Bom-dia!
“A vida é uma grande escola, mas pouco ensina para quem não aprende a aprender.”
[Augusto Cury, em ‘Nunca desista dos seus sonhos’.]
Esta semana, minha vizinha Sabine, que é holandesa e uma de minhas melhores amigas aqui
na Holanda, visitou-me. Compartilhou que seu coração ainda estava inquieto e, que de certa forma,
ainda sentia-se furiosa com uma outra amiga [holandesa]. Motivo da mágoa: esta não convidou o filho daquela para uma festinha.
Sendo que vejo os dois meninos brincarem diariamente em frente à minha casa, e que o amiguinho frequenta a casa de Sabine regularmente, e é sempre muito celebrado e querido, não precisei de mais informações para alcançar a dor de que aquela mãe me falava; mesmo não sendo eu uma. Sem contar que notei que o filho dela estava jururu. A bem da verdade, ele, profundamente magoado, enfurnou-se embaixo dos lençóis, após telefonar para o amiguinho convidando-a para brincar, e ouviu: “Não posso, tenho uma festa aqui em casa.”
Minha vizinha fitava-me como quem buscava por respostas... Depois, prosseguiu: “Jô, quando eu a telefonei objetivando saber o motivo do meu filho ter sido excluído, e ele tinha ficado magoado – ele tem 7 anos! -, fui tomada de uma onda ainda maior de tristeza. Respondeu-me que não entendia o motivo de eu estar reagindo de forma tão emocional. Em nenhum momento desculpou-se. Justificou-se que era uma festinha para 9 crianças e que resolveu não convidar o Timo. Disse-me isso assim! Sem nenhuma capacidade de entender do que eu falava.”
Há uns 7 anos, numa determinada manhã, eu passeava de bicicleta com o meu cachorro aqui em Wezep, quando aproximou-se de nós, um bull dog. Percebi que há uns 50 metros de distância, havia um senhor segurando uma coleira. Temendo que algo acontecesse, calmamente gritei pedindo que ele fizesse a gentileza de chamar o próprio cão. Esse homem fez-se de surdo! Estacionei a bicicleta e, tentando não ‘exalar pânico’ para os dois cachorros, administrei a situação dentro da medida do possível. Depois, caminhei em direção aquele homem. O bull dog seguiu-me com ares de incomodado, deixando-me o benefício da dúvida se, a qualquer momento, avançaria no meu cachorro, ou em mim. Aproximei-me do homem e perguntei, com meu holandês carregado de sotaque buitenlandse:
“Pardon, meneer. Waarom hebt u niks gedaan? Het is een erg gevaarlijke situatie! Uw hond loopt los, en dat mag helemaal niet! Het is niet veilig voor andere mensen die hier wandelen of fietsen; zoals voor mij en mijn hond, nu.” Eis a resposta que ouvi: “My dog is Dutch!”
Eu deveria ter reagido de acordo com o que a vovó sempre falava: ‘Melhor ouvir isso do que ser surdo!’. Mas convenhamos, não havia motivo para tanta indelicadeza! Assim, eu disse para aquele homem entre risos de sarcasmo: “Leuk! En van welk ras bent u?”
O professor José Augusto Carvalho [Mestre em Linguística pela Unicamp, e Doutor em Letras pela USP] comentou, ao escrever o prefácio do meu livro: “Também há críticas interessantes”. E citou uma fala da personagem central:
“[os holandeses] são superficiais, não vão fundo nem longe… Nestes três anos, e tomando como referência as pessoas com quem já conversei ou que conheci aqui, o meu maior choque cultural foi exatamente essa artificial e vaga diplomacia. Constatei que, aqui na Holanda, um dos países mais desenvolvidos do mundo, muitos dos seus habitantes são intelectuais, brilhantes e lindos, contudo, entre eles, existem muitos, muitos, que deixaram apodrecer dentro de si, por total falta de uso, grandes qualidades, grandes valores humanos que regem a vida.”
Termino esta crônica, compartilhando algo que acredito: colocar-se no lugar do outro, isto é, ser altruísta, é ensinado pelo exemplo. Exercitar o ‘código do altruísmo’, é o caminho que devemos trilhar. Independente de qual nação pertençamos. Isso se quisermos, como nação, lograr os melhores índices no que tange à inteligência emocional.
Grande abraço, e até próxima!
SOBRE O LIVRO:

“Romance de estreia, mas dá a ilusão de ser obra de autora experiente, pelas qualidades que apresenta. Trata-se de um romance intimista - centralizado basicamente em problemas familiares -, que certamente agradará ao leitor desde as primeiras linhas. E ficará encantado com o final surpreendente. É ler para ver.
(José Augusto Carvalho - Mestre em Linguística pela Unicamp, e Doutor em Letras pela USP)
O romance Mevrouw Jane é um testemunho de mim mesma! Meu objetivo era não somente escrever sobre as dificuldades ou os problemas, que passei a vivenciar a partir do momento que vim morar na Holanda. Mas sobre o processo e a efetiva superação deles!
Por exemplo:
1) os conflitos na educação de filhastros,
2) a terapia de casal,
3) Borderline Personality Disorder,
4) solidão pela morte de minha família, perda do bebê,
5) assim como as minhas conquistas na Harvard University.
Queria escrever um livro que tivesse algo para oferecer àqueles que se encontram na mesma situação que eu.
Eu me transportei para o futuro e escrevi sobre o meu passado. Muitas das memórias que Mevrouw Jane relata para Sofia, são as minhas. São as vitórias ou os problemas que enfrentei ou ainda enfrento. Muitos deles, já praticamente superados, por exemplo: eu e a BPD.
Brinquei de imaginar como serei aos 70 anos (tenho 48). Por essa razão, o livro não poderia ser auto biográfico. Ele é ficção com base em fatos reais.
Eu queria escrever um livro onde o bem truinfasse no final da estória. E contar sobre a maturidade e candura dos 70 anos de vida de uma personagem comoMevrouw Jane foi absolutamente fascinante! Ela me ensinou tanto!
Eu me autopubliquei pelas editoras Scortecci [versão impressa ISBN: 978-85-366-2207-1], e Simplíssimo [versão e-book ISBN: 978-85-63654-38-0].
Em agosto último, Mevrouw Jane foi lançado no Brasil. Eu não poderia estar mais feliz! Sinto-me renovada pelo carinho com que ele tem sido recedido, tanto pela crítica e pelos leitores.
No nosso país, ele está sendo comercializado pelas seguintes Livrarias:
Saraiva , Cultura [nas cidades de São Paulo-SP e Rio de Janeiro-RJ], Logus [Vitória-ES],Torre de Papel [Vitória-ES], Ouvidor [Belo Horizonte-MG] e Status Café e Cultura [Belo Horizonte-MG].
Para adquirir o romance "Mevrouw Jane", aqui na Holanda, favor enviar email para: josaneamorim@gmail.com