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COLUNAS
Raphael Curvo - jornalista, advogado e comunicador
 
Dois pontos
 
Data: 23/10/2011
 

Gostaria de escrever sobre um outro assunto que seria a educação, mas dois fatos ocorridos na semana que passou me deixaram indignado. O primeiro ponto é sobre o que aconteceu com um casal de amigos que iria à Curitiba para entrevista em um grande escritório jurídico. Marcada para 13 de outubro às 11:00 horas, os amigos compraram passagens para o dia anterior, no vôo da Gol de Campinas para a capital paranaense.

Ocorre que na sexta-feira da semana anterior à partida, foram comunicados da impossibilidade da entrevista, para a qual seria marcada uma nova data. Extinto o motivo da viagem, o casal procurou providenciar a remarcação do vôo para 02 de novembro, conforme comunicação da nova data da entrevista. Até aí, não havia nada de surpresa, a qual veio com o atendente da Gol no momento da remarcação.

O casal teria que pagar R$ 60,00 de multa por trecho de cada passageiro, ou seja, ida e volta, Campinas-Curitiba-Campinas, daria um total de R$ 240,00. O detalhe é que as passagens foram compradas com um mês de antecedência, já que a entrevista foi agendada em 30 de agosto. As passagens de ida e volta custaram R$ 385,00 para o casal. Isto quer dizer que a multa para o cancelamento e remarcação teria o valor de R$ 240,00, que calculado sobre o custo das passagens daria um percentual aproximado em torno de 70%.

É furto descarado. Não é admissível tal situação de penalização no sistema comercial brasileiro. Isto é uma aberração permitida pelo governo e suas agencias reguladoras, além da legislação. É infringir a Constituição Federal e o Código de Defesa do Consumidor, isto porque a cláusula é leonina em tal condição contratual, realizada com a compra das passagens. Isto é ilegal.

E tem mais, o atendente da Gol avisou ao casal amigo, que o saldo a ser reembolsado sofreria uma multa de 20% do cartão Visa, utilizado para a compra, na versão de pagamento à vista. Qual a justificativa de tal multa para receber o valor reembolsável? Fica a indignação sobre esses abusos praticados no país onde, pelo visto, a justiça é mera peça figurativa na estrutura de governo.

O segundo ponto está na apatia da população em relação aos acontecimentos e atos contra a corrupção que está disseminada em todo o governo. Muitos me contestam quando afirmo que o povo brasileiro, em sua esmagadora maioria, é massa de manobra de partidos, políticos e sindicatos. Nem mesmo as universidades, consideradas centros de excelência, tiveram a decência de manifestar-se. Estão entorpecidas pela falta de capacidade intelectual, que em seu meio são raras, e do entendimento do alcance do movimento na atual situação do Brasil. Não bastasse esse “analfabetismo funcional”, sofrem da apatia mental e da força do “cala boca” dado pela era Lula aos diretórios estudantis, via União Nacional dos Estudantes – UNE, a qual caberia melhor se vestir da sigla UNP – União Nacional dos Pelegos.

Nem mesmo a oposição política, tipo PSDB/DEM, se manifestou em um único momento. Foi um aceite total, já que não é o tipo de movimento social que lhe interessa. O que salta aos olhos é que, para a classe política, salvo alguns poucos, será melhor liberar de vez a corrupção, institucionalizá-la. Assim se evita os berros da mídia, a manifestação do judiciário em ter que julgar corruptos e atos da legislação como ficha limpa e até mesmo colocar no lugar comum negociações de sentença, tráfico de influência, nepotismo e por aí vai. Por outro lado, as verbas liberadas serão mais reais e verdadeiras, com preço justo, ou seja, o “bereré” ($$$) já estará incluído e com isso não serão necessários acordos secretos, aditivos etc.

Nessa toada, criminosos de outras partes do mundo terão menos trabalho para receberem a cidadania brasileira, sem necessidade de batatas quentes nas mãos do STF e de determinações e decisões do presidente da república. 

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Comentários



Márcio de Araújo Pereira - 23/10/2011
Infelizmente não é um problema somente brasileiro. Aqui na Holanda já fui extorquido pela KLM em um episódio semelhante, e se direito a recurso.
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