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COLUNAS
Elaine P. Morais - "Natural de Belo Horizonte, vive na Holanda desde 1998, atualmente em Amsterdã. Estudou Letras na UFMG, tem Bacharelado em Facility Management na International Business School, Hanzehogeschool de Groningen e curso de Intérprete para o Tribunal de Justiça pelo SIGV. Na Holanda trabalhou como Intérprete e Tradutora de Holandês e Português, como Coordenadora de Logística e atualmente trabalha na área Financeira. É cantora amadora, com experiência em Canto Coral e em bandas de MPB e Bossa Nova.
 
Ceumar no Concertgebouw
 
Data: 26/10/2011
 

 

 

Ceumar Coelho ou somente CEUMAR, nasceu em Itanhandu, na região da Serra da Mantiqueira, no sul de Minas Gerais. Na infância estudou piano e teoria musical, aos 16 anos começou a tocar violão. Ceumar vem de uma família musical, seu avô era regente de orquestra e tocava tuba. Seu pai era cantor na juventude e fazia shows com o “Trinhandu”. Sua mãe vivia cantarolando pela casa, como ela disse: “meus pais cantam, minhas irmãs tocam, nas festas de família sempre tinha cantoria”. Aos 18 anos mudou-se para Belo Horizonte para estudar canto e violão clássico na Fundação de Educação Artística. E no ano de 1995 ela mudou-se para São Paulo, onde viveu por 14 anos e onde começou a sua carreira independente.

Ceumar tem cinco CDs gravados, Dindinha, seu primeiro, foi lançado em 2000 e foi produzido pelo amigo cantor e compositor Zeca Baleiro, que assina a música que dá nome ao CD. A cantora estreou como produtora, arranjadora e compositora no segundo CD, Sempreviva!, de 2003. Neste CD, ela compôs com a poetisa Alice Ruiz a canção "Avesso" e com Chico César e Tata Fernandes a canção “Boca da Noite”. O terceiro CD Achou! lançado em 2006 foi um trabalho em parceria com Dante Ozzetti. Meu Nome, seu quarto CD, gravado ao vivo no teatro FECAP em São Paulo em 2009 somente com violão e voz, foi produzido por Ben Mendes e mixado em Amsterdam.

Ceumar mudou-se para Amsterdã em 2009 onde vive com o músico, compositor, engenheiro de gravação, webdesigner, jornalista e editor holandês Ben Mendes. Mas desde 2006 a cantora já vinha se apresentando em turnês e projetos internacionais na Holanda ao lado de três excelentes músicos holandeses, o pianista jazzista Mike del Ferro, o baixista Frans van der Hoeven e o baterista Olaf Keus. Juntos eles gravaram Ceumar & Trio- Live in Amsterdam, ao vivo em 2010 em um show no Tropentheater.

Nos anos de 2010 e 2011 Ceumar trabalhou em diferentes projetos , entre eles: Ceumar e Jazztrio, Ceumar & Krasz Collective, Balkan Meets Brasil, Ceumar (concertos Solo), Kokoura (Afrobeat- Amsterdam) além de ter ministrado durante 3 meses um work-shop de música brasileira no Conservatório de Amsterdam.

O programa do concerto para o Brasil Festival Amsterdam no Concertgebouw foi dividido em duas partes, mostrando dois diferentes projetos. A primeira parte foi com o Krasz Collective, um trio contemporâneo de cordas com Tessa Zoutendijk (violino), Anneke Frankeberg (violino) e Jaap Berends (contrabaixo). A segunda parte com o Jazztrio com Mike del Ferro (piano), Olaf Keus (bateria), Frans van der Hoeven (contrabaixo). Ceumar canta, toca violão e percussão em ambas as partes do programa. 

Provavelmente a minha opinião sobre o concerto não será imparcial porque sou fã da Ceumar. Eu era fã da sua voz desde que a ouvi pela primeira vez cantando “Achou!”, música com a qual participou do Festival da Cultura em 2005. Tornei-me mais fã ainda quando a vi cantando ao vivo em Amsterdã, se não me engano, na noite de gravação do CD Ceumar & Trio- Live in Amsterdam no Tropentheater. Fiquei muito impressionada com o seu carisma, com o controle e afinação da voz e com a sua musicalidade. Ela canta e toca violão lindamente e tem um jeito muito natural no palco. Além disso, a Ceumar toca percussão muito bem, principalmente o pandeiro no Côco e o zabumba. Poucos meses depois eu a conheci pessoalmente e daí virei fã da sua pessoa, da sua simpatia e do seu jeitinho mineiro de ser.

Apesar de eu não poder ser imparcial sobre a Ceumar, sobre o concerto para o Brasil Festival Amsterdam eu posso tentar ser. Posso compará-lo com o que eu já tinha visto e ouvido antes em outros shows. E apesar do meu limitado conhecimento musical, pude perceber o quão refinado e de alta qualidade musical este concerto foi. Percebi também que a Ceumar cresceu ainda mais como cantora e instrumentista.

Eu não conhecia o seu trabalho com o Krasz Collective, um excelente trio de cordas contemporâneo. Foi uma surpresa agradável ouvir, por exemplo, a “Cantiga do Sapo” de Jackson do Pandeiro em um arranjo surpreendente com o trio de cordas, ficou super diferente sem perder o ritmo original. “Melodia Sentimental” de Heitor Villa-Lobos ficou linda na voz da Ceumar e emocionante com os violinos ao fundo. “Lenha na Quentura” do seu parceiro Dante Ozzeti, um frevo arretado, fechou a primeira parte realmente esquentando o público da Kleine Zaal.

Na segunda parte do concerto com o Jazztrio, percebi de cara que o trio está cada vez mais entrosado. Os músicos que já eram ótimos parecem sentir-se mais a vontade com os ritmos brasileiros e improvisam mais. Eles abriram com “Oração do Anjo” de composição da Ceumar com Mathilda Kóvak.  “Dança” também de composição própria (em parceria com o pianista Yaniel Matos) uma belíssima canção fez pelo menos três brasileiras na platéia chorarem, entre elas eu. Ceumar fechou a segunda parte com o Côco “Gírias do Norte” de Onildo Almeida e Jacinto Silva , tocando pandeiro e chamando o público para cantar junto.

O concerto foi encerrado com os dois grupos tocando “Gira de Meninos”. Foi uma festa ouvir os instrumentistas juntos num arranjo riquíssimo de cordas, piano e bateria.

No bis Ceumar voltou sozinha com o pandeiro na mão e cantou “Lá no mar tem areia” (folclore de Pernambuco) uma canção que já ouvi muito nas rodas de viola lá de Minas. O público fez coro e em seguida aplaudiu de pé agradecendo pelo maravilhoso concerto.
 

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Comentários



Thiago Borges - 15/12/2011
Essa Ceumar é impossível, como gostaria de comparecer a um show dela. Um dia, um dia irei!

sonia vieira - 27/10/2011
Segue reportagem sôbre uma cantora que nasceu e foi criada em itanhandú (MG)BJU

Mary Fritsche - 27/10/2011
Muito legal a resenha! Não pude ir, mas ao ler o artigo sinto um enorme pesar em ter perdido o concerto. :)
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