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COLUNAS
Carolina Füzer - nascida e criada na cidade do Rio de Janeiro. Vive no interior da Holanda há 5 anos e faz piada com o fato de que tem uma relação de amor e ódio com o caos do Rio de Janeiro bem como com a tranquilidade de um típico vilarejo holandês. Formada em Letras pela UFRJ, tem fascínio pelas palavras e idiomas. Adora dançar, é uma baladeira assumida. Às vezes demonstra uma certa brutalidade, mas nada de tão deselegante. Escreve a partir de agora colunas para o site brasileiros na Holanda e para isso adotou o seguinte lema: "TA NA CHUVA É PRA SE AFOGAR".
 
Tudo pelo social
 
Data: 01/11/2011
 

 

Há alguns anos recebi, da Marcia Curvo,a proposta tentadora de passar a redigir colunas para o site Brasileiros na Holanda. Naquela ocasião, hesitei um pouco e por fim não dei muita importância ao convite, não por não achar a proposta interessante e tentadora e, nem por quaisquer outras razões senão de âmbito estritamente pessoais.Imaginei que não seria capaz de manter uma certa imparcialidade ao expressar minhas experiências e opniões sobre a vida na Holanda. Na época,era imprescindível que eu concretizasse as promessas que fiz a mim mesma.Pensei que não encararia o desafio de desvincular a coluna da minha intimidade. Tinha uma missão muito importante para comigo mesma. Por fim,eu nem bem acabara de cumprir com esta missão e lá veio a Marcia através de um bate-papo informal, me incubir de mais um desafio. Um desafio deveras prazeroso, por sinal, uma vez que,desde a tenra infância, eu tinha o sonho de ser jornalista. A vida tomou outros caminhos e ao invés de Jornalismo, me formei em Letras. O lance é responsavelmente brincar de transformar meu sonho em realidade? Ótimo,abram os portões do playground e seja o que Deus quiser!
 
A princípio eu não fazia idéia sobre o que escrever quando me foi sugerido estrear tomando por base o e-mail de uma das leitoras do site, cujo conteúdo segue abaixo:
"Olá, gostaria de sugerir uma coluna que falasse sobre como e difícil a vida social aqui na Holanda, em todos os sentidos, nova cultura,nova língua, maneira de viver e conviver, nova alimentação, novos costumes, e principalmente a maneira difícil de se relacionar com nossos próprios conterrâneos, a famosa e envergonhosa "falsidade", que entre muitos chega até de forma criminal. Gostaria também, se fosse possível, que fosse analizada de um modo psicológico.S ou leitora assídua do site, adoro as matérias!! Obrigada"
 
Com relação ao e-mail da leitora, prometo me esforçar para ser o mais abrangente possível,a fim fazer uma análise sobre suas dúvidas. Gostaria de por meio deste,fazer uma análise mais abrangente desses pomenores mencionados, não focalizando exatamente na retórica brasileiros X holandeses. Afinal de contas e apesar dos pesares das diferenças culturais, históricas e geográficas,somos todos seres humanos limitados por uma estrutura física e psicologicamente vulneráveis.
 
Sempre que alguém menciona a retórica da integração em um novo país, cidade, bairro, escola etc, gosto de relembrar o que costumava dizer meu professor de História no ginásio: "Tire um homem de seu habitat, e ainda assim não serás capaz de tirar o habitat desse homem". Adaptar-se a um determinado meio, não indica necessariamente que devemos mudar radicalmente os nossos hábitos, costumes,caráter a ponto de sofrer uma crise de identidade. Se eu pudesse dar a alguém um conselho ou dica primordial para a boa convivência na Holanda tanto com brasileiros como holandeses eu diria: UMA VEZ LONGE DE CASA,EVITE OS ATRITOS, ACERQUE-SE DE AMIGOS, NÃO DE INIMIGOS E DESAFETOS. INVISTA NAS AMIZADES QUE REALMENTE VALEM A PENA O INVESTIMENTO.Não se atenham a palavra INVESTIMENTO como interesse oportunista,visando somente obter vantagens.O essencial é investir sem interesses e expectativas em pessoas que terão uma influência positiva na sua vida, evitando é claro indivíduos de caráter duvidoso. Mas até  mesmo para se comprovar a ausência de caráter e descência de alguém, você terá que se arriscar a conviver com diferentes indivíduos até ter bases suficientes para fazer, digamos assim, uma "seleção natural" no seu convívio social.
 
