O Grupo é formado por antigos integrantes da Escola de Samba Portela (fundada em 1923). A Portela é uma das Escolas de Samba mais tradicionais do Rio de Janeiro e conquistou 21 títulos do carnaval.
A estréia do grupo Velha Guarda da Portela em 1970, foi com o disco “Portela, Passado de Glória” produzido por Paulinho da Viola. De acordo com Davi do Pandeiro, um senhor muito simpático de 77 anos com quem conversei após o show, a idéia de juntar o grupo para gravar um CD veio de Paulinho da Viola. O disco foi um sucesso e com isto o grupo passou a se apresentar em shows. Eles realizavam um resgate de antigos sambas e sambistas e assim tentavam manter estes sambas e sambistas “vivos”.
Após o primeiro disco seguiram-se muitos outros, além de inúmeras participações em discos de outros artistas como Cristina Buarque, Clara Nunes e Zeca Pagodinho. O grupo mudou várias vezes de gravadora e produtor, mas sempre mantendo a idéia original de gravar sambas antigos/tradicionais e de divulgar os compositores da escola.
Originalmente, a Velha Guarda era composta por Ventura, Aniceto, Alberto Lonato, Francisco Santana, Antônio Rufino dos Reis, Mijinha, Manacéa, Alvaiade, Alcides Dias Lopes, Armando Santos e Antônio Caetano. Atualmente a formação do grupo varia, porque muitos integrantes são idosos, porque claro, para fazer parte da Velha Guarda é preciso ter um passado na Escola de Samba. Entretanto, o professor João Batista Vargens declarou em entrevista à Lena Frias no "Jornal do Brasil" de 5/2/2000: "Velha-Guarda não é uma questão de idade ou longevidade, mas de identificação com certas matrizes de criação musical carioca".
Os shows da Velha Guarda costumam contar com participações ilustres de cantores e instrumentalistas, como Gilberto Gil, Beth Carvalho, e é claro Paulinho da Viola. Uma coisa curiosa que passou a acontecer é que este grupo que normalmente seria enquadrado como de “terceira idade” virou moda. Este renovado interesse nos sambas e sambistas tradicionais provocou uma revolução no cenário musical brasileiro. O projeto Rio Velha Guarda de 2000, levou ao palco do Espaço Cultural Sérgio Porto os conjuntos formados por sambistas antigos de quatro grandes escolas que lotava a casa com um público essencialmente jovem.
Também em 2000, Marisa Monte e a Velha Guarda lançaram o CD "Tudo Azul", que contém as músicas "Portela Desde que Eu Nasci" (Monarco), "Vai Saudade" (Candeia/ Davi do Pandeiro), "Corri pra Ver" (Chico Santana/ Monarco/ Casquinha) entre outras. O disco vendeu mais de 30 mil cópias e foi indicado ao prêmio de Melhor Álbum de Samba do Ano para o Grammy Latino.
Parece que a intenção original da Velha Guarda que era manter o Samba tradicional vivo, funcionou. Samba tradicional ganhou apelido de “Samba de Raiz” e as rodas de samba e bares especializados em “Samba de Raiz” multiplicaram-se pelas grandes cidades do Brasil. Sempre focando os sambas tradicionais e dando espaço a músicos antigos e tradicionais do Samba. O público destas casas é variado, mas não se pode negar que é essencialmente composto da “nova geração”.
A atual formação da Velha Guarda é de Jair do Cavaquinho, Guaracy, Monarco, Casquinha, Cabelinho, Argemiro, Davi do Pandeiro, Casemiro, Serginho Procópio e as pastoras, Áurea Maria, Surica, Doca e Eunice.
Quem quiser saber mais sobre a Velha Guarda, pode conferir o documentário "O Mistério do Samba", produzido por Marisa Monte e lançado em 2008, com direção de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda. O documentário começou a ser produzido em 1998 e assim registrou várias fases do grupo e suas apresentações por vários estados e países. O documentário foi lançado em show no Circo Voador, com a Velha-Guarda da Portela e convidados, entre eles Diogo Nogueira, Teresa Cristina e Mauro Diniz.
O show da Velha Guarda no dia 13-10-2011 no Tropentheater não deixou a desejar. O grupo pode ser em sua maioria composto da terceira idade, mas ainda tem muito Samba no pé, garganta afinada e batuque redondo.
Foram 1h 45 minutos do melhor do Samba. A Velha Guarda tocou Sambas de composição própria como “Quantas Lágrimas”, “Vai Vadiar” e “Esta Melodia”; além de “ Foi um Rio que Passou em Minha Vida” (Paulinho da Viola), “Portela na Avenida” (Paulo César Pinheiro), “A Sorrir” (Cartola). No princípio, o público apesar de entusiasmado, ainda se mantinha sentado, aplaudindo e cantando baixinho. Após a terceira música Monarco disse ao público que “podiam” se levantar e sambar, foi o empurrãozinho que precisávamos para “cair” no Samba. A Kleine Zal do Tropentheater transformou-se numa grande “Roda de Samba”, todos participaram fazendo coro e dançando. Ao final, ninguém mais estava sentado, até os obviamente estrangeiros, não resistiram à alegria do grupo e do público que lavou a alma e matou as saudades de ouvir um “velho bom Samba”.