, mas de uma maneira mais profunda. 


Gustavo Pizzi, Elaine P. Morais, Natália Machiaveli e Luana Ferreira

Riscado dirigido por Gustavo Pizzi tem a honestidade do sonho da Bianca, um sonho humano. Sonho de fazer o que se gosta. Bianca luta pela oportunidade de se sustentar fazendo o que sabe e gosta de fazer. Isto é um questionamento pessoal e universal. Quem não passou pelo dilema sonho versus praticidade na escolha de uma profissão? Quanto pesa o talento e quanto pesa a sorte na construção de uma carreira sólida?

O filme também tem a honestidade do respeito ao tempo de se contar uma história, do respeito ao tempo do diálogo, do respeito ao tempo necessário para o expectador sentir junto com a personagem, de viver o sonho dela, de sofrer com ela. Tempo totalmente não Hollywoodiano, totalmente não ação. É um filme lento, se comparado com a maioria dos filmes de alta produção Hollywoodianos. O filme tenta retratar o tempo real na medida do possível, sem tentar prender o expectador com cenas fáceis, com diálogos curtos e superficiais. É tão bem feito que parece um documentário, um filme biográfico ao invés de ficção. É sem dúvida, um filme honesto com uma linda atuação da Karine Teles como Bianca.

Riscado é o primeiro trabalho de ficção do diretor e produtor Gustavo Pizzi e seu segundo trabalho de direção. Foi filmado numa mistura de câmera digital e 16mm com resultado estético muito bom e baixo orçamento. O filme ganhou os prêmios de Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Roteiro no Festival de Gramado 2011. 

O Tropa de Elite 2 é claro, um filme de alta produção, mas também honesto no relato, na reprodução da realidade corrupta brasileira. Chocante, cru e realista. Quase parece uma piada, uma caricatura, principalmente pra quem está fora deste cotidiano, fora desta realidade. Mas infelizmente o retrato é verdadeiro, retrata o jogo do sistema como ele é. Trata agora de explicar como o sistema funciona e como o problema do tráfico e da corrupção são mantidos. Esta corrupção está arraigada na policia e na classe política brasileira tornando impossível a mudança desta realidade e o combate à criminalidade. Tropa de Elite 2 é um filme enormemente informativo apontando para problemas seriíssimos da realidade social brasileira, além de ser super bem feito e com apelo popular forte.

Tropa de Elite 2, seqüência do Tropa de Elite, filme também dirigido por José Padilha e ganhador do Urso de Ouro no Festival de Berlin de 2008.

  

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Comentários



David Gonsales - 01/09/2011
A apresentacao de esses novos diretores foi simplesmente muito bem recebida e prestigiada, eu so tenho elogios a fazer a esses dois talentosos icones da nova geracao! Parabens... eu gostaria de estar sempre podendo ter o prazer de ver essas novidades brasileiras aqui na Holanda!

Giovani Soares - 31/08/2011
Fiquei com vontade de assistir Troca e Topico e Riscado, particularmente pelo fatos de eles trazerem algo diferente ao tradicional filme brasileiro, o que torna atraente. Ja o Tropa de Elite, apesar de informativo e reproduzir uma parte da realidade brasileira, acho que poderia ter ficado por ai. Acho um pouco demasiado revender uma realidade que eh dura e triste para milhares de cidadaos brasileiros.

Edivane Valeria - 24/08/2011
Tambem adorei os filmes. Gostaria de ver mais filmes brasileiros passando aqui na Holanda.
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