DeLaMar 29/10
A companhia Balé da Cidade de São Paulo foi criada em 1968 como uma companhia de balé clássico. Em 1974 foi transformada numa companhia de dança contemporânea e assim continua até hoje, atualmente dirigida por Monica Mion. A companhia tem em seu currículo diversas turnês internacionais e diversos prêmios e seu repertório inclui obras de coreógrafos conceituados. Em 2008 a companhia completou 40 anos de sucesso de crítica e público. A companhia é um dos corpos estáveis do Teatro Municipal de São Paulo.
A companhia é reconhecida internacionalmente pela sua sensualidade, sua poesia e paixão pela dança, além da inovação e qualidade técnica. Seus espetáculos são uma festa para os amantes da dança moderna. Ela trouxe para a Holanda, como parte do Festival Brasil Amsterdam, uma apresentação de dança contemporânea que passa pela música clássica, pelos ritmos brasileiros e chega até a música eletrônica.
O programa apresentou três coreografias, a primeira, “Coisas que ajudam a viver”, de autoria da coreógrafa Susana Yamauchi em parceria com os intérpretes. Nesta obra, os movimentos traduzem a procura do homem por elementos que possam responder a eterna questão do sentido da vida.

A segunda, “La Valse”, com versão feita em 2008 para a coreografia elaborada em 1992 pela dupla Mônica Kodato e Irineu Marcovechio. Nela, as mulheres em longos vestidos negros e os homens vestidos de calça cinza e blusa branca dançam uma mistura de valsa, tango, dança moderna e balé clássico misturados a movimentos teatrais. A terceira, “Canela Fina” de Cayetano Soto, é uma antiga expressão espanhola usada para definir algo de extremo bom gosto e sofisticação. “O termo canela fina indica alguma coisa que preenche todos os sentidos e te faz saborear alguma coisa boa da vida” diz Soto. A coreografia explora os sentidos usando para isto, por exemplo, canela de verdade derramada no palco criando uma fumaça laranja ocre, despertando os sentidos do olfato, do tato e principalmente da visão.

Eu tive a oportunidade de conversar com várias pessoas, holandesas e brasileiras, durante o primeiro intervalo e ao final do espetáculo. Ouvi várias opiniões e interpretações interessantes e, algumas, até engraçadas sobre as coreografias. Mas a opinião geral foi que a primeira parte com “Coisas que ajudam a viver”, demonstrou imensa qualidade técnica, mas a compreensão e digestão da coreografia são difíceis. Já a segunda parte com “La Valse” e “Canela Fina” agradou a todos não só pela qualidade técnica, mas também pela beleza e emoção que causam no público. A opinião geral também foi de que a companhia Balé da Cidade de São Paulo é de nível e qualidade internacionais e que eles apresentam um espetáculo imperdível para os amantes da dança contemporânea.