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COLUNAS
Bertha Haddad Lane - Como disse certa vez um frei franciscano, “só podia ter nascido no dia de Santa Clara, essa menina comunicativa”. Paulista de nascimento mas criada em Campo Grande/MS, fez o trajeto inverso da família de imigrantes, vindo parar na Holanda pela primeira vez em 1993. Mãe de 3 filhas, é professora de dança e produtora de eventos na cidade de Haia, onde reside desde 2002. Nas horas de folga gosta de ir pra cozinha e preparar as comidas brasileiras que os amigos tem saudade, em reuniões sempre regadas a muita música. Mantem uma coleção de diários e agendas desde a adolescência, onde guarda a paixão pela poesia. "Mudança" é seu lema.
 
OUTUBRO
 
Data: 03/11/2011
 

 

 

  

 

Outubro é um mês para morrer

morri na primavera e em outros outubros

morri até mesmo nua.

Na sombra, nas nuvens e em rostos rubros

Mas nunca morri na mesma rua.

Outubro com certeza é mês para morrer no hemisfério norte

Mas é preciso ter pressa, porque novembro exige vida e dezembro um saldo positivo.

 

  

 


Cheguei a Holanda pela primeira vez com 22 anos. E não foi num dia qualquer. Foi aos 22 de um outubro que marcaria minha vida. Mesmo encontrando as pessoas na ressaca do verão, achei tudo maravilhoso. quem diga que a chegada na primavera seja impressionante mas, para mim nada se compara as cores impactantes do outono. Foi um encontro perfeito e eu me apaixonei por ele. Meu ser leonino com ascendente em touro vibra com vermelho, terra, laranja! Tudo era novidade e alegria naquela época, ainda mais para quem veio de uma região do Brasil com 2 estações bem definidas - chuva e seca - aprendi que existem mesmo 4! E que elas interferem de verdade no nosso ritmo de vida.

Com o passar dos anos, aquele encantamento inicial foi se perdendo, mas aprendi a encarar o frio como o momento necessário para a introspecção. Os bichos dormem. Eu raciocino, logo devo pensar. É sempre o momento ideal para fechar para balanço e avaliar os planos e projetos. Não tem como não acreditar em renovação vendo as folhas caindo, por mais triste que possa parecer.  

Outros outonosvieram. Alguns trouxeram um anúncio forte de um inverno melancólico e deprimente, outros nem tanto, e muitos guardaram a alegria do verão até a chegada da primavera. Mas a cada ano, me renovo nele e com ele.

Que venha novembro e seus dias curtos, p'ra que eu possa me perder na escuridão das noites longas, depois de soltar todas as bruxas... 

 

“Esperança”

 

A chuva em gotas esvai-se

Qual pó que cai sobre a terra

E a beleza toda encerra

Do arco-íris que não erra

O tom da luz e desfaz-se

 

O vento em sopros esvai-se

Qual manso tato materno

Onde o acalanto é eterno

Contra tudo o que é moderno

Mantém o amor e refaz-se

 

O amado em prantos esvai-se

Qual verso que já fraqueja

Não mais suporta a peleja

Contra um peito que lateja

Na paixão, que é morte, e vai-se

 

A esperança não se esvai

Qual o amado, o vento, a chuva

Vence a derrota e madruga

Faz do seco pó, a uva

Levanta-se quando cai

 

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