FATO: Você vai se deparar com OS mais diversos e variados brasileiros. Compatriotas de descendência familiar, religião, filosofias, grau de instrução e experiências de vida diversas. É possível que você tenha se formado em Engenharia Nuclear, com pós-graduação em Harvard,doutorado na Alemanha ou que descenda de família tradicional abastada e aristocrata, mas de que valeriam todos esses títulos e posses, vivendo solitariamente em uma país estrangeiro por medo de se relacionar com compatriotas e nativos? Deixe cair um pouco por terra os conceitos discriminatórios tais como: Só me relaciono com outros doutores abastados e sábios como eu. Só faço amigos que possam discorrer sobre determinados assuntos no mesmo nível de intelecto que o meu. Não julgue ou avalie novos amigos pelos diplomas ou patrimônio que possuem. O CARÁTER É ESSENCIALMENTE MUITO MAIS IMPORTANTE, ACREDITE.Brasileiros de má índole e que já ludibriaram outros brasileiros e estrangeiros existem sim, aqui em qualquer outro lugar do mundo. Eles estão aí, mas não são muitos e certamente não são maioria por aqui. E por fim, gradativamente, no decorrer da sua jornada, você perceberá que amigos nunca são demais,e que devem ser postos como em um armário com diferentes compartimentos. Em um compartimento estarão os amigos pra vida, como aqueles que cresceram com você, em outro, os que são os reis da balada, em outro aqueles que você poderá facilmente levar um "papo cabeça" , e há até espaço pra aqueles amigos mais simplistas, mas que podem até não ter tido a chance de estudar como você teve, mas que com muita satisfação espontânea, lhe darão dicas maravilhosas de assuntos no campo domésticos como culinária, pediatria,limpeza, decoração e por aí vai. 
 
Na longa estrada da integração, sempre nos deparamos com indivíduos mais hostis, reservados e menos abertos a se socializar.Isso é normal e quanto a isso me refiro aos brasileiros e holandeses também. Acredito que esse processo, só depende de nós mesmos. Às vezes mais de nós do que dos outros. E se em uma determinada situação, com determinada pessoa, você notar que, por mais que você se esforce, o sucesso da interação e boa convivência não acontencem porque o indivíduo não corresponde da mesma maneira, sugiro que "parta pra outra"e busque novos amigos, novos horizontes.Você não será um lobo solitário em um marasmo por conta disso. Quando às intenções são boas para com os outros, as tentativas de encontrar alguém que corresponda da mesma maneira podem até tardar, mas jamais falharão.
 
Quanto à convivência com outros aspectos culturais que em certos casos, vão de encontro aos nossos próprios hábitos e princípios, eu poderia citar vários conselhos mas cada indivíduo tem a sua maneira particular de adaptação. Algo que penso eu que daria um "gás" extra no seu estímulo para melhor aceitação e convivência, seria talvez pensar de uma maneira mais positiva: Pode ser complicado, mas não é tão difícil quanto parece no início. Vivemos em tempos em que em muitos países e tambem na Holanda,há uma maior abrangência da mídia e maior acesso à informação. A maneira como convivem com estrangeiros e outras culturas já não mais causaria desconfiança,estranheza e passou gradativamente a ser tratada com curiosidade e naturalidade. Procure   conversar com brasileiros que já vivem aqui há muitos anos. Pergunte a eles como era difícil dialogar com os nativos desse país, quando muitos, por pura desinformação.  Pense bem,somos privilegiados vivendo aqui em tempos em que as distâncias geográficas já deixaram de ser um inconvenientes. A tecnologia e a globalização nos possibilita informações, notícias e comunicação em tempo real. Nosso país cresceu e apareceu. Perante qualquer habitante desse planeta  bem informado , o Brasil ja é visto não mais como um gigante do terceiro mundo, mas como uma mina de ouro e possibilidades mediante a nova ordem mundial. Embora nós como cidadãos não tenhamos a mesma opnião, pois sentimos na pele que o quinhão dessa mina de ouro não foi compartilhado conosco, de uma maneira ou de outra,podemos confirmar esse fato de outras maneiras.
 
Exemplificando: Quando sentimos uma vontade imensa de comer uma comidinha do nosso país, sempre temos a possibilidade de ir a um restaurante ou comércio de produtos brasileiros.Vá ao supermercado e veja quantas frutas e produtos de origem brasileira já se encontram nas prateleiras. Diga que é brasileiro em uma reunião social e muitas vezes despertará interesse, curiosidade e até comentários mais positivos.
 
Integração em um país estrangeiro não tem exatamente um segredo, mágica, truque, nem carta da manga. A cada passo em busca da tentativa de adaptação e aprendizado, sendo estes bem sucedidos ou não,o mais relevante talvez seria ter em mente que além de brasileiros, somos seres humanos, cidadãos do mundo.Sucesso aos que estão no início da jornada, força aos que há tempos nela estão!
 
 
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Comentários



Verônica - 09/03/2012
gosrei muito de ler teus escritos. Escreves de uma maneira clara e bem do jeitinho brasileiro, falando com alma, o que motivou a ler sua coluna. Parabéns Carolina.

Eliecy - 21/01/2012
Oi Nina, gostei do seu texto. Penso que se algum dia morar aí, fugirei de problemas, como se na casa dos outros estivesse, mas não evitaria as pessoas por sua origem. Sem falar que a família do meu esposo é muito tradicional, mas ele diz que quando olha para alguém ele enxerga a pessoa, e não sua cor, religião ou origem social. É como Luther King dizia: se é tão fácil aprender a odiar, porque não ensinar a amar??!!

Eliana Silva Gomes - 07/11/2011
Oi Nina, que legal ver um texto seu! Bom...excelente texto, inteligente e uma lição pra velhos e novos! Valeu!

Fabiana - 02/11/2011
Perfeito Nina! Feliz por essa nova coluna!
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