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COLUNAS
Raphael Curvo - jornalista, advogado e comunicador
 
Uma proposta à educação
 
Data: 21/09/2011
 

 

Ainda bem que a questão educacional começa a tomar lugar nas rodas de conversa e na mídia brasileira. Estava esquecida e jogada ao léu até que o “Desenvolvimento” começou a perceber que a educação é parte fundamental e básica para ele prosperar. Não há como crescer e se desenvolver sem que o ensino educacional tenha qualidade na sua aplicação e a confiabilidade da população.

Há muitos caminhos para que a educação brasileira trilhe com segurança na formação da nossa juventude. O que é necessário é a vontade política de promover renovadas e profundas alterações no sistema em aplicação. Espanta o marasmo em que o Ministério da Educação vai “tocando” a educação no Brasil. Nem mesmo os resultados negativos em todos os testes de avaliações realizados, nos âmbitos interno e externo, são argumentos para o convencimento da premente necessidade de mudança. Sempre há movimentação e grande alarde para trocar seis por meia dúzia e tudo fica no mesmo lugar.

É visível que a fonte dos problemas está no preparo dos professores. As universidades pouco se interessam pelo curso de pedagogia e outros ligados a área da educação. É na universidade brasileira que se encontra a falta maior de vontade política de enfrentar esse caos em que está a educação no Brasil. É dela que deve partir os movimentos de combate a péssima qualidade do ensino ministrado em seu campus e que refletem diretamente na vida do País, da Nação. É dela que deve partir propostas e movimentos de apoio ao ensino básico que tem jogado milhares de jovens adolescentes na lata de lixo, onde existe um campo fértil para a marginalidade. A universidade deve ser a emanadora de levante em defesa dessas crianças que estão à mercê da irresponsabilidade dos governos.

Existem alguns movimentos esporádicos, como espasmos de um pulsar. Em São Paulo buscam pela mudança com redução da grade básica. É a conversa de inserção ideológica na educação, que mal sabe escrever, com aumento de carga horária de disciplinas como filosofia e sociologia. É essa praga de educadores de plantão que ocupam cargos de direção na educação brasileira pensando exclusivamente no seu grupamento político e metas eleitorais que vem aos poucos corroendo a nossa educação. É preciso rever a grade escolar desde o ensino fundamental e nela imprimir aprendizado voltado a conceitos matemáticos e da língua portuguesa, inglesa e espanhola. A matemática é a base do desenvolvimento intelectual de qualquer criança. Esta mais que provado que a melhor fase de aprendizado lingüístico, para eficaz inserção no mundo globalizado, ocorre durante a infância e adolescência. Nesta, adolescência, ensinar lógica e interpretação de textos é fundamental para evitar o analfabetismo funcional. Sem esta base de conhecimento da língua portuguesa não há como entender conceitos matemáticos, físicos e etc. no ensino médio e superior.

A grade do ensino médio deveria oferecer cadeiras optativas e ter a matemática, português e inglês, esta a língua universal, como básicas e com maior carga horária, deixando física química e biologia no formato módulo em que o estudante optaria quando fazê-lo. Este formato módulo seria com aulas diárias e que pela minha avaliação, dará impulso a atividade intelectual dos alunos, trazendo-os ao conhecimento. Outra mudança que sempre venho defendendo ao longo dos anos é com relação à operacionalidade do ensino. Há que se alterar o regime semestral/anual pelo regime trimestral, motivo de um próximo artigo. Outra colocação que tenho feito e defendo é a desvinculação da administração da área educacional da estrutura de governo, tornando-a livre de ingerências políticas partidárias, inclusive de servir como moeda de troca para apoio político.

A importância da educação é tamanha que só agora, dada as imensas dificuldades de administrar o crescimento econômico brasileiro, veio à tona a nossa ineficiência de formação profissional, de tecnologia e de conhecimento cientifico. Estamos importando técnicos e profissionais para as principais atividades industriais e de serviços. Não é possível que não consigam enxergar essas deficiências instaladas no setor que deve ser o centro de produção de formação profissional, a nossa educação. 

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